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Rodrigo Faro deixa emissora e Record opta por cancelar Canta Comigo após seis edições marcantes

Rodrigo Faro
Rodrigo Faro - Foto: Instagram

A Record toma uma decisão estratégica ao interromper a produção do reality musical Canta Comigo, que cativou o público brasileiro por seis temporadas desde sua estreia em 2018. A emissora, controlada por Edir Macedo, havia esboçado planos para uma edição exclusiva com jovens artistas no final de 2025, mas optou por arquivar o projeto definitivamente. Essa escolha reflete ajustes na programação, priorizando transmissões esportivas e novos conteúdos que ocupam o horário nobre.

O formato, adaptado do britânico All Together Now, destacou-se pelo painel inovador de 100 jurados compostos por profissionais da música, como cantores, produtores e DJs, que se levantavam para cantar junto aos participantes impressionados. Ao longo dos anos, o programa revelou talentos anônimos de diversas regiões do país, com performances que misturavam emoção e técnica vocal. A última temporada regular, exibida até junho de 2024, consolidou o sucesso com picos de audiência que alcançaram 8 pontos no Ibope na Grande São Paulo, superando concorrentes em horários semelhantes.

  • A estreia ocorreu em julho de 2018, com Gugu Liberato no comando, marcando o início de uma era de realities musicais na emissora.
  • Em 2019, a segunda temporada manteve o formato noturno aos domingos, atraindo famílias com histórias de superação.
  • A partir de 2020, migração para as tardes ampliou o alcance, integrando o programa ao público mais amplo.
  • Versões teen, a partir de 2021, focaram em crianças e adolescentes, injetando frescor ao conceito original.

Essa interrupção chega após a saída de Rodrigo Faro, que deixou a Record no fim de 2024 após 16 anos de casa, e Ticiane Pinheiro, que atuava como repórter de bastidores na última edição. A emissora avaliou opções para um novo condutor, mas concluiu que o investimento não se justificava no momento atual da grade.

Evolução do formato desde a estreia

O Canta Comigo surgiu como uma aposta ousada da Record para competir no segmento de talent shows musicais, dominado por produções da Globo. Lançado em 18 de julho de 2018, o programa rapidamente se destacou pela mecânica única: candidatos subiam ao palco com canções variadas, do sertanejo ao pop internacional, e precisavam conquistar o máximo de jurados para avançar. Cada voto se materializava em uma reação coletiva, com o painel inteiro entoando o refrão da música escolhida, criando momentos virais que ecoaram nas redes sociais.

Nas primeiras edições, dirigidas por Marcelo Amiky e Rodrigo Carelli, o foco recaiu em adultos anônimos, muitos deles com trajetórias profissionais distantes da música, como professores e operários que sonhavam com o estrelato. A produção pela Endemol Shine Brasil garantiu um palco imponente, com iluminação dinâmica e cenografia que simulava um show de grande porte. Audiências iniciais giraram em torno de 6 a 7 pontos, um desempenho sólido para um estreante em um horário competitivo aos domingos à noite.

A transição para Rodrigo Faro em 2020 trouxe uma dinâmica mais intimista, com o apresentador explorando as histórias pessoais dos competidores durante as entrevistas. Essa abordagem humanizou o formato, elevando a empatia do público e impulsionando episódios com relatos de superação, como o de um participante que superou uma perda familiar para dedicar-se à carreira artística. A emissora registrou um crescimento de 20% na retenção de telespectadores nessa fase, segundo dados internos de medição.

Em paralelo, a versão teen emergiu em 2021 como uma extensão natural, adaptando o conceito para idades entre 9 e 16 anos. Essa variante, exibida inicialmente como quadro no Hora do Faro, evoluiu para edições independentes, com prêmios de R$ 200 mil que motivavam inscrições recordes – mais de 10 mil por temporada. A inclusão de elementos lúdicos, como desafios em grupo e interações com jurados mirins, diferenciou o programa de concorrentes mais rígidos.

rodrigo faro record
Foto: Divulgação

Mudanças na programação influenciam o cancelamento

Transmissões de futebol nacional ocuparam progressivamente os domingos à noite na Record a partir de 2025, forçando realocações na grade. Em abril daquele ano, a emissora anunciou que o Canta Comigo Teen não retornaria ao horário tradicional, optando por um dia alternativo ainda indefinido. Essa mudança coincidiu com negociações internas para reformular o reality, incluindo buscas por um apresentador substituto após a saída de Faro.

A Record considerou nomes como Márcio Garcia, mas as conversas não avançaram, com o profissional optando por projetos autorais. Ticiane Pinheiro, que dividiu o palco com Faro em edições recentes, permaneceu como opção para reportagens, mas a ausência de um rosto principal acelerou a decisão de pausar o formato. Executivos da emissora priorizaram investimentos em realities consolidados, como A Fazenda, que mantém liderança em audiência no último trimestre.

O impacto das transmissões esportivas se estendeu além do horário: jogos da Série A e competições continentais demandaram recursos de produção, reduzindo o orçamento para musicais. Em 2025, o futebol representou 30% da programação dominical, um aumento de 15% em relação a 2024, conforme relatórios da Kantar Ibope. Essa priorização reflete uma estratégia de curto prazo para capturar o público masculino jovem, segmentação que o Canta Comigo atendia parcialmente, mas com apelo mais familiar.

