Saúde

Alzheimer: conheça as quatro fases da doença e como famílias podem se preparar

Idosos vendo albúm de fotografias, Alzheimer
Idosos vendo albúm de fotografias, Alzheimer - Foto: FG Trade Latin/ Istockphoto.com Idosos vendo albúm de fotografias, Alzheimer - Foto: FG Trade Latin/ Istockphoto.com

No Brasil, cerca de 1,8 milhão de pessoas vivem com algum tipo de demência, e o Alzheimer é a forma mais comum, representando mais da metade desses casos. A doença, que não tem cura, avança lentamente, comprometendo memória, linguagem e raciocínio, até roubar a autonomia do paciente. Neste domingo, 21 de setembro de 2025, o Dia Mundial de Conscientização sobre o Alzheimer reforça a importância de reduzir estigmas e ampliar o acesso a informações sobre diagnóstico, tratamento e cuidados. A data serve como um chamado para que famílias, profissionais de saúde e a sociedade estejam mais preparados para enfrentar os desafios dessa condição neurodegenerativa.

A doença de Alzheimer é um dos maiores desafios de saúde pública do século, especialmente em um país com população envelhecendo rapidamente, como o Brasil. O diagnóstico precoce é essencial para retardar a progressão dos sintomas e preservar a qualidade de vida. Especialistas destacam que, embora o Alzheimer não faça parte do envelhecimento normal, ele pode ser confundido com esquecimentos comuns da idade, o que reforça a necessidade de atenção aos sinais iniciais.

  • Sinais de alerta: dificuldade para gerenciar tarefas diárias, como administrar contas ou usar o celular.
  • Importância do diagnóstico: identificar a doença cedo permite intervenções que prolongam a independência.
  • Apoio familiar: o cuidado com o paciente exige planejamento e adaptação da rotina familiar.
  • Novas terapias: medicamentos como o Kisunla, recém-aprovado, oferecem esperança, mas com custos elevados.

O Alzheimer exige um esforço coletivo para garantir dignidade aos pacientes e apoio aos cuidadores, que enfrentam sobrecarga emocional e financeira.

Primeiros sinais e diagnóstico precoce

Identificar o Alzheimer em sua fase inicial é um desafio, mas crucial. Esquecimentos ocasionais, como não lembrar onde estacionou o carro, são normais com o envelhecimento. No entanto, quando esses episódios se tornam frequentes e interferem na rotina, é hora de buscar ajuda médica. O diagnóstico é baseado em consultas clínicas, histórico familiar e testes neuropsicológicos, complementados por exames como punção lombar e PET Scan, que detectam alterações no cérebro.

No Brasil, avanços em biomarcadores estão revolucionando o diagnóstico. Exames de sangue, ainda em validação, prometem ser mais acessíveis e podem, no futuro, integrar o Sistema Único de Saúde (SUS). Esses testes identificam proteínas como beta-amiloide e tau, que se acumulam no cérebro e causam a degeneração neuronal.

  • Punção lombar: analisa o líquido cérebro-espinhal para detectar proteínas associadas ao Alzheimer.
  • PET Scan: mostra áreas cerebrais afetadas, com alta precisão.
  • Exames de sangue: podem se tornar uma ferramenta de rastreamento em massa.
  • Diagnóstico diferencial: descarta outras causas, como depressão ou deficiência de vitamina B12.

A detecção precoce permite intervenções que retardam a progressão e ajudam a planejar o futuro do paciente e da família.

As quatro fases do Alzheimer

O Alzheimer evolui em quatro estágios, cada um com desafios específicos que exigem adaptações no cuidado. Compreender essas fases ajuda famílias a se prepararem e a garantirem a melhor qualidade de vida possível para o paciente.

No estágio inicial, os sintomas são sutis, como pequenos esquecimentos e dificuldade para encontrar palavras. A pessoa ainda mantém autonomia, mas pode precisar de supervisão em tarefas complexas. Estimular o cérebro com leitura, jogos e atividades sociais é fundamental nessa fase. No estágio moderado, as dificuldades aumentam, impactando tarefas simples, como cozinhar ou usar o telefone. A família precisa criar rotinas fixas e ambientes seguros para evitar acidentes.

O estágio grave marca a perda de autonomia, com problemas como incontinência e dificuldade de locomoção. O apoio profissional se torna essencial, assim como o cuidado com a saúde emocional dos familiares. No estágio terminal, o paciente fica restrito ao leito, com perda da fala e maior risco de infecções. Nesse momento, os cuidados paliativos priorizam o conforto e a dignidade.

