Governo americano aprova apenas um visto no programa Trump Gold Card após meses de triagem

Trump Gold Card

Trump Gold Card - Mehaniq / Shutterstock.com

O governo dos Estados Unidos concedeu apenas uma aprovação de residência permanente através do programa Trump Gold Card desde o início das solicitações em dezembro do ano passado. A confirmação ocorreu durante um depoimento oficial do secretário de Comércio, Howard Lutnick, em uma audiência na Câmara dos Deputados realizada nesta quinta-feira. Centenas de outros pedidos permanecem retidos em uma fila de espera. O Departamento de Segurança Interna conduz avaliações minuciosas de segurança nacional antes de liberar qualquer avanço nos processos.

A iniciativa governamental estabelece uma via expressa para a imigração legal mediante pagamentos milionários aos cofres públicos. Estrangeiros interessados precisam desembolsar uma taxa inicial de US$ 15.000 para cobrir os custos de verificação de antecedentes. Uma vez superada essa etapa, os indivíduos pagam US$ 1 milhão ao Departamento de Comércio, enquanto empresas patrocinadoras arcam com US$ 2 milhões. O modelo atrai críticas severas de especialistas em imigração. A administração defende a estratégia como uma forma de atrair capital estrangeiro sem onerar os contribuintes americanos.

トランプ ゴールド カード – Mehaniq / Shutterstock.com

Processo de triagem e divergência de números

Lutnick compareceu ao Congresso para discutir as projeções orçamentárias do Departamento de Comércio para o ano fiscal de 2027. Durante a sessão, o secretário precisou explicar o ritmo lento das aprovações do novo sistema de vistos. Ele relatou que o Departamento de Segurança Interna validou o primeiro requerimento de forma recente. O restante dos processos aguarda deliberação. O funcionário do alto escalão justificou a demora apontando para a necessidade de cautela. A gestão atual implementou o protocolo de segurança mais rígido da história do país para evitar falhas.

As declarações prestadas sob juramento contrastam com falas anteriores do próprio secretário. Em dezembro do ano passado, durante um evento de Donald Trump, Lutnick afirmou que treze vistos do Gold Card haviam sido vendidos em poucos dias pela quantia de US$ 1 milhão cada. A discrepância gerou questionamentos imediatos dos parlamentares presentes na audiência. O secretário esclareceu que o processamento real depende de uma coordenação complexa com as agências de inteligência. A primeira liberação de fato ocorreu apenas nos últimos dias após o cruzamento de dados globais.

A burocracia estatal exige que cada candidato passe por múltiplas camadas de investigação antes da emissão do documento. O governo americano mobiliza recursos significativos para rastrear a origem dos fundos e o histórico dos requerentes. Analistas de segurança avaliam riscos potenciais de espionagem ou lavagem de dinheiro. O rigor extremo serve como resposta às pressões políticas sobre a integridade do sistema imigratório.

Custos operacionais e categorias de imigração

O formato do programa altera a dinâmica tradicional de concessão de vistos baseados em mérito ou laços familiares. A estrutura legal do Trump Gold Card apoia-se em categorias já existentes na legislação americana, mas introduz um mecanismo de aceleração financeira direta. A Casa Branca estruturou o projeto no final de 2025 com foco em indivíduos de altíssimo patrimônio e corporações multinacionais.

As regras de funcionamento do sistema estabelecem diretrizes financeiras e burocráticas claras para os interessados:

  • O requerente individual deve pagar US$ 1 milhão após a aprovação da triagem de segurança.
  • Empresas que atuam como patrocinadoras de funcionários pagam uma taxa de US$ 2 milhões.
  • O custo inicial de processamento e investigação de antecedentes custa US$ 15.000 para qualquer modalidade.
  • As aprovações ocorrem sob o guarda-chuva das categorias de visto EB-1 ou EB-2.
  • O protocolo exige a superação de checagens de segurança nacional sem precedentes na história americana.

A utilização das categorias EB-1 e EB-2 demonstra o foco em profissionais altamente qualificados. O visto EB-1 atende tradicionalmente pessoas com habilidades extraordinárias em ciências, artes, educação ou negócios. O EB-2 foca em profissionais com graus acadêmicos avançados ou cujas habilidades beneficiem os interesses nacionais dos Estados Unidos. O novo programa adiciona a via do pagamento direto ao governo como um acelerador dessas modalidades.

Sigilo sobre aprovado e investigações corporativas

A identidade do único estrangeiro que conseguiu a aprovação final permanece sob sigilo absoluto por parte do governo. O Departamento de Comércio recusa-se a fornecer detalhes demográficos ou profissionais sobre o indivíduo. Reportagens anteriores da agência Bloomberg indicaram que um dos fundadores da empresa chinesa TP-Link Systems havia iniciado o processo de solicitação. A companhia atua no setor de roteadores e equipamentos de rede em escala global.

O envolvimento de executivos ligados à tecnologia estrangeira levanta debates intensos nos corredores de Washington. O Departamento de Comércio conduz avaliações paralelas sobre a TP-Link devido a preocupações de segurança nacional relacionadas à infraestrutura de telecomunicações. A agência investiga possíveis vulnerabilidades nos equipamentos da marca que poderiam ser exploradas por governos adversários. A revista Forbes tentou contato com a corporação para comentar o caso, mas não obteve resposta oficial.

A intersecção entre política imigratória e segurança cibernética torna a análise dos pedidos ainda mais demorada. O governo americano tenta equilibrar a atração de investimentos massivos com a proteção de seus dados estratégicos. Cada solicitação vinda de executivos de tecnologia passa por escrutínio de agências de defesa. O processo de aprovação individual acaba se transformando em uma auditoria corporativa completa.

Batalha judicial e próximos passos do programa

A iniciativa governamental enfrenta obstáculos significativos nos tribunais federais. Organizações da sociedade civil e grupos acadêmicos protocolaram ações judiciais em fevereiro deste ano para barrar o andamento do projeto. Os processos argumentam que o modelo subverte as leis de imigração ao criar um sistema de privilégios baseado exclusivamente no poderio financeiro. Os críticos afirmam que a venda de residência permanente fere os princípios constitucionais de igualdade.

As disputas legais ganharam tração com o início das audiências preliminares em abril. Os advogados das entidades exigem a liberação de documentos internos que detalhem o funcionamento exato do Gold Card. Eles buscam entender como os fundos arrecadados são alocados e quais critérios definem a aprovação além do pagamento. O governo resiste à quebra de sigilo argumentando prerrogativas do poder executivo.

Apesar da pressão judicial e do ritmo lento de aprovações, a administração mantém o portal oficial aberto para novas inscrições. O Departamento de Comércio e o Departamento de Segurança Interna prometem otimizar a comunicação interna para acelerar as análises futuras. Centenas de candidatos já depositaram a taxa inicial de US$ 15.000 e aguardam um posicionamento. O governo reitera que cada caso continuará sendo avaliado de forma individualizada, priorizando a segurança nacional acima da velocidade de arrecadação.

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