Trump critica China após desfile com Rússia e Índia em Pequim

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Trump - Foto: noamgalai / Shutterstock.com

No dia 3 de setembro de 2025, a China realizou na Praça da Paz Celestial, em Pequim, o maior desfile militar de sua história, marcando os 80 anos da vitória sobre o Japão na Segunda Guerra Mundial. Liderado pelo presidente Xi Jinping, o evento exibiu uma tríade nuclear completa, incluindo mísseis intercontinentais, drones avançados e armas hipersônicas, na presença de aliados como Vladimir Putin, da Rússia, e Kim Jong-un, da Coreia do Norte. A demonstração de força foi interpretada como um recado ao Ocidente, especialmente aos Estados Unidos, onde o presidente Donald Trump reagiu, acusando a China de atrair aliados como Rússia e Índia para uma coalizão “sombria”. A parada, acompanhada por mais de 50 mil espectadores, também contou com líderes de outros países, como o primeiro-ministro indiano Narendra Modi, e reforçou a narrativa chinesa de uma nova ordem global. O evento gerou tensões geopolíticas, com críticas de Trump e da União Europeia, que viu a aliança como um desafio à ordem internacional.

A mensagem de Xi Jinping, que pediu unidade contra a “hegemonia” em um discurso firme, foi reforçada pela exibição de equipamentos militares de ponta, como o míssil DF-5C, com alcance de 20 mil km. A presença de líderes globais e a escala do desfile destacaram o crescente papel da China no cenário mundial.

  • Novos armamentos exibidos: mísseis nucleares, drones subaquáticos e armas a laser.
  • Alianças reforçadas: reuniões bilaterais com Putin, Kim e Modi.
  • Reação internacional: críticas de Trump e da chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas.

Detalhes do desfile militar

O desfile, intitulado Dia da Vitória, foi um marco na exibição do poderio militar chinês. Realizado na icônica Praça da Paz Celestial, o evento contou com cerca de 10 mil soldados marchando em formação, acompanhados por sobrevoos de caças, helicópteros e drones. A China revelou pela primeira vez sua tríade nuclear completa, composta por mísseis lançados de terra, mar e ar, destacando o míssil balístico intercontinental DF-5C e o novo DF-61, ambos com capacidade de atingir alvos globais. Além disso, foram apresentados drones subaquáticos, como o AJX002, e armas a laser, como a LY-1, projetadas para neutralizar sensores óticos e mudar as dinâmicas de combates marítimos.

A presença de líderes como Putin e Kim Jong-un, sentados ao lado de Xi Jinping, simbolizou a consolidação de alianças estratégicas. O evento também incluiu uma cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (SCO), realizada dias antes, que reuniu representantes de países como Irã, Paquistão e Mongólia. A mensagem de unidade contra a “política de poder” foi clara, com Xi usando o palco para criticar indiretamente a influência dos EUA. A parada culminou com a liberação de 80 mil pombas da paz, um gesto simbólico em meio à exibição de armas avançadas.

Presidente Xi Jinping – Foto: Photo Agency / Shutterstock.com

Reações internacionais ao evento

A resposta global ao desfile foi imediata e polarizada. Nos Estados Unidos, Donald Trump usou sua rede social, Truth Social, para expressar descontentamento, afirmando que a China estava atraindo aliados tradicionais dos EUA, como a Índia, para seu campo. Ele acusou Xi Jinping, Putin e Kim Jong-un de conspirarem contra os interesses americanos, embora sem detalhar a suposta conspiração. A fala de Trump reflete a crescente tensão entre Washington e Pequim, especialmente após a exibição de mísseis nucleares capazes de atingir o território americano.

Na Europa, a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, classificou o encontro como um “desafio direto à ordem internacional”. Ela destacou o apoio chinês à Rússia na guerra da Ucrânia como uma preocupação central, apontando que a aliança exibida no desfile reforça sinais antiocidentais. Putin, por sua vez, respondeu com ironia às críticas de Trump, afirmando que o presidente americano “tem senso de humor”.

  • Críticas de Trump: acusação de conspiração entre China, Rússia e Coreia do Norte.
  • Posição da UE: preocupação com apoio chinês à Rússia e desafio à ordem global.
  • Resposta de Putin: tom irônico ao comentar fala de Trump.
  • Presença de Modi: sinal de aproximação da Índia com a China.

