A Polícia Federal concluiu, em laudo divulgado nesta sexta-feira, 19 de dezembro de 2025, que o ex-presidente Jair Bolsonaro é portador de hérnia inguinal bilateral. O documento, elaborado por junta médica de três peritos do Instituto Nacional de Criminalística, recomenda reparo cirúrgico em caráter eletivo. Bolsonaro permanece detido na Superintendência da PF em Brasília, onde cumpre pena desde novembro.
Os peritos analisaram exames recentes, incluindo ultrassonografia realizada em 14 de dezembro, e exame físico. Eles confirmaram o diagnóstico de hérnia nos dois lados da região inguinal, agravado por crises recorrentes de soluços e tosse. Essas condições aumentam a pressão abdominal interna, contribuindo para o desconforto relatado pelo ex-presidente.
O quadro de saúde de Bolsonaro relaciona-se diretamente às sequelas da facada sofrida em 2018, durante a campanha eleitoral. Desde então, ele passou por múltiplas intervenções cirúrgicas abdominais, que enfraqueceram a parede muscular e facilitaram o surgimento de hérnias. O laudo destaca a evolução do problema, ausente em tomografia de agosto, mas detectada clinicamente em novembro e confirmada agora.
Evolução do diagnóstico médico
Exames iniciais, realizados em agosto de 2025, não identificaram alterações herniárias na parede abdominal. Relatórios subsequentes, de novembro e dezembro, indicaram progressão para hérnia unilateral e, posteriormente, bilateral. A ultrassonografia recente e o exame pericial consolidaram o quadro atual.
A junta médica enfatizou que o reparo cirúrgico deve ocorrer o mais breve possível. Embora classificado como eletivo, o procedimento visa prevenir complicações, como piora no sono e na alimentação do paciente. As crises de soluços, persistentes desde 2018, elevam o risco de encarceramento intestinal.
Detalhes do laudo pericial
O documento da PF descreve o desconforto inguinal relatado por Bolsonaro nas últimas semanas. Peritos signatários realizaram avaliação direta no complexo prisional, acompanhada por médico particular. Eles integraram dados de exames anteriores para formar opinião técnica imparcial.
- Hérnia inguinal bilateral confirmada por imagem e exame físico.
- Necessidade de herniorrafia para reforço da parede abdominal.
- Recomendação de intervenção hospitalar sob anestesia geral.
- Previsão de internação entre cinco e sete dias, conforme relatórios complementares.
A hérnia inguinal ocorre quando tecido abdominal protrui por ponto fraco na musculatura da virilha. Casos bilaterais demandam correção simétrica para evitar assimetrias e recidivas. O procedimento utiliza tela sintética para contenção permanente.
Contexto da prisão e saúde
Bolsonaro está preso desde 22 de novembro de 2025, em sala especial na Superintendência da PF em Brasília. A detenção decorre de condenação por tentativa de golpe de Estado, com pena de 27 anos e três meses em regime fechado. Pedidos anteriores da defesa por cirurgia foram analisados com base em exames desatualizados.
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou a perícia oficial após questionar laudos apresentados inicialmente. Ele autorizou ultrassom portátil dentro da unidade prisional para agilizar o processo. O laudo agora encaminhado ao Supremo subsidiará decisão sobre autorização do procedimento.
Procedimento recomendado e riscos
A herniorrafia inguinal bilateral é operação comum, realizada por via aberta ou laparoscópica. Ela corrige o defeito muscular e reduz risco de estrangulamento, complicação grave que compromete fluxo sanguíneo intestinal. Peritos destacam refratariedade a tratamentos conservadores no caso de Bolsonaro.
O aumento intermitente de pressão abdominal, provocado por soluços crônicos, acelera evolução do quadro. Sem intervenção, há potencial para agravamento de sintomas e necessidade de cirurgia emergencial. O reparo eletivo permite planejamento seguro em ambiente hospitalar adequado.
Exames que embasaram a conclusão
Peritos revisaram sequência de avaliações realizadas desde a detenção. Tomografia de agosto serviu como baseline negativo. Relatórios clínicos de novembro registraram início de sintomas. Ultrassom de dezembro e perícia de 17 confirmaram bilateralidade.
A junta médica concluiu unanimemente pela portadoria de hérnia inguinal bilateral. Eles recomendaram reparo cirúrgico para restaurar integridade abdominal. O documento reforça que o procedimento previne complicações associadas à pressão intra-abdominal elevada.
Implicações do diagnóstico atual
O laudo representa avaliação oficial independente, solicitada pelo STF para embasar decisões judiciais. Ele confirma alegações da defesa sobre piora progressiva do quadro de saúde. A cirurgia, embora eletiva, ganha prioridade devido a fatores de risco específicos do paciente.
Bolsonaro relatou desconforto persistente, impactando rotina diária na detenção. Peritos consideraram histórico de cirurgias prévias como fator predisponente. O diagnóstico atual difere de avaliações iniciais, refletindo evolução natural da condição pós-traumática.
Opções terapêuticas avaliadas
Tratamentos conservadores, como monitoramento e medicamentos, mostraram-se insuficientes. Crises de tosse e soluços mantêm ciclo de agravamento. A intervenção cirúrgica surge como única solução definitiva para o problema herniário.
- Reforço muscular com tela protética.
- Correção bilateral simultânea.
- Redução de risco de recidiva.
- Melhora na qualidade de vida pós-operatória.
Peritos enfatizaram caráter preventivo da recomendação. Eles alertaram para aceleração de complicações sem reparo oportuno.
O laudo da Polícia Federal traz clareza ao quadro médico de Jair Bolsonaro. Ele estabelece necessidade comprovada de cirurgia para hérnia inguinal bilateral, com base em exames atualizados e avaliação direta.

