O governo de São Paulo interditou quatro bares e duas distribuidoras nesta semana por suspeita de venda de bebidas alcoólicas contaminadas com metanol. A ação ocorreu na capital e na Grande São Paulo, após o registro de 37 casos de intoxicação desde setembro. Seis mortes foram notificadas, com uma confirmada pela substância tóxica. As medidas visam conter a disseminação de produtos adulterados na cadeia de suprimentos.
As fiscalizações envolveram Vigilância Sanitária estadual e municipal, Procon e Polícia Civil. Estabelecimentos nos bairros Bela Vista, Itaim Bibi, Jardins e Mooca foram alvos, além de pontos em São Bernardo do Campo e Barueri. Autoridades apreenderam 178 mil garrafas de bebidas. Dois suspeitos foram presos em 30 de setembro.
- Principais locais afetados incluem o bar Ministrão, nos Jardins, e o Torres Bar, na Mooca.
- Distribuidoras como GRF, em Barueri, e BB Belbilar Bebidas, na Bela Vista, tiveram atividades suspensas.
- Uma distribuidora adicional enfrenta suspensão de inscrição estadual.
Estabelecimentos sob investigação
A interdição do bar Ministrão ocorreu após uma cliente relatar cegueira temporária após consumir vodca no local. A defesa do estabelecimento apresentou notas fiscais e negou irregularidades nos produtos adquiridos. Fiscalizações confirmaram indícios de contaminação, levando à suspensão imediata da inscrição estadual.
O Beco do Espeto, no Itaim Bibi, contestou a medida em nota oficial, alegando ausência de irregularidades detectadas. O local forneceu documentação de compras e atribuiu o fechamento a informações equivocadas. Autoridades mantiveram a cautelar para análise complementar.
Apreensões e prisões registradas
As operações resultaram na apreensão de 128 mil garrafas de vodca em Barueri, aguardando verificação de origem. Outras 802 unidades foram recolhidas em ações recentes, com 660 em distribuidoras e 142 em bares da capital.
Duas prisões ocorreram em 30 de setembro, por suspeita de falsificação de bebidas. Cinco inquéritos policiais tramitam na Polícia Civil. As investigações focam em elos da cadeia de distribuição, sem indícios de envolvimento de facções organizadas.
Investigadores rastreiam fluxos de pagamento e fornecedores para identificar pontos de adulteração.
Casos confirmados e em análise
A Secretaria de Saúde registrou 10 casos confirmados de intoxicação por metanol, com laudos positivos no sangue das vítimas. Outros 27 seguem em investigação, concentrados na capital e região metropolitana.
Vítimas incluem homens de 38 a 58 anos, com óbitos em hospitais privados e públicos. Um caso envolveu perda de visão permanente após consumo de whisky em festa.
Sintomas iniciais como náusea e tontura evoluem para convulsões e coma em horas.
A maioria dos atendimentos ocorreu em unidades de urgência, com notificação obrigatória ao Centro de Vigilância.
Efeitos da substância no organismo
O metanol, usado industrialmente, gera toxinas como formaldeído ao ser metabolizado. Exposição causa danos ao fígado, cérebro e nervo óptico, levando a cegueira ou falência de órgãos. Doses acima de 30 mililitros podem ser letais em adultos.
Tratamento envolve etanol para bloquear a absorção e hemodiálise para remoção rápida. Profissionais de saúde receberam alerta para diagnóstico precoce em 30 de setembro.
Casos semelhantes ocorreram em outros países, como Turquia e Rússia, com centenas de internações anuais por adulteração. Em São Paulo, o volume de setembro supera a média histórica anual do Brasil.
Medidas preventivas adotadas
Clubes esportivos e eventos na capital suspenderam vendas de destilados por precaução. A Polícia Federal iniciou apuração federal sobre importação ilegal da substância.
- Verifique selos de procedência em garrafas lacradas.
- Evite compras em fontes não autorizadas, como feiras ou entregas sem nota fiscal.
- Procure atendimento imediato ao suspeitar de contaminação, informando histórico de consumo.
O Ministério da Saúde criou sala de situação nacional para monitorar notificações em todo o país. Pernambuco investiga quatro casos isolados.
Autoridades recomendam que estabelecimentos revisem estoques e fornecedores. Ações continuam com foco em rastreamento de lotes contaminados.

