Cometa PanSTARRS alcança maior aproximação da Terra neste domingo

Cometa

Cometa - Foto: Sergey Kuznetsov/istock

O cometa C/2025 R3 (PanSTARRS) atinge neste domingo 26 de abril sua maior aproximação da Terra. A distância deve ficar em torno de 72 milhões de quilômetros. O objeto passou pelo periélio no dia 19 de abril. Observadores no Brasil enfrentam dificuldade para vê-lo hoje por causa da posição próxima ao Sol.

O perigeu acontece em um momento em que o cometa se encontra a apenas poucos graus do Sol no céu. Isso reduz a janela de observação segura. Especialistas indicam que o brilho atual permite visão com binóculos em condições ideais. Há chance de melhora nos próximos dias.

Posição do cometa complica observação no Hemisfério Sul

O cometa surge baixo no horizonte oeste logo após o entardecer nos primeiros dias de maio. A separação angular pequena com o Sol nesta data exige cuidado para não mirar diretamente para a estrela. Locais com horizonte livre e pouca poluição luminosa oferecem as melhores chances.

Astrônomos recomendam o uso de binóculos para localizar a coma e a possível cauda. O objeto foi descoberto em setembro de 2025 pelo sistema PanSTARRS. Ele viaja de uma região distante do Sistema Solar e não deve retornar por cerca de 170 mil anos.

  • Busque um ponto afastado de cidades grandes
  • Evite olhar para o Sol em qualquer momento
  • Use binóculos ou pequeno telescópio para detalhes
  • Consulte aplicativos de céu para posição exata

Brilho do cometa evolui desde a descoberta

No momento da identificação, a magnitude chegava perto de 20. O valor caiu gradualmente à medida que o cometa se aproximou do Sol. Em janeiro ele já mostrava magnitude 17 com o surgimento da coma. No início de abril chegou a 6 em céus escuros.

O calor solar faz o gelo evaporar e libera gás e poeira. Esse material reflete a luz e forma as estruturas visíveis. Observações recentes registraram magnitude em torno de 4,5 a 5 em alguns relatos. A NASA acompanha o trajeto com instrumentos como o LASCO a bordo da sonda SOHO.

O cometa entrou no campo de visão do coronógrafo LASCO nos últimos dias. Imagens da espaçonave ajudam a refinar os cálculos de trajetória. Astrônomos acompanham o progresso em tempo real por meio do site oficial do observatório solar.

Dispersão frontal pode aumentar luminosidade

Um efeito chamado dispersão frontal pode ampliar o brilho quando a poeira da cauda reflete luz solar diretamente para a Terra. Marcelo Zurita, da Associação Paraibana de Astronomia e da Rede Brasileira de Observação de Meteoros, menciona essa possibilidade. Em cenário otimista, a magnitude poderia chegar a valores negativos e superar Sírius.

Essa ampliação depende de alinhamentos precisos. Nem todos os cometas respondem da mesma forma. Estimativas conservadoras apontam para magnitude 3 ou 4. O objeto já se mostrou mais brilhante do que as previsões iniciais indicavam.

O fenômeno ocorre porque partículas de poeira atuam como pequenos espelhos. Quando o ângulo é favorável, o reflexo se concentra na direção do observador. O cometa ganhou brilho constante ao longo dos meses por causa da sublimação de materiais voláteis.

Melhor janela para o Brasil vem no início de maio

Após o perigeu, o cometa se afasta da linha de visão do Sol. A visibilidade melhora no Hemisfério Sul durante o entardecer. Ele aparece baixo no horizonte oeste, ainda exigindo céu limpo e sem obstáculos.

A época coincide com o começo do outono no Brasil, o que pode trazer noites mais estáveis em algumas regiões. Observadores devem mirar cerca de uma hora após o pôr do sol. Aplicativos como Stellarium ou sites especializados mostram a altura exata do objeto em cada cidade.

Quem perdeu a fase matutina anterior ainda tem oportunidade. O cometa continua sua jornada para fora do Sistema Solar sem previsão de retorno próximo. Imagens captadas por telescópios remotos e por astrônomos amadores registram a coma esverdeada e a cauda fina.

Instrumentos espaciais monitoram o trajeto

A sonda SOHO da NASA e ESA captura o cometa em seus coronógrafos. O instrumento LASCO bloqueia a luz direta do Sol e permite ver objetos próximos. Imagens recentes mostram o PanSTARRS cruzando o campo de visão.

Esses dados complementam observações terrestres. Eles permitem calcular a órbita com maior precisão. O cometa segue uma trajetória hiperbólica típica de objetos da nuvem de Oort.

Astrônomos registraram o cometa em diferentes fases. Fotos da Namíbia, dos Estados Unidos e de outros pontos mostram a evolução da cauda e da coma. O objeto apresentou magnitude aparente em torno de 4,5 em meados de abril segundo relatos consolidados.

O cometa C/2025 R3 (PanSTARRS) oferece uma oportunidade rara de observar um visitante de longa período. Apesar das limitações de hoje, as próximas noites podem trazer visões melhores para quem se preparar. O importante é respeitar os horários seguros e escolher bons locais de observação.