Governo propõe corte de 80% no custo da CNH ao eliminar obrigatoriedade de autoescola

Aula de direção, Auto escola

Aula de direção, Auto escola - Fábio Lemos/ Istockphoto.com

O Ministério dos Transportes anunciou nesta semana a proposta para acabar com a obrigatoriedade de frequentar autoescolas na obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A medida, defendida pelo ministro Renan Filho, visa reduzir o custo médio atual de R$ 3.200 em até 80%, facilitando o acesso para categorias A e B.

A iniciativa surge em Brasília, com foco em incluir motoristas informais, e mantém as provas teórica e prática como requisitos essenciais. O objetivo é desburocratizar o processo sem comprometer a segurança no trânsito.

Renan Filho destacou que as aulas em autoescolas representam 77% do valor total da habilitação.

  • Custo atual varia de R$ 3 mil a R$ 5 mil, dependendo do estado.
  • Proposta permite preparação autônoma ou com instrutor credenciado.
  • Mudança atende a 18 milhões de condutores sem CNH no país.

Flexibilização nas aulas teóricas e práticas

A proposta elimina a exigência de 45 horas de aulas teóricas presenciais, permitindo estudo independente ou digital. Candidatos poderão se preparar para a prova teórica por conta própria, com o governo aplicando o exame.

Instrutores autônomos, credenciados pelo Detran, entrarão como alternativa às autoescolas para as 20 horas mínimas de aulas práticas. Esses profissionais devem ter pelo menos 21 anos e dois anos de habilitação válida.

Renan Filho enfatizou que o modelo preserva a qualidade da formação.

Requisitos para instrutores autônomos

Profissionais interessados em atuar como instrutores precisam cumprir critérios específicos definidos pelo Detran. A credencialização ocorre via cursos digitais em plataformas governamentais.

  • Idade mínima de 21 anos.
  • Habilitação válida há pelo menos dois anos.
  • Aprovação em curso de formação continuada.
  • Registro ativo no conselho de trânsito estadual.

Essa estrutura garante fiscalização e padronização no processo. A medida responde a demandas por acessibilidade em regiões com poucas autoescolas.

O foco inicial limita-se às categorias A (motos) e B (carros leves). Expansão para outras categorias depende de avaliações futuras.

CNH – Foto: Governo de SP

Consulta pública e cronologia da proposta

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou o avanço da iniciativa em 1º de outubro de 2025. Na data seguinte, o Ministério dos Transportes lançou a consulta pública no portal Participa + Brasil, com duração de 30 dias.

A consulta, encerrada em 3 de novembro, coletou sugestões da sociedade civil e entidades do setor. O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) analisará os dados para editar a resolução.

A expectativa é que as novas regras entrem em vigor até o fim de 2025.

Renan Filho mencionou negociações com autoescolas para ajustar cargas horárias mínimas.

  • 1º out: Autorização presidencial.
  • 2 out: Início da consulta pública.
  • 3 nov: Encerramento das contribuições.
  • Dez 2025: Possível implementação.

Essa linha do tempo acelera a formalização de motoristas irregulares.

Dados sobre custos atuais da habilitação

O valor médio para obter a CNH chega a R$ 3.215 em todo o país, segundo a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran). Em estados como Tocantins, o curso de autoescola responde por 83% desse montante.

Fatores como taxas de exame e emissão elevam o preço em capitais. A proposta projeta queda para cerca de R$ 640, priorizando inclusão social.

Pesquisas indicam que 54% dos donos de motos carecem de habilitação. Mulheres e baixa renda enfrentam maiores barreiras econômicas.

Alternativas de preparação para provas

Candidatos optarão por formatos flexíveis, como aplicativos educativos para teoria. Aulas práticas com autônomos custarão menos que pacotes integrais de autoescolas.

O Detran supervisionará o registro de horas práticas via sistema eletrônico. Essa inovação moderniza o processo sem alterar exames finais.

Autoescolas poderão oferecer serviços opcionais, como simuladores avançados. A transição gradual evita impactos abruptos no setor.

Entidades envolvidas e fiscalização

O Contran coordena as mudanças, com participação de Detrans estaduais. Entidades como a Associação Nacional dos Detrans monitoram discussões para equilibrar acessibilidade e segurança.

Renan Filho afirmou que a medida promove justiça social ao reduzir barreiras. Fiscalização incluirá auditorias em credenciamentos de instrutores.

  • Contran: Edita resoluções nacionais.
  • Detrans: Credencia profissionais locais.
  • Senatran: Fornece dados estatísticos.

Essas instâncias asseguram conformidade com normas de trânsito.

Benefícios para motoristas informais

Cerca de 20 milhões de brasileiros dirigem sem CNH, expondo-se a multas e riscos. A redução de custos incentiva a regularização, especialmente em áreas rurais.

Dados da Senatran mostram que 18 milhões de condutores irregulares concentram-se em veículos leves. A proposta alinha o Brasil a modelos internacionais mais flexíveis.

Mulheres representam parcela significativa dos afetados pela barreira financeira.

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