A Mesa Diretora da Câmara dos Deputados formalizou a perda dos mandatos dos deputados Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ) em decisão enviada nesta quinta-feira, 18 de dezembro. A medida, conduzida pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), atende a orientações do Supremo Tribunal Federal e visa evitar novos embates institucionais, mantendo a ordem legislativa em vigor.
Os parlamentares em questão estavam afastados de suas funções legislativas há meses, gerando questionamentos sobre a regularidade de suas posições. A situação de Eduardo Bolsonaro foi marcada por um acúmulo de faltas, enquanto Alexandre Ramagem enfrentava uma condenação criminal.
Ambos os deputados não compareceram às sessões deliberativas da Casa, fato que impulsionou a atuação da Mesa Diretora. A decisão de declarar a perda dos mandatos foi tomada diretamente, sem a necessidade de votação em plenário, um procedimento previsto em casos específicos do regimento interno.

Tramitação da decisão na Câmara
A Mesa Diretora da Câmara avaliou os casos de forma minuciosa, porém conjunta, para otimizar o processo decisório. Esta abordagem visou garantir celeridade e conformidade com as normas regimentais vigentes.
Líderes partidários foram consultados previamente à formalização da decisão, buscando consenso e transparência. Tal procedimento está alinhado com precedentes recentes estabelecidos pelo Supremo Tribunal Federal em situações que demandam uma resposta institucional rápida e eficaz.
Motivações para a cassação dos mandatos
A cassação por faltas excessivas, como no caso de Eduardo Bolsonaro, é considerada uma ação quase automática dentro de certos limites estabelecidos pelo regimento interno da Câmara dos Deputados para o exercício de 2025. A legislação parlamentar exige a presença mínima dos representantes para a continuidade do mandato.
No que se refere a Alexandre Ramagem, a condenação criminal transitada em julgado por envolvimento em uma trama golpista reforça a incompatibilidade de sua situação com o exercício de um cargo público eletivo. A jurisprudência brasileira e as normas éticas do Parlamento são claras quanto à integridade esperada dos deputados.
A Mesa Diretora considerou que a permanência dos parlamentares em suas cadeiras, dadas as circunstâncias, comprometeria a imagem e a funcionalidade da instituição. A manutenção do decoro parlamentar e o respeito à Constituição Federal são pilares fundamentais que guiam tais decisões.
Situação dos deputados afastados
Eduardo Bolsonaro reside nos Estados Unidos desde o início do ano, onde tem se dedicado a atividades políticas externas. Suas ausências nas sessões deliberativas ultrapassaram o terço permitido pela Constituição Federal, configurando a base para a perda de seu mandato.
Alexandre Ramagem, por sua vez, mudou-se para o país norte-americano após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. A fuga para o exterior após uma condenação definitiva é um fator determinante para a cassação.
Apesar de suas ausências físicas em Brasília, os deputados mantinham seus gabinetes ativos, com equipes de assessores em funcionamento. No entanto, a ausência de presença em plenário e a impossibilidade de participação nas votações são cruciais para a validade do mandato.
As justificativas apresentadas pelos parlamentares para suas prolongadas ausências e o afastamento de suas funções não foram consideradas aceitáveis pela Mesa Diretora. A decisão sublinha a necessidade de cumprimento rigoroso das obrigações regimentais para todos os membros da Casa.
Consequências na bancada do PL
A cassação dos mandatos afeta diretamente a composição da bancada do Partido Liberal (PL) na Câmara dos Deputados. O partido perde duas cadeiras importantes no plenário, o que pode alterar o equilíbrio de forças e a capacidade de articulação em votações futuras.
Líderes do Partido Liberal manifestaram surpresa com a celeridade da decisão, embora o processo de análise já estivesse em curso há algum tempo. A Mesa Diretora priorizou o encerramento dos casos antes do recesso parlamentar, evitando adiamentos para o próximo ano legislativo.
A perda dessas representações exige que o PL ajuste suas estratégias e a distribuição de forças dentro da Casa. A saída de dois deputados com perfis específicos pode impactar a agenda legislativa e as pautas defendidas pela bancada.
Respeito às normas regimentais
Hugo Motta conduziu o processo com consultas a aliados e líderes de diversas legendas, garantindo um trâmite que buscou evitar confrontos diretos com o Supremo Tribunal Federal. A estratégia adotada pela Mesa Diretora foi influenciada por decisões anteriores sobre casos semelhantes, buscando uniformidade e segurança jurídica.
As regras de comparecimento obrigatório para o exercício do mandato, válidas em 2025, foram o principal pilar para a decisão. A Câmara dos Deputados reforça, com esta medida, a importância do cumprimento das obrigações parlamentares para a manutenção da representatividade.
A Mesa Diretora reuniu-se especificamente para deliberar sobre os dois processos simultaneamente, assegurando que todas as etapas regimentais fossem observadas. O envio da decisão marca o desfecho de pendências que se acumulavam no final do ano legislativo.
Os próximos passos legislativos
Os suplentes de Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem serão empossados em breve para ocupar as vagas deixadas pelos parlamentares cassados. A Câmara dos Deputados publicará o ato oficial nos próximos dias, formalizando a substituição.
Com a posse dos novos membros, os partidos terão que ajustar suas estratégias para o início da próxima sessão legislativa. A recomposição da bancada do PL será um ponto de atenção, com a chegada de novos representantes.
Este procedimento reforça a aplicação do regimento interno em situações de afastamento prolongado ou condenação criminal. A decisão serve como um precedente relevante para futuras situações semelhantes, reiterando a necessidade de deputados cumprirem a presença mínima e manterem a elegibilidade para a manutenção do mandato.