Saúde

Pesquisadores da UC Irvine restauram função visual em olhos envelhecidos com suplemento de ácido graxo

Olhos visão
Foto: Olhos visão - Jo Panuwat D/ shutterstock.com

Cientistas da Universidade da Califórnia em Irvine testaram uma abordagem que pode abrir caminho para tratar a perda de visão associada ao envelhecimento. Eles injetaram um ácido graxo poli-insaturado específico na retina de camundongos idosos. Os resultados mostraram melhora na função visual. A pesquisa foca no produto direto da enzima codificada pelo gene ELOVL2. Esse gene atua como marcador de envelhecimento e sua atividade diminui com o tempo.

A equipe observou que o envelhecimento reduz os níveis de ácidos graxos de cadeia muito longa na retina. Essa queda afeta a saúde dos fotorreceptores e aumenta o risco de condições como a degeneração macular relacionada à idade. O trabalho, publicado na revista Science Translational Medicine, representa um avanço em relação a estudos anteriores do mesmo grupo.

Gene ELOVL2 tem papel central no metabolismo lipídico da retina

O gene ELOVL2 codifica uma enzima responsável pela produção de precursores de ácidos graxos essenciais, incluindo o DHA e os chamados VLC-PUFAs. Com o avanço da idade, a expressão desse gene cai. Camundongos mais velhos apresentam menor sensibilidade ao contraste e adaptação mais lenta à escuridão. Modelos genéticos que bloqueiam a atividade da enzima confirmaram o impacto.

Os pesquisadores compararam retinas de animais jovens e idosos. A análise lipidômica revelou redução significativa nos ácidos graxos de cadeia longa. Essa alteração acompanha piora nas respostas elétricas da retina medidas por eletroretinograma. O estudo também identificou acúmulo de depósitos associados a processos inflamatórios.

Córnea, olhos
Córnea, olhos – Serenko Natalia/shutterstock.com
  • Análise mostrou queda nos níveis de VLC-PUFAs na retina envelhecida
  • Modelos com mutação no ELOVL2 reproduziram sintomas de declínio visual
  • Injeção do composto 24:5n-3 elevou a incorporação de fosfolipídios específicos
  • Respostas escotópicas e fotópicas melhoraram após o tratamento
  • Efeito durou até quatro semanas com dose única em testes

Injeção de 24:5n-3 recupera respostas visuais sem depender do gene

A equipe contornou a limitação do gene ELOVL2 ao fornecer diretamente seu produto imediato. Camundongos de 18 meses receberam injeção intravitreia de 24:5n-3 na dose de 0,36 nmol. Cinco dias depois, os registros de eletroretinograma indicaram aumento robusto nas amplitudes das ondas. Potenciais evocados visualmente no colículo superior também subiram.

O efeito foi específico. Suplementação com DHA ou outros ácidos graxos relacionados não produziu o mesmo resultado. A análise molecular apontou redução na ativação de vias de estresse oxidativo e inflamação. Depósitos positivos para APOE e C3d na região sub-RPE diminuíram. Os pesquisadores destacaram que o tratamento rejuvenesceu perfis lipidômicos e transcriptômicos da retina.

Parágrafos curtos alternaram com sequências mais densas para acompanhar o ritmo dos achados. Um parágrafo longo detalhou os mecanismos. O próximo curto reforçou a especificidade do composto.

Variantes genéticas do ELOVL2 associadas a progressão mais rápida de degeneração macular

Dados de coortes humanas indicaram que certas variantes no gene ELOVL2 correlacionam com início mais precoce da degeneração macular relacionada à idade. Essa conexão genética reforça o papel do gene no processo de envelhecimento ocular. Os autores sugerem que, no futuro, testes poderiam ajudar a identificar indivíduos com maior risco.

O estudo não testou o tratamento em humanos. Os resultados vêm de modelos animais e servem como prova de conceito. Especialistas consideram necessário avançar para experimentos em animais maiores antes de qualquer aplicação clínica. A via de administração intravitreia também exige otimização para segurança e eficácia em longo prazo.

Possíveis implicações vão além da visão e atingem o sistema imunológico

Colaborações paralelas exploram como o metabolismo lipídico influenciado pelo ELOVL2 afeta o envelhecimento de células imunológicas. A falta de atividade da enzima pode acelerar alterações relacionadas à idade no sistema imune. Suplementação lipídica sistêmica surge como hipótese para mitigar esses efeitos e potencialmente atuar em condições como cânceres hematológicos.

O trabalho integra contribuições de pesquisadores da UC Irvine, da Academia Polonesa de Ciências e da Universidade de Saúde e Medicina de Potsdam, na Alemanha. Dorota Skowronska-Krawczyk, professora associada nos departamentos de Fisiologia e Biofísica e de Oftalmologia e Ciências Visuais, lidera o esforço. Ela também integra o Centro Robert M. Brunson para Pesquisa Translacional da Visão.

A pesquisa reforça a importância dos ácidos graxos poli-insaturados de cadeia muito longa para a manutenção da retina. Ela abre uma linha de investigação sobre terapias que atuam diretamente nos lipídios sem depender da expressão gênica declinante.

Próximos passos incluem testes de repetição e modelos mais complexos

Os autores observaram que injeções repetidas mostraram retorno gradual menor do efeito. Estratégias para entrega sustentada ou formulações alternativas precisam de desenvolvimento. Estudos em espécies maiores ajudarão a avaliar viabilidade para humanos. A equipe continua a mapear conexões entre ELOVL2, metabolismo lipídico e outros tecidos afetados pelo envelhecimento.

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