O BNP Paribas elevou a recomendação para as ações da Apple. A casa passou de Neutral para Outperform e estabeleceu preço-alvo de US$ 300. A decisão ocorreu nesta sexta-feira.
A medida reflete a visão de que a empresa pode ganhar participação de mercado em smartphones. O aperto nos preços de memória deve afetar mais os concorrentes de menor porte. A Apple enfrenta o mesmo aumento de custos, mas seu tamanho permite manter disponibilidade e cobrar preços premium na maioria dos casos. O analista do BNP Paribas destacou esse ponto em nota a clientes.
BNP Paribas aponta oportunidade de ganho de market share para Apple
O banco considera que o crunch de memória vai gerar destruição de demanda em camadas baixas e médias do setor de smartphones. Isso abre espaço para a Apple avançar em participação. A companhia continua impactada pelos custos mais altos, mas não enfrenta limitações de suprimento como rivais menores.
A recomendação positiva para a Apple contrasta com outros movimentos do mesmo banco no setor de tecnologia. A casa também ajustou posições em outros nomes de semicondutores e energia. O foco na Apple destaca o potencial de resiliência da empresa diante de pressões cíclicas no mercado de celulares.
Qualcomm tem recomendação cortada com alvo bem abaixo do anterior
O BNP Paribas rebaixou a recomendação para as ações da Qualcomm. A nota passou de Outperform para Neutral e o preço-alvo caiu de US$ 180 para US$ 120. O banco não vê fim próximo para os problemas no segmento de smartphones.
A Qualcomm depende fortemente de vendas de chips para celulares. O cenário de demanda fraca e custos elevados de componentes pesa sobre as perspectivas. O downgrade reflete preocupação com a continuidade de desafios no negócio principal da empresa.
Outros analistas também mexem em recomendações de semicondutores
A Mizuho elevou Texas Instruments e STMicroelectronics. A casa passou Texas Instruments para Neutral, de Underperform, e STMicroelectronics para Outperform, de Neutral. O motivo foi a expectativa de alta de preços em analog devices na China, estimada em 10% para abril, impulsionada por demanda forte em servidores de IA e aplicações industriais.
A mesma Mizuho fez double downgrade da NXP Semiconductors. A recomendação saiu de Outperform direto para Underperform, com preço-alvo cortado de US$ 255 para US$ 188. A grande exposição da NXP ao setor automotivo aparece como obstáculo para 2026, diante de volumes mais fracos.
- Texas Instruments e STMicroelectronics se beneficiam de demanda em IA e industrial
- NXP sofre com exposição alta ao mercado automotivo
- Mizuho vê reajuste de preços na China como positivo para os dois primeiros nomes
Movimentos em energia refletem cenário de estoques de petróleo
O BNP Paribas também atuou no setor de óleo. Elevou Exxon Mobil para Neutral, de Underperform, e Chevron para Outperform, de Neutral. O banco citou o colapso de estoques de petróleo e produtos derivados em meio ao conflito no Irã, o que pode estender um ciclo de preços mais altos.
Esses ajustes mostram como eventos geopolíticos influenciam as visões de analistas para diferentes setores. No caso de tecnologia, o foco permaneceu nas dinâmicas internas de oferta e demanda de componentes.
Ajustes em outros nomes de tecnologia e pagamentos
A Stifel elevou Onto Innovation para Buy, de Hold, e subiu o preço-alvo de US$ 220 para US$ 350. A casa se surpreendeu com a reação moderada do mercado ao preanúncio positivo e à qualificação do novo sistema Gen5 Dragonfly para embalagem avançada 2.5D.
A Wolfe Research cortou Qorvo para Peer Perform, de Outperform, por causa da aquisição pendente pela Skyworks. A Stephens rebaixou Shift4 Payments para Equal Weight, de Overweight, com alvo de US$ 50, contra US$ 65 antes. A JPMorgan baixou Clorox para Underweight, de Neutral, com preço-alvo de US$ 99, contra US$ 117.
Esses movimentos completam o panorama de recomendações da sessão. O mercado acompanha de perto os relatórios de analistas em um momento de volatilidade em tecnologia e energia.
O ajuste da BNP Paribas para Apple e Qualcomm ganhou atenção especial por envolver dois nomes relevantes do setor de tecnologia. O banco francês destacou diferenças claras entre as perspectivas das duas empresas diante do mesmo ambiente de mercado de smartphones.
Fatores que pesam sobre o setor de semicondutores para celulares
O aumento nos preços de memória afeta toda a cadeia de produção de smartphones. Fabricantes menores sentem mais o impacto na disponibilidade e nos custos. A Apple, por sua escala, consegue navegar melhor esse período.
A Qualcomm enfrenta pressão adicional no negócio de handsets. O cenário de demanda fraca para celulares premium e intermediários limita o crescimento esperado. Analistas de outras casas também têm expressado cautela com o nome nos últimos meses.
O mercado de ações reage a essas notas conforme o peso dos analistas e o tamanho das mudanças. Preços-alvo e recomendações servem como referência, mas decisões de investimento consideram múltiplos fatores.
A sessão desta sexta trouxe vários ajustes pontuais em diferentes setores. O foco em Apple e Qualcomm ilustra como visões sobre o mesmo tema — o mercado de smartphones — podem divergir entre empresas.

