Naná Silva, de 15 anos, surpreende no SP Open com virada e e impulsiona ranking da WTA com salto impressionante

Naná Silva

Naná Silva - Foto: Instagram

Naná Silva, a jovem tenista brasileira de 15 anos, conquistou sua primeira vitória em um torneio WTA nesta segunda-feira, 8 de setembro de 2025, ao derrotar a compatriota Carol Meligeni por 2 sets a 1, com parciais de 6/7 (0-7 no tie-break), 6/2 e 6/0, na quadra central do Parque Villa-Lobos, em São Paulo. O feito ocorreu durante a estreia na chave principal do SP Open, um evento WTA 250 que marca o retorno da elite feminina ao Brasil após anos de ausência, e destacou a paulistana como a primeira jogadora nascida em 2010 a triunfar em uma partida de nível profissional. Essa vitória não só rendeu 30 pontos no ranking, impulsionando-a de 1.206ª para 783ª posição provisoriamente, mas também quebrou recordes nacionais, superando a marca anterior de Beatriz Haddad Maia, que venceu sua primeira aos 16 anos e oito meses. O embate, que durou 1 hora e 49 minutos em piso duro, demonstrou a resiliência de Naná, que salvou set points no primeiro set e dominou os subsequentes com agressividade renovada, aplicando um pneu no terceiro. A torcida lotou as arquibancadas, cantando seu nome ao som de “Freed from Desire”, celebrando o talento emergente em um local simbólico onde ela começou a treinar criança.

A partida começou tensa, com Naná mostrando nervosismo inicial típico de uma estreia na elite, mas sua capacidade de adaptação virou o jogo. Carol Meligeni, de 29 anos e ranqueada 237ª, pressionou com experiência, levando o primeiro set no tie-break após salvar oportunidades. No entanto, a adolescente ajustou o saque, que atinge até 189 km/h em treinos, e errou menos na rede, vencendo 11 games consecutivos para fechar o confronto. Esse resultado eleva expectativas para a segunda rodada, na quarta-feira, contra a argentina Solana Sierra, 82ª do mundo e segunda cabeça de chave, em um teste maior de consistência.

Além do simples, Naná também compete em duplas ao lado de Victoria Barros, outra promessa de 15 anos, mas a dupla caiu na estreia por 6/4 e 7/5 para as americanas Anna Rogers e a indonésia Janice Tjen. O SP Open, com premiação de US$ 267.855 e 16 jogadoras na chave principal, reúne oito brasileiras, incluindo Bia Haddad Maia e Laura Pigossi, reforçando o momento positivo do tênis nacional.

Origens humildes e ascensão rápida no tênis

Nauhany Vitória Leme da Silva, conhecida como Naná, nasceu em 23 de março de 2010, na zona sul de São Paulo, na comunidade Real Parque, no Morumbi. Sua jornada no esporte começou aos dois anos, influenciada pelo pai, Paulinho Silva, professor de tênis que a levava para quadras públicas. Aos fins de semana, pai e filha frequentavam o Parque Villa-Lobos, onde Naná treinava, andava de bicicleta e tomava água de coco, transformando lazer em rotina disciplinada. Essa proximidade com o local do SP Open adiciona emoção ao seu debute profissional.

Aos seis anos, Naná já competia em torneios de base, federando-se aos oito. O talento precoce chamou atenção, e aos 12 anos, ela integrou a Rede Tênis Brasil, projeto que oferece suporte técnico com treinadores como Danilo Ferraz e Leo Azevedo. Essa estrutura permitiu equilibrar agenda juvenil e profissional, com foco em fundamentos como saque potente e forehand agressivo. Em 2024, aos 14 anos, Naná furou qualificações em ITF W35 e W50 em São Paulo e Leme, somando pontos iniciais.

Seu primeiro Grand Slam juvenil veio em abril de 2024, ao vencer o Roland Garros Junior Series em São Paulo, garantindo vaga no torneio francês, onde caiu na estreia. Em 2025, ela disputou todos os majors júnior: terceira rodada em Wimbledon, oitavas em Roland Garros e participações no Australian Open e US Open, acumulando experiência contra rivais globais. Em ITF profissionais, registra quatro vitórias e quatro derrotas este ano, incluindo triunfos sobre jogadoras ranqueadas acima de 800.

  • Entrada no ranking WTA aos 14 anos, seis meses e dez dias, em 23 de setembro de 2024, como a mais jovem do mundo na lista.
  • Primeira brasileira nascida em 2010 a figurar no ranking, superando Helena Bueno em precocidade relativa.
  • Acumula US$ 1.952 em prêmios, com US$ 462 em 2025, antes da vitória no SP Open.
  • Treinos em quadras reformadas do Villa-Lobos, que passaram de públicas simples a padrão WTA para o torneio.
  • Influências como Bia Haddad Maia e Aryna Sabalenka, com quem treinou, moldando estilo agressivo.

Detalhes da vitória que mudou o ranking

O confronto contra Carol Meligeni expôs contrastes geracionais, mas Naná provou maturidade ao superar o primeiro set perdido. No tie-break inicial, ela salvou quatro set points, mas errou sob pressão, cedendo por 7-0. Ajustes no segundo set incluíram mais profundidade nos golpes e melhor movimentação, quebrando o saque da adversária cedo e mantendo o serviço. O terceiro set foi dominante, com Naná vencendo todos os games sem ceder pontos no saque, finalizando com um pneu que ecoou como símbolo de superação.

