Santos Futebol Clube mergulha em negociações cruciais para se converter em Sociedade Anônima do Futebol, seguindo o exemplo bem-sucedido aplicado por Ronaldo Fenômeno no Cruzeiro, em meio a uma crise financeira que ultrapassa R$ 500 milhões e ameaça o rebaixamento no Campeonato Brasileiro de 2025. A iniciativa, anunciada em 8 de setembro de 2025 na Vila Belmiro, em Santos, no litoral de São Paulo, envolve a contratação de Alexandre Cobra, ex-gestor financeiro da SAF cruzeirense, para coordenar as tratativas ao lado da XP Investimentos, que busca potenciais compradores. O clube, ocupando a penúltima posição na Série A com apenas 15 pontos em 23 rodadas, enfrenta dívidas trabalhistas, fiscais e com a CBF que paralisam contratações, enquanto o técnico Juan Pablo Vojvoda lida com um elenco limitado por atrasos salariais e lesões.
Essa transformação visa atrair capital externo para sanar obrigações imediatas, profissionalizar a administração e investir em reforços, replicando a recuperação do Cruzeiro, que saiu da Série B com injeções financeiras e renegociações de contratos. A medida surge como resposta urgente à instabilidade esportiva, com o time precisando de vitórias nos próximos jogos para se afastar da zona de descida, e reflete a pressão de uma torcida fiel de mais de 100 mil sócios que lota os estádios apesar dos tropeços recentes.
A diretoria santista, pressionada por resultados ruins como o empate por 1 a 1 contra o Palmeiras, vê na SAF a oportunidade de injetar recursos para equilibrar as contas e revitalizar o departamento de futebol. Celso Pires, presidente da Comissão do Estatuto, destaca a irreversibilidade do processo, iniciado com contrato assinado com a XP há duas semanas. O retorno de Neymar ao clube em 2025, após passagem pelo Al-Hilal, traz otimismo, embora o astro lide com lesões e evite gramados sintéticos para preservar a forma física. Essa estratégia não só alivia a folha salarial, atualmente inchada por pendências, mas também abre portas para vendas de ativos e naming rights da Vila Belmiro, com capacidade para 16 mil torcedores.
Enquanto isso, o elenco se prepara para confrontos decisivos, como o jogo contra o Bahia em 14 de setembro, onde uma vitória pode somar pontos cruciais. Vojvoda, contratado em junho para substituir Fábio Carille, implementa um esquema defensivo para compensar as limitações orçamentárias, mas cobra reforços pontuais que dependem da liberação de verbas via SAF.
Negociações avançam com expertise do Cruzeiro
Alexandre Cobra assume posição central nas discussões, trazendo experiência comprovada da gestão no Cruzeiro, onde ajudou a elevar receitas operacionais de R$ 146 milhões em 2022 para R$ 224 milhões em 2023 através de premiações e patrocínios. Formado em administração pela FGV, com passagens por Ambev e Três Corações, o executivo coordenou a quitação de dívidas FIFA e CNRD, totalizando R$ 25 milhões em pagamentos iniciais sob a liderança de Ronaldo. No Santos, sua função inicial abrange auditoria financeira e interface com a XP para identificar sócios, visando aportes de pelo menos R$ 200 milhões focados em salários e infraestrutura.
A parceria com a XP Investimentos replica o papel que a empresa desempenhou na prospecção para o Cruzeiro, que vendeu sua SAF por R$ 600 milhões em 2024. Diferente do modelo mineiro, que assumiu obrigações de R$ 1,3 bilhão, o Santos planeja um híbrido com 10% das ações retidas pela associação, preservando a governança democrática. Pires enfatiza a similaridade das crises: ambos os clubes lidavam com caos financeiro e risco de falência, mas o Cruzeiro emergiu estabilizado na elite após injeções de capital.
Essa abordagem permite renegociações com credores, incluindo a Receita Federal por débitos de R$ 200 milhões, e otimização de custos operacionais em até 30%, como ocorreu no Mineirão. Cobra, que deixou o Cruzeiro em janeiro de 2024 para atuar na Americanas antes de retornar ao futebol, integra lições de sustentabilidade para evitar colapsos recorrentes no Peixe.
