A vacina brasileira SpiN-TEC, desenvolvida pelo Centro de Tecnologia de Vacinas (CT-Vacinas) da UFMG, entrou na fase final de testes clínicos após resultados promissores de segurança. O imunizante, criado em parceria com a Funed, demonstrou ser seguro e com menos efeitos colaterais que a vacina da Pfizer em estudos iniciais. Financiada com R$ 140 milhões do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, a vacina pode estar disponível no SUS até 2027. A fase 3 envolverá 5,3 mil voluntários em todo o Brasil.
A SpiN-TEC utiliza uma abordagem inovadora de imunidade celular, que fortalece o sistema imunológico para combater células infectadas pelo vírus. Testes em animais e dados preliminares em humanos indicam eficácia contra variantes da covid-19. O estudo, publicado em artigo científico, marca um avanço na pesquisa nacional.
- Desenvolvimento liderado pela UFMG e Funed.
- Financiamento do MCTI via RedeVírus.
- Testes envolveram 36 voluntários na fase 1 e 320 na fase 2.
- Aprovação da Anvisa é aguardada para a fase 3.
Tecnologia inovadora
A SpiN-TEC se destaca por sua estratégia de imunidade celular, diferente de outras vacinas que focam na produção de anticorpos. Essa abordagem impede a infecção inicial ou destrói células infectadas, oferecendo proteção contra variantes.
Nos ensaios pré-clínicos, a vacina mostrou resultados robustos em animais. Dados preliminares em humanos reforçam sua capacidade de induzir resposta imune eficaz.

Segurança comprovada
O estudo de fase 1, com 36 voluntários, avaliou diferentes dosagens e confirmou a segurança do imunizante. Na fase 2, com 320 participantes, a SpiN-TEC apresentou menos efeitos adversos que a vacina da Pfizer, usada como referência.
Os resultados foram detalhados em artigo científico, o primeiro do Brasil sobre a segurança de uma vacina nacional contra covid. A ampliação dos testes reforça a confiança na continuidade do projeto.
A fase 3, aguardando liberação da Anvisa, será a mais ampla, com 5,3 mil voluntários. Os testes ocorrerão em todas as regiões do país para garantir dados representativos.
Autonomia nacional
O desenvolvimento da SpiN-TEC marca um avanço na soberania tecnológica do Brasil. Segundo Ricardo Gazzinelli, coordenador do CT-Vacinas, o país construiu um ecossistema robusto para pesquisa, produção e distribuição de vacinas via SUS.
A expertise adquirida no projeto pode impulsionar o desenvolvimento de outros imunizantes, como os voltados para malária, leishmaniose e monkeypox. A iniciativa fortalece a capacidade brasileira de conduzir ensaios clínicos, antes dominados por produtos estrangeiros.
Impacto para o SUS
Caso aprovada, a SpiN-TEC será distribuída gratuitamente pelo SUS, ampliando o acesso à vacinação contra a covid-19. A previsão é que o imunizante esteja disponível no início de 2027, após a conclusão dos testes.
Outros projetos do CT-Vacinas
O CT-Vacinas, criado em 2016, reúne 120 pesquisadores e trabalha em imunizantes para diversas doenças. Além da covid-19, o centro avança em vacinas contra malária, chagas e monkeypox, reforçando o papel do Brasil na inovação em saúde.
Financiamento e parcerias
O projeto recebeu R$ 140 milhões do MCTI, via FNDCT e Finep, cobrindo desde ensaios pré-clínicos até as fases clínicas. A parceria entre UFMG, Funed e Fiocruz-Minas foi essencial para o avanço do imunizante.