Destaques das temporadas que marcaram o público

Seis edições do Canta Comigo entregaram performances inesquecíveis, com vencedores que lançaram carreiras profissionais após o programa. A primeira temporada coroou um cantor de São Paulo com R$ 300 mil, que investiu no lançamento de um EP independente, alcançando paradas regionais. Em 2019, uma dupla sertaneja de Minas Gerais conquistou 100 jurados em uma interpretação de clássico de Zezé di Camargo e Luciano, gerando um dos momentos mais compartilhados nas plataformas digitais.

A era Faro trouxe inovações, como edições especiais com funcionários da emissora em 2018, onde estagiários e jornalistas se apresentaram em um clima leve. A versão teen, por sua vez, revelou nomes como Felipe Sonnesso, vencedor da quinta edição em setembro de 2024, que aos 12 anos impressionou com uma versão de hit pop e hoje acumula contratos com gravadoras. Tânia Mayra, campeã da sexta temporada regular, destacou-se por uma performance emocional que rendeu lágrimas aos jurados, consolidando o programa como celeiro de talentos.

  • Felipe Sonnesso, 12 anos, venceu o Teen 5 com 100 pontos em final acirrada contra Bia Negreiros e Larissa Faria.
  • Tânia Mayra levou o prêmio principal da sexta edição, dedicando a vitória a familiares em entrevista pós-show.
  • Dupla mineira de 2019 lançou single que entrou no Top 50 do Spotify Brasil após o programa.
  • Edição especial de fim de ano em 2018 reuniu 50 funcionários, com jurados formados por artistas da casa.
  • Jurados fixos, como Robson Moura, elogiaram a autenticidade de mais de 200 participantes ao longo das temporadas.

Esses momentos não só impulsionaram a audiência média de 7 pontos, mas também geraram conteúdo para o PlayPlus, com reprises que acumularam milhões de visualizações. O programa incentivou inscrições anuais crescentes, de 5 mil em 2018 para 15 mil em 2024, demonstrando vitalidade até o fim.

Jurados e bastidores revelam o encanto do palco

O painel de 100 jurados representou o coração pulsante do Canta Comigo, com profissionais renomados trazendo diversidade de estilos. Cantores como Luísa Sonza e produtores como Rick Bonadio alternavam opiniões afiadas com elogios efusivos, criando debates que enriqueciam as transmissões. Essa composição garantiu imparcialidade, com votos baseados em técnica vocal, carisma e inovação nas escolhas musicais.

Nos bastidores, a produção enfrentou desafios logísticos, como montar o painel semanal com convidados de todo o país, mas isso fomentou interações espontâneas. Ticiane Pinheiro, em suas reportagens, capturava nervosismo pré-palco e celebrações pós-apresentação, adicionando camadas emocionais. Faro, por sua vez, moderava com humor, aliviando tensões em eliminações apertadas.

Uma curiosidade reside nas audições iniciais: mais de 80% dos selecionados vinham de cidades menores, refletindo o alcance nacional do casting. A Endemol Shine adaptou o formato para o público brasileiro, incorporando gêneros locais como forró e samba, que representaram 40% das performances nas últimas temporadas.

Vencedores que transformaram sonhos em realidade

Os campeões do Canta Comigo não pararam nas vitórias: muitos assinaram com agências e realizaram turnês. O ganhador da terceira temporada, em 2021, lançou um álbum que vendeu 50 mil cópias físicas, um feito raro no streaming atual. Na versão teen, vencedores como o de 2022 participaram de festivais juvenis, ampliando visibilidade.

A premiação de R$ 300 mil para adultos e R$ 200 mil para jovens serviu como alavanca, com relatos de investimentos em estúdios caseiros e cursos de produção. Uma finalista da quarta edição, apesar de não vencer, ganhou contrato para backing vocals em shows de artistas pop, ilustrando o efeito multiplicador do programa.

Essas trajetórias reforçaram o valor do formato, que priorizava não só o talento, mas a narrativa pessoal. Participantes contavam histórias de imigração, deficiências superadas e dedicação familiar, elementos que ressoavam com o público médio de 2 milhões por episódio.

Legado musical e ajustes na emissora

O Canta Comigo influenciou a programação da Record ao pavimentar o caminho para realities híbridos, misturando música e drama pessoal. Sua ausência abre espaço para experimentos, como especiais temáticos ou integrações com A Fazenda, onde ex-participantes poderiam retornar como jurados convidados.

A decisão de cancelamento alinha-se a uma grade mais enxuta, com foco em conteúdos de alto retorno imediato. Ainda assim, reprises no PlayPlus mantêm o acervo vivo, com episódios clássicos acessados por 500 mil usuários mensais. A emissora planeja anúncios de novos musicais para 2026, possivelmente com formatos importados semelhantes.

  • Reprises no streaming acumulam 1 milhão de horas assistidas desde 2024.
  • Ex-vencedores participaram de 20 eventos ao vivo promovidos pela Record pós-programa.
  • Jurados recorrentes, como 15 fixos, migraram para outros realities musicais da casa.
  • Inscrições totais superaram 50 mil ao longo das seis temporadas.
  • Audiência cumulativa estimada em 150 milhões de espectadores únicos.
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