- Auditoria de ativos como o CT Rei Pelé, avaliado em R$ 150 milhões, para atrair compradores confiáveis.
- Renegociação de contratos de TV, projetando aumento de 40% nas receitas anuais.
- Exploração de naming rights da Vila Belmiro, com potencial de R$ 40 milhões por ano.
- Promoção de 10 atletas da base para o profissional, reduzindo custos com contratações externas.
- Parcerias internacionais via XP para intercâmbios com clubes europeus.
Essas medidas posicionam o Santos para uma estabilização em até 12 meses, liberando recursos para o mercado de transferências.
Preparação tática sob pressão financeira
Juan Pablo Vojvoda gerencia um elenco com apenas três vitórias em 23 jogos, implementando um 4-3-3 ofensivo que sofre com lesões e defesa vulnerável, tendo sofrido 35 gols na competição. O argentino, com histórico no Fortaleza e Unión Española, prioriza rodízio para poupar veteranos como Luan Peres, enquanto Neymar, autor de 12 gols apesar de irregularidades, treina separadamente e deve estrear contra o Bahia. A relutância do craque em atuar em sintéticos, como no duelo contra o Fortaleza, complica escalações, mas sua presença eleva o moral em um momento crítico.
A avaliação para compra definitiva de Zé Ivaldo, zagueiro de 28 anos emprestado do Ceará, avança com 12 jogos e dois gols pelo Peixe, mas o valor de R$ 8 milhões depende de aval orçamentário da SAF. Sua versatilidade como volante agrada Vojvoda, que busca equilíbrio tático para jogos contra Bahia, Cuiabá e Vasco. Outras negociações, como o retorno de João Paulo do Bahia, pendem de liberações salariais, enquanto promessas como Guilherme, recuperado de lesão no tornozelo, e o meia Rollheiser, contratado por R$ 5 milhões, ganham espaço.
O técnico elogia a integração entre finanças e futebol, cobrando reforços acessíveis como o atacante argelino Billal Brahimi, de 22 anos e formado no Manchester City, avaliado em R$ 15 milhões. Essa sinergia pode ser decisiva nas rodadas finais, onde o Santos precisa de pelo menos nove pontos para se distanciar do Z-4.
A preparação inclui treinos intensos na Vila Belmiro, focando na defesa e mentalidade coletiva, com Vojvoda afirmando a necessidade de união para superar limitações. O elenco de 28 jogadores, incluindo jovens da base como Ângelo, reflete a cautela imposta pela crise, mas a possível injeção da SAF abre perspectivas para aquisições de laterais e meias ofensivos.
Reações da torcida e apoio misto
Torcedores santistas, organizados em grupos como a Torcida Jovem, demonstram apoio condicionado à transparência na transição para SAF, com manifestações na Baixada Santista em julho cobrando clareza para evitar perda de identidade clubística. Apesar dos resultados ruins, a média de 12 mil pagantes por jogo mantém o estádio lotado em clássicos, impulsionada pelo retorno de Neymar que, mesmo irregular, simboliza esperança de glórias passadas como os mundiais de 1962 e 2011.
A fidelidade de mais de 100 mil sócios em 2025 reflete a urgência reconhecida pela medida, embora protestos exijam preservação da essência democrática do clube. A diretoria aposta em investidores globais, semelhantes aos que bancaram o Cruzeiro, para revitalizar o elenco sem alienar a base de fãs. Essa dinâmica cria um ambiente de expectativa, com o apoio vital para a aprovação estatutária esperada até o fim do ano.
- Manifestações pedem auditoria independente para garantir equidade na prospecção de compradores.
- Ênfase em manter 10% das ações na associação, assegurando voz aos sócios.
- Otimismo com Neymar como atrativo para capital estrangeiro, elevando receitas de marketing.
- Pressão por reforços imediatos, como Zé Ivaldo, para melhorar desempenho em campo.
- Cobrança de redução de dívidas trabalhistas, afetando o dia a dia de jogadores e staff.
Esses pontos destacam o equilíbrio entre tradição e modernização, essencial para o engajamento contínuo da torcida.
