Novos arquivos de Jeffrey Epstein sugerem tráfico sexual de vítimas para outros homens
A liberação de mais de três milhões de páginas de arquivos relacionados a Jeffrey Epstein, ocorrida recentemente nos Estados Unidos, traz alegações de que o financista fornecia jovens mulheres e meninas a outros homens influentes em troca de favores ou poder. Esses documentos, divulgados pelo Departamento de Justiça americano, incluem memorandos internos, apresentações do FBI e relatos de vítimas que contradizem declarações anteriores das autoridades sobre a ausência de provas contra terceiros. A divulgação aconteceu em janeiro de 2026, com detalhes emergindo publicamente no início de fevereiro, em Nova York. As informações reforçam questionamentos sobre a extensão da rede de abusos sexuais operada por Epstein e sua cúmplice Ghislaine Maxwell.
As alegações detalham encontros específicos em que vítimas eram direcionadas a realizar massagens que evoluíam para atos sexuais. Autoridades federais registraram esses relatos em documentos datados de anos anteriores, mas sem acusações formais contra os mencionados. A análise dos arquivos mostra uma operação que ia além dos crimes individuais de Epstein.
Alegações específicas contra Harvey Weinstein
Uma vítima relatou à promotoria que Ghislaine Maxwell a instruiu a massagear um amigo de Epstein hospedado em sua residência. Durante o encontro, o homem ofereceu pagamento em troca de sexo, e ela aceitou.
Um memorando da promotoria federal do Distrito Sul de Nova York, datado de 26 de janeiro de 2021, descreve o incidente. Quando mostrada uma foto de Harvey Weinstein, a mulher o identificou como o indivíduo envolvido. Weinstein, condenado por agressões sexuais em casos separados, nunca enfrentou acusações relacionadas a Epstein.
Outra apresentação do FBI, elaborada após julho de 2025, menciona que Epstein orientou a vítima a massagear Weinstein. Ela recusou tirar a roupa, e ele teria ameaçado forçá-la. O representante de Weinstein afirmou que ele nega as alegações e que nunca foi investigado ou acusado nesse contexto.
Referências a Leon Black nos arquivos
Leon Black aparece em uma seção chamada “Nomes proeminentes” na apresentação do FBI. Os slides listam alegações sem afirmar verificação pelas autoridades.
Uma acusadora relatou que Epstein a instruiu a massagear Black enquanto ele estava nu. Outra vítima afirmou que uma mulher diferente realizou massagem em Black, que a obrigou a sexo oral. Um documento indica que o Procurador Distrital de Manhattan iniciou investigação sobre essas alegações.
Black não enfrentou acusações criminais relacionadas a Epstein. Processos civis contra ele foram arquivados ou retirados. Sua advogada destacou que uma investigação independente concluiu que os pagamentos a Epstein eram por serviços legítimos de consultoria.

Declarações de vítimas proeminentes
Virginia Giuffre, uma das principais acusadoras de Epstein e Maxwell, alegou em processos civis que foi traficada para homens da mesma faixa etária do financista, incluindo membros da realeza. Ela afirmou que Maxwell a forçou a relações sexuais com o então príncipe Andrew Mountbatten-Windsor em 2001.
Giuffre morreu por suicídio na primavera de 2025. Seus relatos permanecem nos documentos judiciais. Andrew nega veementemente qualquer irregularidade.
Maria Farmer, que trabalhou para Epstein em 1996, relatou que ele roubou fotos de seus irmãos nus. Ela acredita que as imagens foram vendidas a compradores. Relatos semelhantes indicam compartilhamento de material de abuso infantil por Epstein e associados.
Contexto de conexões com Jean-Luc Brunel
Documentos incluem e-mails antigos discutindo “garotas” e viagens com um associado identificado como Jean-Luc Brunel. O agente de modelos francês foi preso em 2020 por suspeitas de estupro, abuso de menores e tráfico.
Brunel, acusado de fornecer adolescentes a Epstein, morreu na prisão há quatro anos, em aparente suicídio. Os arquivos reforçam sua ligação com a rede de Epstein.
Outra carta de advogado ao FBI, de abril de 2023, menciona descoberta de possíveis imagens de abuso infantil durante revisão de documentos do espólio de Epstein. O material parecia compartilhado por um indivíduo condenado por crimes relacionados a pornografia infantil.
Negativas e posicionamentos oficiais
Representantes dos mencionados rejeitaram as alegações. O documento do FBI inclui uma seção sobre “conceitos errôneos”, afirmando que Epstein não prostituía vítimas regularmente por dinheiro.
Um resumo processual indica que declarações de uma vítima sobre ser “emprestada” a outros homens foram consideradas inconsistentes com relatos de outras. Nenhum outro caso próximo foi relatado além do envolvendo Weinstein.
Apresentações internas minimizaram a participação de terceiros em vários momentos. Autoridades federais declararam falta de provas suficientes para investigações adicionais.
Reações de advogados das vítimas
Advogados de sobreviventes afirmam que Epstein e Maxwell forneciam mulheres jovens a indivíduos ricos para ganhar controle. Sigrid McCawley, que representa várias vítimas, destacou que essa prática era central na operação de tráfico.
Ela enfatizou o poder obtido sobre os envolvidos. Jennifer Freeman questionou a localização de arquivos completos do FBI e o motivo de proteção aos nomes dos agressores. Spencer Kuvin reforçou que vítimas relataram diretamente o fornecimento de garotas a figuras influentes.
Esses depoimentos confirmam padrões descritos há anos. A ausência de uma lista formal de clientes não exclui participação de terceiros.
Detalhes adicionais sobre investigações
O Procurador Distrital de Manhattan analisou alegações contra Black, conforme um documento. Nenhuma acusação resultou disso. Investigações independentes contratadas por envolvidos concluíram ausência de conhecimento sobre crimes de Epstein.
- Principais pontos de negação:
- Pagamentos caracterizados como serviços profissionais.
- Falta de acusações criminais em conexões com Epstein.
- Relatos considerados não corroborados por outras vítimas.
- Investigações internas exonerando os mencionados.
Os arquivos incluem slides do FBI resumindo o caso sem conclusões definitivas sobre terceiros.
Distribuição de material sensível
Um advogado do espólio de Epstein solicitou orientações ao FBI sobre vídeos encontrados. O material mostrava mulheres de topless e foi compartilhado por condenado em crime de pornografia infantil.
Farmer relatou roubo de fotos e negativos por Epstein em 1996. Relato ao FBI na época sugere venda das imagens.
Esses elementos indicam circulação de conteúdo ilegal na rede. Autoridades lidaram com o material durante revisões pós-morte de Epstein.
Extensão da rede revelada
Os documentos abrangem interações de Epstein com figuras de diversos setores. Alegações envolvem favores sexuais em troca de influência.
Vítimas descreveram instruções diretas de Epstein e Maxwell. Encontros ocorriam em residências do financista. A liberação abrange memorandos, e-mails e apresentações internas. Detalhes emergem anos após a morte de Epstein em 2019.














