Norris e Antonelli participam de testes da Pirelli em Nürburgring visando temporada 2027

Lando Norris - X.com/ McLaren

Lando Norris - X.com/ McLaren

Lando Norris e Andrea Kimi Antonelli completaram o segundo dia de testes de pneus da Pirelli no circuito de Nürburgring, na Alemanha, nesta quarta-feira. A atividade teve como foco principal a avaliação da estrutura e da carcaça de diferentes compostos que poderão ser introduzidos na Fórmula 1 a partir de 2027. O trabalho foi antecipado após o cancelamento do Grande Prêmio da Arábia Saudita, motivado por tensões geopolíticas no Oriente Médio.

A fabricante italiana de pneus aproveitou a brecha no calendário para intensificar a coleta de dados técnicos fundamentais para o processo de homologação das futuras carcaças. Os testes contaram com o suporte operacional das equipes McLaren e Mercedes, que disponibilizaram seus pilotos e carros para o desenvolvimento dos componentes. Antonelli, atual líder do campeonato, dividiu o protagonismo com o veterano Norris sob condições climáticas favoráveis na região de Eifel.

Desempenho em pista e quilometragem atingida

A sessão desta quarta-feira foi marcada por uma alta quilometragem percorrida, superando a barreira dos mil quilômetros somados apenas entre os dois competidores. Lando Norris, a bordo da McLaren, registrou 108 voltas no traçado alemão, o que representa um total de 556 quilômetros de dados coletados para os engenheiros de Milão. Já o jovem italiano Kimi Antonelli, guiando pela Mercedes, foi ligeiramente mais produtivo em termos de distância, encerrando o dia com 109 voltas e 561 quilômetros percorridos.

Os tempos de volta, embora não sejam o foco primordial em testes de pneus de desenvolvimento, serviram para balizar a consistência dos novos materiais sob estresse. Antonelli registrou a melhor marca do dia com 1min32s990, enquanto Norris fechou sua participação com o tempo de 1min33s640. As condições ambientais mantiveram-se estáveis durante todo o período, com o asfalto atingindo a temperatura média de 26 °C, fator que facilitou a comparação direta entre as variantes testadas.

Cronograma de avaliação dos compostos

O programa de trabalho em Nürburgring foi dividido em etapas específicas para maximizar a compreensão sobre o comportamento de cada gama de pneus slick. A Pirelli estruturou as atividades da seguinte forma:

  • Sessões matinais: Foco total em variantes de composição do tipo C3 (intermediário).
  • Metodologia: Séries de oito voltas constantes para medir desgaste e estabilidade térmica.
  • Sessões vespertinas: Transição para os pneus de gama mais macia da fabricante.
  • Divisão de tarefas: Antonelli testou o composto C4 enquanto Norris avaliou o C5.
  • Objetivo técnico: Analisar a deformação da carcaça em curvas de alta energia.

Este planejamento permitiu que os engenheiros observassem como as novas estruturas respondem tanto em trechos de tração quanto em frenagens fortes. A Pirelli utiliza esses dados para definir o desenho final das carcaças que serão submetidas à Federação Internacional de Automobilismo (FIA) nos próximos meses. Sem esses testes em pista real, a marca dependeria exclusivamente de simulações computacionais, que nem sempre capturam as nuances do asfalto irregular de Nürburgring.

Mudanças de cronograma e impacto técnico

A realização destes testes na Alemanha só foi possível devido a uma reestruturação logística de emergência feita pela Pirelli e pelas equipes envolvidas. Originalmente, parte deste desenvolvimento ocorreria em Jeddah, mas a instabilidade regional forçou a suspensão das atividades na Arábia Saudita. Nürburgring, embora possua características térmicas distintas das pistas do Oriente Médio, ofereceu um ambiente técnico rigoroso para testar a resistência estrutural dos novos protótipos em um asfalto mais abrasivo.

A importância de acumular quilometragem neste estágio do ano reside nos prazos de produção industrial da marca italiana. Os pneus de 2027 exigem uma carcaça mais robusta para suportar os níveis de pressão aerodinâmica previstos para as próximas gerações de carros da categoria. Ao todo, somando as participações de George Russell e Oscar Piastri no primeiro dia, foram percorridos 2.106 quilômetros de testes no circuito de Eifel, gerando um dos maiores volumes de dados da temporada até o momento.

O desenvolvimento continuará ao longo das próximas semanas em sessões privadas em outros circuitos europeus, utilizando carros de testes específicos fornecidos pelas equipes. A Pirelli busca garantir que a transição para as novas regras estruturais ocorra sem prejuízos à segurança dos pilotos ou à competitividade das corridas. O próximo passo será o processamento laboratorial das informações colhidas para ajustar as misturas químicas que compõem a banda de rodagem de cada nível de dureza.

Veja Também