Paralelos com a recuperação mineira
O blueprint cruzeirense inspira o Santos em detalhes operacionais, onde Ronaldo adquiriu 90% da SAF em dezembro de 2021 por R$ 400 milhões, injetando R$ 50 milhões iniciais e assumindo dívidas de R$ 1 bilhão. O time subiu da Série B em 2022 com recorde de pontos, contratando nomes como Rafael Cabral e Lucas Romero por valores acessíveis, e viu receitas crescerem 53% em 2023 via direitos de TV e vendas de atletas, como Vitor Roque por R$ 24 milhões ao Athletico-PR.
No Santos, a XP busca fundos estrangeiros ou empresários locais, replicando a prospecção que levou à venda da SAF cruzeirense por R$ 600 milhões em 2024, posicionando o clube na 14ª colocação da Série A com vaga na Sul-Americana. Cobra aplica lições de renegociação de contratos, reduzindo custos em 30% no Cruzeiro, agora adaptadas para otimizar a Vila Belmiro e explorar patrocínios estimados em R$ 100 milhões anuais.
Essa replicação inclui foco em receitas incrementais, como bilheteria e vendas de jovens da base, similar ao sucesso mineiro que evitou falência e promoveu profissionalização. O Santos planeja quitações iniciais de dívidas urgentes, espelhando os R$ 50 milhões aplicados no Cruzeiro para estabilizar operações.
A estratégia híbrida do Peixe, retendo 10% das ações, difere ligeiramente do modelo total do Cruzeiro, mas visa o mesmo objetivo: sustentabilidade financeira para competições de elite. Investidores como a Exa Capital, assessora em reestruturações, circulam nos bastidores, prometendo aportes para folha salarial e CT.
Reforços pendentes e elenco em transição
O departamento de futebol avalia opções como a compra de Zé Ivaldo por R$ 10 milhões, com o zagueiro participando de coletivos e impressionando pela versatilidade. Vojvoda prefere perfis adaptáveis ao esquema tático, enquanto negociações para Billal Brahimi avançam, fortalecendo o ataque com o argelino de R$ 12 milhões. O meia Ângelo, da base, pode estrear contra o Bahia, integrando jovens para reduzir custos em 20%.
Neymar, em 80% da forma física segundo relatos internos, prioriza o clube em dérbis como o de outubro contra o Corinthians, apesar de preocupações com sintéticos. O elenco treina com foco em coesão, visando jogos decisivos em setembro contra Vasco e Grêmio, onde pontos extras podem alterar a tabela.
- Possível aquisição de laterais para reforçar defesa, com valores até R$ 8 milhões via SAF.
- Promoção de Guilherme e Rollheiser como titulares, otimizando o grupo de 28 jogadores.
- Treinos específicos para Neymar evitar lesões, garantindo 12 gols mantidos na temporada.
- Negociações com João Lucas do Bahia, dependentes de liberação salarial.
- Ênfase em mentalidade coletiva para vitórias fora, como contra o Bahia em 14 de setembro.
Essas movimentações sinalizam uma transição gradual, alinhada à profissionalização financeira.
Bastidores da prospecção de investidores
Celso Pires expôs em reunião de 5 de setembro com conselheiros o contrato com a XP, destacando Cobra como elo perfeito pela experiência no Cruzeiro. O processo inclui due diligence de ativos, auditando pendências com a CBF por transfer bans e débitos fiscais. Potenciais compradores como Marcelo Teixeira, ex-presidente santista, ou fundos como Exa Capital, já assessoram reestruturações semelhantes.
A XP identifica empresários locais e internacionais, replicando o sucesso na venda cruzeirense. Pires afirma o caminho sem volta, com aprovações estatutárias pendentes, mas negociações com credores avançando via recuperação judicial, similar aos R$ 20 milhões quitados no Cruzeiro por punições FIFA.
Vojvoda sugere contratações acessíveis, elogiando a união diretoria-técnica. O próximo teste ocorre em 14 de setembro contra o Bahia, com possível estreia de reforços da base. Essa coordenação entre áreas visa uma recuperação sustentável, explorando o apelo de ídolos como Neymar para atrair capital.