Essa performance rendeu 30 pontos, elevando seu total de 9 para 39 e impulsionando 423 posições no ranking provisório, atualizado oficialmente na segunda-feira, 15 de setembro. A WTA reconheceu o feito em redes sociais, chamando-a de “estrela nascendo”. Como wild card no SP Open, Naná evitou qualificatórias, focando na main draw, e sua vitória garante pelo menos US$ 3.410 em premiação, além de visibilidade global.

Comparada a outras jovens, Naná se destaca pela transição suave: Mirra Andreeva, russa de 17 anos, venceu WTA aos 15 em 2023, mas em contexto diferente. No Brasil, o recorde anterior era de Bia Haddad, agora top 20, que inspira a novata. A partida atraiu público recorde no Villa-Lobos, com transmissões no SporTV 3 ampliando alcance.

A recuperação no segundo set veio de lições de treinos: foco em consistência e variação de spins. Carol, experiente em ITF e WTA 125, elogiou a potência da jovem, notando sua evolução rápida. Esse triunfo valida o investimento em base, com Naná somando agora uma vitória em 250, nível intermediário da WTA.

Preparação e desafios no SP Open

Antes do torneio, Naná disputou o US Open júnior, caindo na estreia, mas ganhando ritmo em piso duro, similar ao do SP Open. Seu preparo incluiu sessões na Rede Tênis Brasil, enfatizando físico e mental, com equipe multidisciplinar para gerir agenda dupla. Aos 15 anos, ela equilibra escola e tênis, priorizando saúde para evitar lesões comuns em precoces.

O SP Open, primeiro WTA 250 no Brasil desde 2016, oferece quadras reformadas no Villa-Lobos, com capacidade para 5 mil espectadores. Naná recebeu wild card por mérito, ao lado de Barros e Fullana, reforçando diversidade na chave. Seu saque, com média de 160 km/h, e forehand preciso foram chaves contra Meligeni, que cometeu 28 erros não forçados.

Na duplas, a parceria com Barros, de Natal, testou química em estreia, mas a derrota não abala: as rivais Rogers e Tjen avançaram, mas as brasileiras ganham experiência. Luisa Stefani, top em duplas, e Bia Haddad, cabeça 1 em simples, representam o Brasil nas oitavas, com Pigossi e Martins vencendo duplas nacionais.

  • Wild card justificado por ranking júnior (37ª) e ITF vitórias em 2025.
  • Treinos com Bia Haddad, que a chamou de “fofa e talentosa”.
  • Foco em piso duro: 75% de vitórias em ITF este ano nesse superfície.
  • Suporte familiar: pai Paulinho acompanha torneios desde base.
  • Próximo duelo: Solana Sierra, com 16 vitórias em 2025, exige defesa sólida.

Próximos passos e oitavas no torneio

Na quarta-feira, 10 de setembro, Naná enfrenta Solana Sierra não antes das 17h30, na quadra central. A argentina, de 23 anos, tem defesa tenaz e retornos agressivos, com histórico em WTA 125. Sierra venceu Arianne Hartono na estreia, mostrando forma em pisos rápidos. Para Naná, o desafio é manter agressividade sem erros, explorando altura (1,70m) para variações.

O SP Open prossegue até 14 de setembro, com semifinais no sábado e final no domingo. Bia Haddad Maia, ranqueada top 20, estreia contra Renee Staput, enquanto Pigossi enfrenta Julia Riera. A presença de oito brasileiras na main draw eleva o evento, com premiação total distribuída em simples e duplas.

Naná expressou surpresa pós-vitória: “Não imaginava passar da primeira rodada, mas fui mais agressiva”. Seu sonho é o top 1, inspirada em ídolos. O torneio, com ingressos acessíveis, democratiza o tênis, ecoando origens de Naná em quadras públicas.

A chave de simples tem surpresas: Victoria Barros caiu para Whitney Osuigwe, mas lutou. Ingrid Martins e Laura Pigossi avançaram em duplas contra Bia e Candiotto. O equilíbrio entre gerações promete duelos intensos nas oitavas.

Talento emergente e futuro promissor

Naná representa renovação no tênis brasileiro, com estilo moderno: potência como Sabalenka e precisão. Aos 15, ela acumula marcos: única de 2010 no ranking WTA desde 2024. Seu wild card no SP Open reflete confiança da organização em seu potencial, validado pela vitória.

Treinadores destacam maturidade: Ferraz nota “saque elite para idade”. A Rede Tênis Brasil investe em 50 jovens, com Naná como bandeira. Em 2025, ela mira mais ITF e WTA 125, visando top 500 até fim do ano.

O Villa-Lobos, com quadras reformadas, simboliza inclusão: de treinos informais a WTA oficial. Naná recorda: “Aqui tenho memórias felizes”. Sua história motiva base, mostrando que origens humildes não limitam sonhos.

  • Estilo de jogo: agressivo, com forehand dominante e saque veloz.
  • Objetivos: disputar mais majors júnior e transitar para profissional.
  • Referências: Bia Haddad, por proximidade, e Elena Rybakina por técnica.
  • Impacto no ranking: possível top 700 após oitavas, dependendo de resultados.
  • Calendário: pós-SP Open, ITF em outubro para acumular pontos.
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