Estabelecimentos de São Paulo relatam prejuízos com mais cerveja e menos drinques devido a metanol

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Bebida alcolica

Bebida alcolica - Foto: New Africa/ shutterstock

Suspensão de venda de destilados e mesas vazias marcam bares de São Paulo após casos de intoxicação por metanol. Estabelecimentos em regiões como Itaim Bibi, Pinheiros e Avenida Luiz Carlos Berrini registram queda no movimento desde o final de setembro de 2025. O Ministério da Saúde reportou 59 notificações nacionais até 2 de outubro, com 53 em São Paulo, incluindo 11 confirmações laboratoriais e cinco mortes associadas. A medida ocorre porque o metanol, substância industrial tóxica, foi detectado em bebidas como vodca, gin e uísque, causando danos ao fígado, cérebro e visão.

Alterações no cardápio de estabelecimentos

Proprietários de bares na capital paulista decidiram suspender a oferta de destilados para evitar riscos adicionais. Essa escolha reflete a preocupação com a procedência dos produtos, especialmente após fiscalizações que interditaram seis locais, incluindo o Ministrão nos Jardins e o Torres na Mooca.

A transição para cervejas e chopes aumentou em até 40% nos pedidos, segundo relatos de gerentes. Vinhos também ganharam espaço como alternativa segura entre os frequentadores regulares.

Relatos de gerentes na Berrini

O gerente do Tatu Bola, Willams Nascimento, confirmou o cancelamento de reservas desde o início da semana. O estabelecimento optou por operar apenas com cervejas, o que resultou em redução no faturamento diário.

No Caires, vizinho na avenida, o responsável observou preferência por bebidas geladas em detrimento das quentes. A medida cautelar visa manter a operação sem interrupções totais.

Funcionários destacam que clientes agora solicitam comprovantes de nota fiscal antes de pedidos. Essa prática surgiu após notícias de apreensões de 942 garrafas falsificadas em operações integradas.

Queda no movimento no Itaim Bibi

Garçom com dez anos de experiência no Amarelinho das Batidas notou o movimento pela metade do habitual. Eventos agendados foram cancelados, e drinques representam menos de 20% das vendas atuais.

No Carambolas, o proprietário Fernando Souza Lemos guarda estoques com documentação extra. Clientes questionam origens, o que alonga o atendimento em horários de pico.

Metanol – Foto: EVANATTOZA/ Shutterstock.com

O Boteco São Bento registrou normalidade na quarta-feira, mas com queda nos destilados. Grupos de amigos optam por cerveja como opção coletiva, alterando o perfil de consumo noturno.

Um frequentador anônimo mencionou planejamento prévio para evitar riscos, priorizando marcas conhecidas.

Comportamento dos clientes em Pinheiros

  • Aumento de 30% em pedidos de chope no Baixo Bar, com mesas ocupadas por grupos menores.
  • Suspensão temporária de destilados no Piticos, limitando o menu a cervejas e vinhos importados.
  • Letícia, bancária local, trocou caipirinhas por cerveja após episódio em Barueri, citando receio com procedência.

Atendentes relatam que a mudança não afetou tanto o fluxo, mas alterou o ticket médio. A cautela se estende a adegas periféricas, como no Campo Limpo, onde vendas caíram similarmente.

Fiscalizações e números oficiais

Desde junho, São Paulo confirmou 10 casos laboratoriais de metanol em bebidas, com 29 em análise. O governo estadual intensificou ações, lacrando lotes e recomendando testes em laboratórios credenciados.

O Brasil registra normalmente 20 ocorrências anuais, mas o pico atual exige vigilância ampliada. Antídotos como etanol farmacêutico foram estocados em 4,3 mil ampolas nos hospitais.

A Anvisa busca fornecedores de fomepizol, medicamento específico ainda indisponível localmente.

Medidas preventivas adotadas

Bares implementam treinamentos internos para identificação de falsificações, como selos irregulares.

  • Verificação de rótulos e datas de validade em todas as entregas de distribuidoras.
  • Exposição de comunicados sobre bebidas seguras nas redes sociais e balcões.
  • Parcerias com fornecedores certificados para auditorias mensais de estoque.

Essas ações visam restaurar a confiança sem paralisar as operações diárias.

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