  • Estágio inicial: supervisão leve e estímulo cognitivo são cruciais.
  • Estágio moderado: rotinas fixas e ambientes seguros reduzem riscos.
  • Estágio grave: apoio profissional alivia a sobrecarga familiar.
  • Estágio terminal: foco em cuidados paliativos para conforto e dignidade.
Alzheimer
Alzheimer – PeopleImages/Shutterstock.com

Tratamentos disponíveis e novas terapias

Embora o Alzheimer não tenha cura, tratamentos disponíveis ajudam a retardar a progressão e aliviar sintomas. O SUS oferece medicamentos como Donepezila, Rivastigmina, Galantamina e Memantina, que preservam a cognição por mais tempo e reduzem comportamentos como agitação. Uma versão adesiva da Rivastigmina minimiza efeitos colaterais, como problemas gastrointestinais.

Recentemente, o Brasil aprovou o Kisunla, um medicamento da Eli Lilly que remove placas de beta-amiloide do cérebro. Indicado para estágios iniciais, o tratamento é caro — nos Estados Unidos, custa cerca de R$ 170 mil por ano — e ainda não tem preço definido no Brasil. Apesar de promissor, o acesso é limitado ao setor privado, o que levanta debates sobre equidade no cuidado.

Além dos fármacos, tratamentos não medicamentosos são igualmente importantes. Atividades como leitura, jogos e música estimulam o cérebro, enquanto exercícios físicos regulares melhoram a circulação sanguínea. Uma vida social ativa e uma alimentação equilibrada também ajudam a retardar o declínio cognitivo.

  • Medicamentos do SUS: gratuitos e acessíveis, ajudam a manter a cognição.
  • Kisunla: nova terapia biológica, mas com alto custo.
  • Atividade física: melhora a saúde cerebral e reduz riscos.
  • Estímulo social: combate o isolamento, um fator de risco para demência.

O papel da família e dos cuidadores

O impacto do Alzheimer vai além do paciente, transformando a dinâmica familiar. À medida que a doença avança, os familiares assumem responsabilidades médicas, financeiras e emocionais. No Brasil, muitas vezes, um familiar próximo deixa de trabalhar para cuidar do paciente, enfrentando dificuldades econômicas.

Para evitar sobrecarga, especialistas recomendam decisões compartilhadas entre familiares e, quando necessário, a busca por apoio profissional. Grupos de apoio e serviços de cuidadores podem aliviar o peso emocional, enquanto a institucionalização, em locais com boas práticas, é uma opção válida para garantir a segurança do paciente.

A saúde mental dos cuidadores também exige atenção. A chamada “síndrome do cuidador” é comum, marcada por exaustão e estresse. Dividir responsabilidades e buscar ajuda são medidas essenciais para preservar o bem-estar de todos.

  • Decisões compartilhadas: evitam sobrecarga em um único familiar.
  • Apoio profissional: cuidadores capacitados garantem segurança e conforto.
  • Grupos de apoio: ajudam a lidar com o impacto emocional.
  • Saúde do cuidador: essencial para manter a qualidade do cuidado.

Prevenção e fatores de risco

Embora a causa exata do Alzheimer permaneça desconhecida, a ciência identificou fatores de risco modificáveis que podem reduzir até 55% dos casos de demência. No Brasil, a baixa escolaridade é o principal fator, aumentando o risco em cerca de 5%. Educação formal, leitura e aprendizado contínuo fortalecem as conexões cerebrais, criando uma “reserva cognitiva” que protege contra a doença.

Outros fatores de risco incluem sedentarismo, tabagismo, hipertensão, diabetes, obesidade, perda auditiva não tratada, depressão e isolamento social. Medidas preventivas, como atividade física regular, tratamento de doenças crônicas e uma vida social ativa, são eficazes para reduzir riscos.

  • Educação: principal fator de proteção no Brasil.
  • Atividade física: melhora a circulação e a saúde cerebral.
  • Vida social: combate o isolamento e a depressão.
  • Controle de doenças: tratar hipertensão e diabetes reduz riscos.

Avanços na pesquisa brasileira

O Brasil está na vanguarda de pesquisas sobre Alzheimer, com destaque para a Iniciativa Brasileira de Biomarcadores para Doenças Neurodegenerativas. Coordenado pela UFRGS, o projeto coleta amostras de sangue de 3 mil voluntários em 10 cidades do Rio Grande do Sul para validar exames que detectam a doença antes dos sintomas.

Se bem-sucedido, o exame de sangue poderá ser incorporado ao SUS, oferecendo um método acessível e de baixo custo para diagnóstico precoce. Essa iniciativa reforça o papel do Brasil como polo de inovação em neurociência e pode mudar o cenário do cuidado com o Alzheimer no país.

  • Exame de sangue: promete revolucionar o diagnóstico precoce.
  • Escala nacional: pode ser incorporado ao SUS no futuro.
  • Impacto global: estudo brasileiro com relevância internacional.
  • Prevenção ampliada: diagnóstico precoce facilita intervenções.

O Dia Mundial de Conscientização sobre o Alzheimer reforça a necessidade de informação e preparo. Com diagnóstico precoce, tratamentos adequados e apoio familiar, é possível oferecer dignidade e qualidade de vida aos pacientes, além de aliviar o impacto nas famílias e na sociedade.

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