O astrônomo Avi Loeb, da Universidade de Harvard, identificou comportamentos anômalos no cometa interestelar 3I/ATLAS entre 22 e 24 de novembro de 2025.
Imagens capturadas por telescópios amadores revelaram uma coma brilhante ao redor do núcleo, com cauda principal oposta ao Sol e anticauda direcionada para a direção solar.
Essa configuração, observada próximo ao periélio em 29 de outubro, sugere ejeções de material em volumes elevados.
Loeb calcula que a perda de massa total entre julho e novembro chegou a vários bilhões de toneladas, equivalente a cerca de 10% do mínimo estimado para o objeto.
Características visuais capturadas nas observações recentes
Fotografias de 22 de novembro, obtidas por astrofotógrafos como Mitsunori Tsumura, mostram o 3I/ATLAS com jatos colimados estendendo-se por até 1 milhão de quilômetros em direção ao Sol.
A anticauda, resultado da perspectiva orbital alinhada com o plano da eclíptica, exibe brilho e extensão superiores aos padrões de cometas solares.
Essas estruturas indicam uma taxa de sublimação de gelo que supera modelos convencionais para objetos interestelares.
Aceleração além da gravidade solar detectada
Medições astrométricas registraram aceleração radial de 1,1×10⁻⁶ unidades astronômicas por dia ao quadrado no 3I/ATLAS.
Esse valor, combinado com aceleração transversal de 3,7×10⁻⁷, aponta para impulsos causados por jatos de gás em quantidades incomuns.
Em cometas naturais, tais efeitos derivam de ejeções assimétricas, mas a magnitude observada demanda material ejetado em escalas elevadas.
Loeb observa que tecnologias avançadas poderiam gerar o mesmo efeito com perda de massa reduzida.
O brilho do objeto aumentou cinco vezes entre setembro e outubro, conforme dados de sondas como STEREO-A e SOHO.
Perda de massa desafia modelos cometários
A sublimação intensa próximo ao Sol provocou desgaseificação que removeu mais de 13% da massa original do 3I/ATLAS.
Cálculos baseados em imagens do Hubble de julho estimam o diâmetro em no máximo 5,6 quilômetros, insuficiente para justificar os 5 bilhões de toneladas mensais perdidos.
Para acomodar a perda inferida, a área superficial precisaria exceder 1.600 km², o que implicaria diâmetro de 23 quilômetros.
Essa discrepância sugere possível fragmentação ou fontes de ejeção não convencionais.
O objeto manteve integridade como corpo único em observações de 11 de novembro, sem evidências de quebra total.
Comparação com visitantes interestelares anteriores
O 1I/’Oumuamua, detectado em 2017, exibiu aceleração sem coma visível ou cauda.
Já o 2I/Borisov, de 2019, comportou-se como cometa típico, com ejeções de gases e poeira padrão.
Diferentemente, o 3I/ATLAS combina coma desenvolvida, anticauda forte e aceleração elevada, combinação inédita entre os três.
Sua órbita retrógrada, alinhada a menos de 5 graus com a eclíptica, tem probabilidade de 0,2%, elevando raridade para um em cem milhões.
Espectroscopia revela composição com 87% de CO2, 9% de CO e apenas 4% de água, contrastando com cometas do Sistema Solar.
Próximas observações e análises planejadas
Telescópios de grande porte, incluindo o James Webb, programam capturas em dezembro para maior resolução.
O 3I/ATLAS fará aproximação máxima à Terra em 19 de dezembro, a 270 milhões de quilômetros, ideal para medições precisas.
Em março de 2026, passará perto de Júpiter, no limite do raio de Hill, permitindo estudo de interações gravitacionais.
- Análise espectral da coma e caudas para composição química dos jatos.
- Monitoramento da trajetória para confirmar aceleração contínua.
- Comparação com dados de cometas solares para validar modelos.
- Avaliação de polarização anômala na pluma gasosa.
Essas etapas definirão se as anomalias derivam de processos naturais ou demandam revisões teóricas.

