Brasil sofre com altitude, cai para Bolívia e termina Eliminatórias em baixa

Seleção Brasileira

Seleção Brasileira - Foto: rafaelribeirorio I CBF

A seleção brasileira sofreu uma derrota surpreendente por 1 a 0 para a Bolívia, no Estádio Municipal de El Alto, a 4.100 metros de altitude, na terça-feira, 9 de setembro de 2025, pela última rodada das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2026. O gol decisivo foi marcado por Miguelito, de pênalti, nos acréscimos do primeiro tempo, após falta de Bruno Guimarães confirmada pelo VAR. Apesar de já estar classificada para o Mundial, a equipe comandada por Carlo Ancelotti teve atuação apagada, influenciada pela altitude, e encerrou a campanha na quinta colocação, com 28 pontos. A vitória garantiu à Bolívia a sétima posição e uma vaga na repescagem, mantendo viva a esperança de retornar à Copa após 32 anos.

A partida foi marcada pelo domínio boliviano, especialmente no primeiro tempo, quando a Seleção Brasileira pouco conseguiu criar. A altitude de El Alto, conhecida por dificultar o desempenho de equipes visitantes, foi um obstáculo claro. O Brasil, com um time alternativo escalado por Ancelotti, teve dificuldades para impor seu ritmo de jogo, enquanto a Bolívia aproveitou a vantagem geográfica para pressionar.

  • Desafios da altitude: Jogadores como Richarlison e Samuel Lino mostraram sinais de desgaste físico devido à altitude.
  • Domínio boliviano: A Bolívia finalizou 15 vezes contra apenas quatro do Brasil no primeiro tempo.
  • Pênalti decisivo: O gol de Miguelito, cobrado com precisão, foi o único da partida.
  • Mudanças no segundo tempo: Ancelotti promoveu substituições, mas o Brasil não conseguiu reverter o placar.

O resultado expôs fragilidades da Seleção Brasileira, que, mesmo com a vaga garantida, teve sua pior campanha nas Eliminatórias no formato atual, com apenas 51,85% de aproveitamento.

Altitude como fator determinante

A altitude de 4.100 metros do Estádio Municipal de El Alto foi um adversário à parte para o Brasil. A seleção chegou à Bolívia menos de quatro horas antes do jogo, estratégia adotada para minimizar os efeitos da altitude, mas que não surtiu o efeito esperado. Jogadores como Samuel Lino e Luiz Henrique, que haviam se destacado em partidas anteriores, não conseguiram repetir o desempenho, visivelmente afetados pela falta de oxigênio. Alisson, goleiro brasileiro, foi um dos poucos a se destacar, com defesas cruciais que evitaram um placar mais elástico.

A Bolívia, por outro lado, soube explorar a vantagem de jogar em casa. A equipe comandada por Óscar Villegas pressionou desde o início, com chutes de média e longa distância, apostando na velocidade diferente da bola na altitude. O goleiro Lampe, da Bolívia, também foi peça-chave, com defesas importantes que garantiram a vitória.

  • Estratégia boliviana: Aproveitar a altitude para pressionar o Brasil desde o início.
  • Dificuldades brasileiras: O time alternativo escalado por Ancelotti teve pouca criação ofensiva.
  • Defesas de Lampe: O goleiro boliviano foi decisivo em lances de perigo do Brasil no segundo tempo.

Momento crucial do jogo

O gol da vitória boliviana veio em um momento decisivo, nos acréscimos do primeiro tempo. Após uma jogada na área, Bruno Guimarães cometeu uma falta sobre Roberto Fernández, inicialmente não marcada pelo árbitro chileno Cristian Garay. A revisão do VAR confirmou o pênalti, e Miguelito, com frieza, deslocou Alisson para abrir o placar. O lance gerou reclamações da comissão técnica brasileira, que questionou a decisão arbitral.

No segundo tempo, o Brasil tentou reagir com as entradas de Marquinhos, Estêvão, Raphinha e João Pedro, mas a equipe não conseguiu criar chances claras. A Bolívia, por sua vez, administrou bem a vantagem, explorando contra-ataques e mantendo a posse de bola nos minutos finais. Um lance aos 40 minutos do segundo tempo, quando Alisson fez uma defesa espetacular em cabeceio de Algarañaz, evitou o segundo gol boliviano.

