O Peugeot e-2008, único modelo elétrico da marca francesa atualmente à venda no Brasil, será descontinuado no país devido à baixa demanda, com apenas quatro unidades vendidas entre janeiro e agosto de 2025. Importado da Espanha desde novembro de 2022, o SUV compacto não alcançou o sucesso esperado, totalizando pouco mais de 600 unidades emplacadas em três anos, segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). A decisão reflete a estratégia da Peugeot de focar no novo e-3008, um SUV médio elétrico que já está em testes no Brasil e deve chegar ao mercado ainda em 2025. A saída do e-2008 marca o fim de um ciclo para a montadora, que busca reposicionar sua oferta no segmento de veículos elétricos.
A notícia da descontinuação ocorre em um momento de transição no mercado automotivo brasileiro, onde os veículos elétricos ainda enfrentam desafios para conquistar consumidores. Apesar de melhorias no modelo 2025, como maior potência e autonomia, o e-2008 não conseguiu competir com a crescente oferta de marcas chinesas, como a BYD, que dominam o segmento. A Peugeot, no entanto, segue comprometida com a eletrificação, apostando no e-3008 para recuperar espaço.
- Principais motivos da baixa demanda: preço elevado, autonomia limitada e concorrência acirrada.
- Próximos passos da Peugeot: lançamento do e-3008 e fortalecimento de modelos híbridos.
- Impacto no mercado: redução da oferta de SUVs elétricos compactos no Brasil.
Motivos da saída do e-2008
A baixa procura pelo Peugeot e-2008 no Brasil está diretamente ligada a fatores como preço, autonomia e concorrência. Lançado em 2022 com valor inicial de R$ 259.990, o modelo chegou a custar R$ 159.990 em 2024, após reduções significativas, o que impulsionou a venda de 400 unidades em um único mês. No entanto, o preço voltou a subir para R$ 269.990 na linha 2025, afastando potenciais compradores. A autonomia de 261 km, embora melhorada em relação aos 220 km iniciais, ainda é considerada limitada frente a concorrentes como o BYD Song Plus, que oferece mais de 400 km. Além disso, a infraestrutura de recarga no Brasil, embora em expansão, segue como obstáculo para muitos consumidores.
O mercado de elétricos no Brasil é dominado por marcas chinesas, que combinam preços competitivos e tecnologia avançada. A BYD, por exemplo, superou a Honda em vendas no país, segundo posts recentes no X, e está próxima de alcançar a Renault. A Peugeot, por sua vez, enfrentou dificuldades para posicionar o e-2008 como uma opção atraente, especialmente em um segmento onde os consumidores priorizam custo-benefício.
- Preço inicial elevado: R$ 259.990 em 2022, com pico de R$ 269.990 em 2025.
- Autonomia limitada: 261 km, insuficiente para viagens longas.
- Concorrência: marcas chinesas oferecem maior autonomia e preços mais acessíveis.

Atualizações do e-2008 não foram suficientes
A linha 2025 do e-2008 trouxe melhorias significativas, mas não o suficiente para reverter a baixa demanda. O SUV elétrico ganhou 15% mais potência, passando de 136 cv para 158 cv, e uma bateria de 54 kWh, que ampliou a autonomia para 261 km, segundo o padrão do Inmetro. O carregador monofásico de 11 kW, ante 7,4 kW da versão anterior, permitiu recargas de até 80% em 30 minutos em estações de 100 kW. Apesar disso, a infraestrutura de eletropostos no Brasil ainda é escassa, o que limita a praticidade do modelo para uso fora de centros urbanos.
O design também foi renovado, alinhando-se à nova identidade visual da Peugeot, com faróis full-LED, grade frontal redesenhada e lanternas com assinatura luminosa de três garras. Essas mudanças, no entanto, não conseguiram atrair consumidores em um mercado onde SUVs compactos a combustão, como o Jeep Renegade, ou elétricos chineses, como o BYD Yuan Plus, oferecem maior apelo comercial.
Estratégia da Peugeot para o futuro
Com a saída do e-2008, a Peugeot está reposicionando sua estratégia no Brasil, focando no lançamento do e-3008, um SUV médio elétrico que promete maior autonomia e tecnologia avançada. O modelo já está em fase de testes no país e deve chegar às concessionárias ainda em 2025, ocupando o espaço deixado pelo e-2008 como carro de imagem da marca. A montadora também aposta em modelos híbridos, como o novo 2008 com motor 1.0 turbo flex, produzido na Argentina, para atender consumidores que buscam opções mais acessíveis.
