Objeto interestelar 3I/ATLAS registra nova desaceleração e reacende debate sobre origem artificial

3I/ATLAS

3I/ATLAS - Olga Izvekova/ shutterstock.com

A NASA confirmou nesta semana a ocorrência de uma desaceleração adicional no cometa interestelar 3I/ATLAS, detectada no início de novembro de 2025. O objeto, descoberto em julho pelo telescópio ATLAS no Chile, exibiu aceleração não gravitacional incompatível com efeitos naturais conhecidos. Os dados do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) indicam que a variação de velocidade ocorreu a cerca de 203 milhões de quilômetros do Sol.

As medições revelam componentes transversais de até 60 km por dia, comportamento que foge dos padrões esperados para cometas em trajetória hiperbólica. Cientistas observam que a força atuante não segue a direção típica de desgaseificação ou pressão de radiação solar.

Cometa 3I ATLAS – Youtube/Nasa

Trajetória apresenta ajustes sucessivos

O 3I/ATLAS já havia chamado atenção ao emergir sem cauda visível após passagem próxima do Sol. Em outubro, o objeto atingiu o periélio a 29 milhões de quilômetros da estrela.

A nova desaceleração aconteceu dentro da órbita de Marte e durou vários dias. Telescópios terrestres e o Hubble registraram inversão parcial da cauda de CO2, fenômeno raro em corpos naturais.

Aceleração não gravitacional em detalhes

Os parâmetros orbitais mostram variação radial negativa persistente. A força observada mantém direção constante em relação ao Sol.

  • Intensidade superior ao esperado para vento solar
  • Ausência de jatos de gás visíveis em imagens de alta resolução
  • Periodicidade detectada na curva de luz sugere orientação controlada
  • Composição rica em CO2 e baixa presença de vapor d’água

Esses elementos diferenciam o 3I/ATLAS de objetos como ‘Oumuamua e Borisov.

Composição química reforça singularidade

Análises espectroscópicas indicam núcleo gelado formado em regiões extremamente frias da galáxia. A proporção CO2/H2O permanece anormalmente alta. O tamanho estimado varia entre 3,5 e 5,6 quilômetros segundo o Hubble.

A idade do material pode superar os 4,5 bilhões de anos do sistema solar. A trajetória passou próximo a Marte em 3 de outubro e aproxima-se agora de Vênus.

Observações mobilizam telescópios globais

Equipes do JPL mantêm monitoramento contínuo com redes de telescópios no Havaí e Chile. O Very Large Telescope (VLT) do ESO prepara novas sessões de observação para dezembro.

Modelos computacionais tentam reproduzir a desaceleração com mecanismos naturais. Até o momento nenhuma simulação explica totalmente os vetores registrados.

Hipóteses em análise pela comunidade científica

Parte dos pesquisadores considera possível a presença de estrutura artificial leve. Outros defendem explicações naturais ainda não identificadas.

A aceleração observada exigiria controle preciso de timing e direção. A distância do Sol no momento da manobra torna improvável efeito térmico convencional.

Os dados permanecem públicos no banco do Minor Planet Center. Novas medições devem esclarecer se o comportamento persiste durante a saída do sistema solar prevista para 2026.

Veja Também