Agentes das forças de segurança do Rio de Janeiro realizaram uma grande operação nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte, nesta terça-feira (28). A ação visou cumprir 100 mandados de prisão contra membros do Comando Vermelho, facção que controla 26 comunidades na região. Pelo menos 2.500 policiais participaram, utilizando helicópteros, blindados e drones para superar barricadas e resistências armadas.
Dois policiais civis morreram em confrontos, enquanto outros sete agentes ficaram feridos. Entre os abatidos, 20 eram suspeitos de tráfico, incluindo indivíduos de outros estados como Bahia e Espírito Santo. A operação faz parte da iniciativa permanente Contenção, que busca frear a expansão territorial do grupo criminoso.
As equipes avançaram por becos e morros desde a madrugada, enfrentando mais de 200 disparos em um minuto, conforme registros de vídeo. Criminosos usaram veículos incendiados e entulhos para bloquear acessos, além de drones para lançar explosivos contra as forças policiais.
A mobilização incluiu promotores do Ministério Público e unidades especializadas, após um ano de investigações da Delegacia de Repressão a Entorpecentes.
Detalhes dos confrontos
Traficantes reagiram com intensos tiroteios logo após a entrada das equipes no Complexo da Penha. Policiais relataram colunas de fumaça de barricadas em chamas, que dificultaram o avanço inicial pelas ruas estreitas.
Blindados e veículos de demolição foram essenciais para remover obstáculos, permitindo o acesso a pontos de monitoramento do crime. Um grupo de suspeitos fugiu em formação organizada pela mata, similar a fugas registradas em operações passadas.
Presos e apreensões
Entre os detidos, destaca-se Thiago do Nascimento Mendes, conhecido como Belão do Quitungo, apontado como chefe local do Comando Vermelho. Nicolas Fernandes Soares, operador financeiro ligado a Edgar Alves de Andrade, o Doca, também foi capturado durante buscas em residências.
Agentes recolheram 31 fuzis, duas pistolas e nove motocicletas usadas em ações criminosas. Os itens foram encontrados em esconderijos e abandonados durante as fugas.
- Fuzis de calibre 5.56 mm, comuns em confrontos urbanos;
- Motocicletas modificadas para transporte rápido de drogas;
- Munições em grande quantidade, espalhadas por bocas de fumo.
O balanço parcial indica que 30 dos alvos eram de fora do estado, principalmente do Pará, reforçando a rede interestadual da facção.
Feridos civis
Três moradores não envolvidos foram atingidos por balas perdidas durante os tiroteios. Um homem em situação de rua sofreu ferimento nas costas e foi socorrido no Hospital Getúlio Vargas.
Uma mulher, que estava em uma academia próxima, recebeu atendimento e recebeu alta médica no mesmo dia. Outro homem, localizado em um ferro-velho, apresentou lesões leves e foi liberado após observação.
Ambulâncias do Grupamento de Salvamento e Resgate atuaram rapidamente nos locais, transportando vítimas para unidades de emergência na Zona Norte.
Serviços de saúde monitoraram a situação para evitar complicações adicionais.
Escala da operação
A ação mobilizou policiais civis de delegacias especializadas e militares do Comando de Operações Especiais. O Departamento de Combate à Lavagem de Dinheiro investigou fluxos financeiros da facção, identificando transações em comunidades vizinhas.
Helicópteros sobrevoaram a área para coordenar movimentos terrestres, enquanto drones mapearam rotas de fuga. O secretário de Segurança Pública, Victor Santos, destacou que a logística foi planejada pelo estado, sem apoio federal, cobrindo nove milhões de metros quadrados de território irregular.
Cerca de 280 mil residentes vivem nas comunidades afetadas, o que demandou planejamento para minimizar riscos a inocentes. A operação prossegue com buscas em endereços remanescentes.
Denúncias do Ministério Público
Promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado apresentaram denúncia contra 67 pessoas por associação ao tráfico. Três indivíduos também respondem por tortura, com base em evidências de execuções ordenadas por líderes.
O Complexo da Penha serve como base estratégica para escoamento de drogas, devido à proximidade com vias expressas. Líderes como Doca, Pedro Bala, Gadernal e Grandão emitiam ordens para comercialização e segurança armada.
Quinze gerentes cuidavam de contabilidade e abastecimento, enquanto outros atuavam como soldados em pontos de vigilância. A expansão visa comunidades na Zona Oeste, incluindo áreas disputadas com milícias.
Medidas de retaliação
Criminosos montaram bloqueios em vias como a Linha Amarela e a Grajaú-Jacarepaguá, usando carros roubados e entulhos. A Rua Dias da Cruz, no Méier, registrou interdições semelhantes no início da tarde.
Linhas de ônibus sofreram desvios em bairros como Olaria e Engenho da Rainha, afetando o tráfego na região metropolitana. O Rio Ônibus listou 12 rotas alteradas para priorizar a segurança de passageiros e motoristas.
- 312 (Olaria-Candelária);
- 313 (Penha-Praça Tiradentes);
- 621 (Penha-Saens Peña).
Essas ações visavam atrasar reforços policiais, mas foram desfeitas por equipes de engenharia de tráfego.
Interrupções em serviços
Escolas municipais e estaduais suspenderam aulas em 45 unidades nos complexos afetados. A Secretaria de Educação relatou fechamento de 28 colégios no Alemão e 17 na Penha, com monitoramento para retorno gradual.
Postos de saúde adiaram atendimentos em cinco unidades de atenção primária, avaliando reabertura após o pico de confrontos. Uma clínica da família manteve portas abertas, mas cancelou visitas domiciliares por risco de tiroteios.
O impacto se estendeu a bairros adjacentes, com relatos de atrasos em consultas eletivas. Autoridades coordenaram transporte alternativo para estudantes em áreas seguras.