Arsenal militar em destaque

A exibição de armamentos foi o ponto central do desfile, com a China mostrando avanços significativos em sua tecnologia militar. O míssil DF-5C, de combustível líquido, pode atingir alvos a mais de 20 mil km, enquanto o DF-61, montado em veículos móveis, oferece maior flexibilidade estratégica. A tríade nuclear, composta por mísseis terrestres, submarinos e aéreos, marca a consolidação da China como uma potência nuclear comparável a EUA e Rússia, embora seu arsenal ainda seja menor.

Além dos mísseis, o desfile apresentou drones avançados, como o GJ-11, capaz de operar ao lado de caças pilotados, e o AJX002, um drone subaquático de 65 pés projetado para missões de reconhecimento. A arma a laser LY-1, montada em veículos blindados, foi outro destaque, com capacidade de desativar sensores de equipamentos inimigos. Esses avanços preocupam especialistas, que apontam que a combinação de drones e mísseis pode limitar a capacidade de intervenção de marinhas estrangeiras no Mar do Sul da China.

Contexto geopolítico e alianças

O desfile militar foi mais do que uma demonstração de força bélica; ele reforçou a posição da China como líder de uma coalizão que desafia a hegemonia ocidental. A presença de Narendra Modi, primeiro-ministro da Índia, ao lado de Putin e Kim, surpreendeu analistas, dado o histórico de tensões entre China e Índia na fronteira do Himalaia. A participação de Modi na cúpula da SCO e no desfile sugere uma tentativa de Pequim de atrair Nova Délhi para sua esfera de influência, o que gerou alarme em Washington.

A cúpula da SCO, realizada antes do desfile, foi palco para acordos bilaterais entre a China e seus aliados. Xi Jinping se reuniu separadamente com Putin e Kim, reforçando laços econômicos e militares. A presença de representantes do Brasil, como Celso Amorim e Dilma Rousseff, do Banco do Brics, também indica o interesse chinês em consolidar parcerias com nações do Sul Global. A mensagem de Xi, de uma nova ordem mundial baseada em “ganhos mútuos”, contrasta com as tensões crescentes com o Ocidente.

  • Cúpula da SCO: acordos bilaterais com Rússia, Coreia do Norte e outros.
  • Presença do Brasil: Celso Amorim e Dilma Rousseff representaram o país.
  • Aproximação com a Índia: Modi ao lado de Xi sinaliza mudança geopolítica.
  • Discurso de Xi: crítica à hegemonia e defesa de uma nova ordem global.

Mensagem de Xi Jinping

Durante o desfile, Xi Jinping usou um discurso para mais de 50 mil espectadores para reforçar sua visão de mundo. Vestindo um terno inspirado em Mao Tsé-tung, ele afirmou que a China está “do lado certo da história” e defendeu a escolha pela paz, diálogo e cooperação. Suas palavras, porém, foram acompanhadas por uma demonstração de poder militar que contradiz o tom pacífico, sugerindo uma estratégia dupla de diplomacia e intimidação.

O líder chinês também destacou a importância de resistir à “hegemonia e política de poder”, uma crítica velada aos Estados Unidos. A presença de mais de 20 chefes de Estado, incluindo aliados de peso como Putin e Kim, reforçou a imagem de uma China confiante em seu papel global. A liberação de 80 mil pombas da paz ao fim do evento foi um gesto simbólico, mas a exibição de armas nucleares e drones dominou as manchetes internacionais.

Impacto regional no Leste Asiático

O desfile também teve implicações diretas para o Leste Asiático, onde a China busca consolidar sua influência. A exibição de mísseis hipersônicos e drones subaquáticos sinaliza uma estratégia para dominar os mares próximos, como o Mar do Sul da China, onde Pequim disputa territórios com países como Filipinas e Vietnã. Especialistas apontam que a combinação de armamentos apresentados pode dificultar operações navais de potências ocidentais na região.

James Char, professor de Defesa da China em Singapura, destacou que os drones marítimos e mísseis anti-navio criam uma “zona de exclusão” que complica intervenções estrangeiras. A presença de aliados como Paquistão e Mongólia no desfile reforça a tentativa chinesa de projetar poder regional, enquanto a participação da Índia sugere uma reconfiguração de alianças que pode alterar o equilíbrio de forças no Indo-Pacífico.

  • Controle marítimo: drones e mísseis reforçam domínio no Mar do Sul da China.
  • Tensões regionais: disputa com Filipinas e Vietnã ganha novo peso.
  • Reconfiguração de alianças: Índia se aproxima da China, preocupando o Ocidente.
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