  • Pênalti polêmico: A falta de Bruno Guimarães foi confirmada após longa análise do VAR.
  • Reação tímida: As substituições de Ancelotti deram mais volume, mas sem efetividade.
  • Defesa de Alisson: O goleiro evitou uma derrota mais expressiva com intervenções cruciais.

Campanha histórica negativa do Brasil

A derrota para a Bolívia marcou a pior campanha da Seleção Brasileira nas Eliminatórias Sul-Americanas no formato atual, iniciado em 1996. Com 28 pontos em 18 jogos, o Brasil terminou com oito vitórias, quatro empates e seis derrotas, um aproveitamento de apenas 51,85%. Antes disso, a pior campanha havia sido em 2002, quando o Brasil somou 30 pontos. A Argentina liderou a classificação com 38 pontos, seguida por Equador (29 pontos), Colômbia e Uruguai (ambos com 28 pontos, mas à frente nos critérios de desempate).

A campanha foi marcada por instabilidade, com mudanças de técnicos – Fernando Diniz e Dorival Júnior antecederam Ancelotti – e dificuldades em jogos fora de casa. A derrota em El Alto foi a primeira de Ancelotti no comando da Seleção, que até então havia empatado com o Equador (0 a 0), vencido o Paraguai (1 a 0) e goleado o Chile (3 a 0).

Vaga boliviana na repescagem

A vitória sobre o Brasil garantiu à Bolívia a sétima colocação nas Eliminatórias, com 20 pontos, e uma vaga no Torneio Classificatório da FIFA, a repescagem para a Copa do Mundo de 2026. O resultado foi celebrado como histórico, já que a Bolívia não participa de um Mundial desde 1994. A equipe dependia de uma combinação de resultados, incluindo a derrota da Venezuela para a Colômbia (6 a 3), para alcançar a sétima posição.

A repescagem, marcada para março de 2026, reunirá seleções de diferentes confederações, com duas vagas em disputa. A Bolívia terá representantes da América do Norte, África, Ásia e Oceania como adversários. Dos 20 pontos conquistados nas Eliminatórias, 18 foram obtidos em jogos como mandante em El Alto, evidenciando a força da altitude como aliado estratégico.

  • Histórico raro: A Bolívia não disputa uma Copa do Mundo há 32 anos.
  • Força em casa: 90% dos pontos bolivianos vieram de jogos em El Alto.
  • Repescagem desafiadora: O torneio classificatório será disputado em março de 2026.

Reações e próximos passos

A derrota gerou críticas entre jogadores e torcedores. Raphinha, que entrou no segundo tempo, questionou a arbitragem e as condições de jogo na altitude, chamando a partida de “desfavorável” para equipes visitantes. A torcida boliviana, por outro lado, celebrou intensamente a vaga na repescagem, com o Estádio Municipal de El Alto lotado.

Para o Brasil, o foco agora se volta para os amistosos de outubro, contra Coreia do Sul (dia 10) e Japão (dia 14), na Ásia. Em novembro, a Seleção enfrentará duas equipes africanas, ainda não definidas. Esses jogos serão cruciais para Ancelotti ajustar a equipe antes da Copa do Mundo de 2026.

  • Críticas de Raphinha: O jogador destacou a dificuldade de atuar a 4.100 metros.
  • Amistosos à vista: O Brasil enfrentará Coreia do Sul e Japão em outubro.
  • Ajustes necessários: Ancelotti buscará soluções para jogos em condições adversas.

Arbitragem sob holofotes

A atuação do árbitro chileno Cristian Garay foi alvo de controvérsias. Além do pênalti marcado no primeiro tempo, que gerou reclamações de Ancelotti e sua comissão, houve queixas sobre a conduta dos gandulas, que atrasavam a reposição de bola, e a presença de bolas extras em campo, dificultando o ritmo brasileiro no segundo tempo. A arbitragem, apoiada pelo VAR, foi decisiva para o resultado, mas levantou debates sobre a imparcialidade em jogos de alta pressão.

A Bolívia, por sua vez, soube administrar o jogo, com destaque para Miguelito, que além do gol foi uma constante ameaça à defesa brasileira. Sua atuação apagou, momentaneamente, a polêmica recente envolvendo uma suspensão por injúria racial no Brasil, reforçando seu protagonismo na seleção boliviana.

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