A decisão de descontinuar o e-2008 segue a mesma lógica aplicada ao e-208, que saiu de linha em 2024 após apenas 55 unidades vendidas em quatro anos. Rafael Filon, chefe de marketing da Peugeot para a América do Sul, confirmou que a marca priorizará um único veículo elétrico de passeio, o e-3008, e um modelo comercial, o e-Expert. Essa estratégia reflete a preferência do consumidor brasileiro por SUVs, que representam a maioria das vendas no segmento elétrico.
- Foco no e-3008: SUV médio com maior autonomia e tecnologia avançada.
- Modelos híbridos: novo 2008 com motor 1.0 turbo flex produzido na Argentina.
- Redução de oferta: apenas um elétrico de passeio e um comercial no portfólio.
- Preferência do consumidor: SUVs dominam as vendas de elétricos no Brasil.
Contexto do mercado de elétricos no Brasil
O mercado de veículos elétricos no Brasil está em crescimento, mas enfrenta desafios estruturais. Dados da ABVE mostram que a frota de elétricos no país cresceu significativamente, com destaque para Brasília, onde o número de veículos aumentou 10.000% nos últimos cinco anos, segundo o Departamento de Trânsito local. Apesar disso, a infraestrutura de recarga permanece como um obstáculo, com poucos eletropostos de alta potência fora das grandes cidades. Marcas chinesas, como a BYD, têm se beneficiado do preço elevado da gasolina e da demanda por carros compactos com bom custo-benefício, conforme apontado em posts no X.
A Peugeot, ao descontinuar o e-2008, reconhece que o modelo não conseguiu se adaptar a esse cenário. O SUV elétrico foi lançado como uma aposta premium, mas o preço elevado e a autonomia limitada o tornaram menos competitivo. A chegada do e-3008, com promessa de maior alcance e tecnologia, é uma tentativa de reposicionar a marca em um segmento onde a concorrência é cada vez mais acirrada.
Comparação com outros modelos descontinuados
A saída do e-2008 não é um caso isolado no mercado brasileiro. Outros veículos elétricos, como o Chevrolet Bolt EUV e o Renault Zoe, também enfrentaram dificuldades e foram descontinuados ou estão em fim de ciclo. O Bolt EUV, por exemplo, teve sua produção encerrada nos Estados Unidos, com apenas 200 unidades importadas para o Brasil. Já o Renault Zoe, após 12 anos no mercado global, perdeu espaço para novos modelos chineses. Esses casos ilustram a dificuldade de marcas tradicionais em competir com a agressiva estratégia de preços das montadoras asiáticas.
- Chevrolet Bolt EUV: produção encerrada, com apenas 200 unidades no Brasil.
- Renault Zoe: 12 anos no mercado, superado por modelos chineses.
- Peugeot e-208: descontinuado em 2024, com 55 unidades vendidas.
- BYD: lidera o mercado com preços competitivos e maior autonomia.
O que esperar do e-3008
O novo e-3008, que substituirá o e-2008, é aguardado com expectativa no Brasil. O modelo promete uma autonomia superior, estimada em cerca de 400 km, e um design ainda mais sofisticado, com tecnologias como piloto automático adaptativo e alerta de colisão. A Peugeot aposta que o SUV médio terá maior apelo entre consumidores que buscam veículos elétricos premium, mas com maior praticidade para viagens. O lançamento está previsto para o segundo semestre de 2025, e a marca já realiza testes em solo brasileiro para adaptar o modelo às condições locais.
A chegada do e-3008 também reflete uma mudança na estratégia global da Peugeot, que busca consolidar sua presença no segmento elétrico com veículos mais avançados. Enquanto o e-2008 foi uma aposta inicial na eletrificação, o novo modelo terá a missão de competir diretamente com SUVs como o BYD Song Plus e o Tesla Model Y, que já conquistaram o mercado brasileiro.
- Autonomia estimada: cerca de 400 km, superior ao e-2008.
- Tecnologias: piloto automático adaptativo, alerta de colisão e reconhecimento de placas.
- Lançamento: previsto para o segundo semestre de 2025.
