Empresa americana fecha acordo para adquirir mineradora brasileira de terras raras
A empresa norte-americana USA Rare Earth anunciou nesta segunda-feira um acordo definitivo para adquirir a mineradora brasileira Serra Verde Group. A transação está avaliada em cerca de US$ 2,8 bilhões. O negócio combina US$ 300 milhões em dinheiro com a emissão de aproximadamente 126,8 milhões de novas ações ordinárias da compradora.
A Serra Verde controla a mina Pela Ema, em Goiás. A unidade é a única produtora em larga escala fora da Ásia dos quatro elementos de terras raras magnéticos essenciais. Esses minerais servem à fabricação de ímãs usados em veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos de defesa.
Acordo integra mineração no Brasil a cadeia de processamento nos EUA
A operação cria uma plataforma integrada que vai da extração ao fabrico de metais e ímãs. Executivos da Serra Verde vão assumir cargos estratégicos na empresa combinada. Thras Moraitis, atual CEO da mineradora brasileira, passará a presidir uma divisão e integrar o conselho de administração. Mick Davis, presidente do conselho da Serra Verde, também entrará para o colegiado da USA Rare Earth.
O pagamento em ações foi calculado com base no preço de fechamento de US$ 19,95 por ação da USA Rare Earth na sexta-feira anterior ao anúncio. A empresa americana já recebeu apoio financeiro do governo dos EUA em etapas anteriores. Em janeiro, ela fechou um pacote de US$ 1,6 bilhão. A Serra Verde, por sua vez, obteve US$ 565 milhões da Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos EUA em fevereiro.
A aquisição ainda depende de aprovações regulatórias e condições habituais de fechamento. O cronograma prevê a conclusão no terceiro trimestre de 2026.
Mina Pela Ema se destaca por produção única de elementos magnéticos
A unidade em Goiás produz neodímio, praseodímio, disprósio e térbio em escala comercial. Esses quatro elementos são considerados críticos para tecnologias avançadas. A Serra Verde opera desde o início de 2024 e projeta alcançar 6.500 toneladas de óxidos de terras raras por ano até o final de 2027.
- A mina usa depósitos de argila iônica de baixa profundidade
- O processo evita técnicas intensivas de mineração em rocha dura
- A operação gera menor volume de rejeitos úmidos
- A energia vem principalmente da rede com alta participação renovável
A localização em Minaçu facilita o acesso a infraestrutura de estradas e portos já existentes na região.
Transação fortalece esforços para diversificar oferta global
A compra ocorre enquanto os Estados Unidos e aliados buscam reduzir a dependência de fontes concentradas de terras raras. A Serra Verde deve responder por mais de 50% da oferta de terras raras pesadas fora da China até 2027, segundo projeções da USA Rare Earth.
A empresa combinada terá operações em três continentes. O acordo inclui ainda um contrato de fornecimento de 15 anos para 100% da produção inicial da fase 1 da mina. Esse offtake foi firmado com uma estrutura de propósito específico que conta com capital de entidades ligadas ao governo americano e fontes privadas. O contrato estabelece pisos de preço para os principais elementos.
Executivos destacam potencial da operação integrada
Barbara Humpton, CEO da USA Rare Earth, afirmou que a Serra Verde representa um ativo único. A executiva ressaltou a capacidade da mina de fornecer os quatro elementos magnéticos em grande escala. A declaração consta no comunicado oficial divulgado pelas empresas.
A Serra Verde iniciou a produção comercial em 2024. A expansão em curso conta com o apoio dos financiamentos obtidos junto a instituições americanas. Analistas do setor acompanham o movimento como parte de uma sequência de aquisições da USA Rare Earth para consolidar etapas da cadeia de valor.
Próximos passos incluem integração e aprovações
As duas companhias já iniciaram o planejamento de integração operacional. Executivos da Serra Verde permanecem à frente das atividades no Brasil durante a transição. O foco inicial será manter a produção e avançar na fase de expansão prevista.
O negócio ainda aguarda análise de órgãos reguladores no Brasil e nos Estados Unidos. Até o fechamento, as empresas operam de forma independente. O comunicado não detalhou impactos imediatos sobre empregos ou contratos existentes na mina de Goiás.
A operação reforça a posição do Brasil como fornecedor relevante de minerais estratégicos. A mina Pela Ema se beneficia de reservas em argila iônica que permitem extração com pegada ambiental relativamente controlada em comparação a depósitos de rocha dura.