O bombeiro militar Anderson Ferreira Bandeira, de 41 anos, foi detido em flagrante na última quarta-feira (22) no Rio Grande do Sul. A prisão ocorreu após uma passageira denunciar ter sido importunada sexualmente dentro de um ônibus intermunicipal. No entanto, o Ministério Público (MP) revelou que Bandeira já é réu na Justiça por um crime semelhante, que teria acontecido há cinco anos.
Segundo a Promotoria, o militar estaria usando a farda do Corpo de Bombeiros Militar (CBMRS) em ambos os episódios. A repetição da conduta motivou a Promotoria a destacar a habitualidade criminosa do suspeito. A Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva, mantendo Bandeira recolhido no Presídio Policial Militar, em Porto Alegre.
Prisão em flagrante e histórico de denúncias
A prisão de Anderson Ferreira Bandeira ocorreu na madrugada de 22 de abril. Uma mulher de 34 anos relatou ter sido vítima de importunação sexual dentro de um ônibus da empresa Ouro e Prata, que fazia a linha Porto Alegre–Dom Pedrito. A passageira, que dormia durante a viagem, acordou sentindo-se tocada na altura do seio e identificou o homem sentado ao lado como o agressor.
O incidente aconteceu por volta da 1h30, na altura de Pântano Grande, no Vale do Rio Pardo. A vítima imediatamente procurou o motorista do veículo e denunciou o ocorrido, o que gerou um tumulto. A Brigada Militar foi acionada e abordou o suspeito. Os policiais recolheram a arma do bombeiro e o encaminharam à Delegacia de Polícia de Cachoeira do Sul. Em seu depoimento, o soldado optou por permanecer em silêncio diante das acusações. A Justiça analisou as provas apresentadas e converteu a prisão em flagrante para preventiva, sem prazo determinado.
Semelhança nos casos: uso de farda e *modus operandi*
A denúncia do Ministério Público revela que o caso de 2021 apresenta impressionantes semelhanças com o episódio atual. Por volta da 1h15 de 10 de agosto de 2021, em um ônibus que também fazia a linha Porto Alegre–Dom Pedrito, Bandeira teria tocado o seio de uma mulher que estava sentada ao seu lado. Naquela ocasião, a vítima somente fez a denúncia após a chegada do coletivo ao destino final. Isso impediu que ele fosse preso em flagrante na época.
O promotor de Justiça de Bagé, Diogo Taborda, destacou ao g1 outra similaridade crucial entre os dois episódios: o uso da farda do Corpo de Bombeiros Militar. Segundo o promotor, a suspeita é que o militar utilizaria o uniforme para obter desconto na passagem. Além disso, a farda poderia servir para evitar desconfiança por parte de outros passageiros e dos funcionários da empresa de ônibus. Este padrão de comportamento reforça a análise da promotoria sobre a reiteração criminosa.
Ministério Público aponta reiteração criminosa
A promotoria gaúcha enfatizou a preocupação com o comportamento do bombeiro. O Ministério Público afirma que Bandeira teria um “comportamento reiterado na prática de crimes sexuais contra mulheres”. Diogo Taborda foi categórico em sua avaliação. “Está muito claro que se trata de um agressor, de um violentador que possui uma habitualidade criminosa contra vítimas mulheres”, declarou o promotor.
Ele afirmou que essa característica será considerada durante o processo. A habitualidade pode, inclusive, ser levada em consideração para exasperar a pena. O processo referente ao caso de 2021 ainda está em andamento. A audiência de instrução está agendada para o dia 13 de maio, onde novas informações podem surgir.
Corpo de Bombeiros instaura processos e apurações
O Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul (CBMRS) emitiu uma nota oficial sobre o caso. A instituição repudiou qualquer forma de violência, especialmente contra pessoas em situação de vulnerabilidade. O CBMRS reiterou seu compromisso com a legalidade, a ética e a proteção da sociedade.
Em relação aos fatos de 2021, a corporação informou que a acusação foi apurada na esfera policial. O CBMRS acompanhou a tramitação do inquérito e adotou as providências administrativas cabíveis. A instituição ressaltou que segue o devido processo legal. O processo judicial ainda está em trâmite na Justiça Comum. A corporação aguarda sua conclusão para tomar novas medidas administrativas.
- Sobre a prisão em flagrante de abril de 2026:
- O militar encontra-se atualmente em prisão preventiva.
- Tão logo tomou conhecimento dos fatos, o CBMRS instaurou Inquérito Policial Militar.
- Foi instaurado também um Conselho de Disciplina no âmbito administrativo.
- O Conselho tem como objetivo avaliar a eventual exclusão do militar das fileiras da instituição.
- O caso permanece sob apreciação do Poder Judiciário, com acompanhamento da Corregedoria do CBMRS.
- A permanência do militar na corporação decorre de decisões administrativas e judiciais vigentes.
- O CBMRS afirma que não aplica sanções sem devido respaldo legal.
- Qualquer conduta irregular é apurada e, uma vez comprovada, enseja a aplicação de medidas cabíveis.
Defesa do militar e encaminhamentos futuros
O advogado de Anderson Ferreira Bandeira, Marcio Rosano, foi procurado pela reportagem. Ele informou que só se manifestará sobre o caso dentro do processo judicial. Esta postura é comum em situações que envolvem acusações criminais complexas. A defesa aguarda as próximas etapas do trâmite legal para apresentar seus argumentos e provas.
Enquanto isso, as investigações continuam em andamento. A Polícia Civil e o Ministério Público trabalham na coleta de evidências e depoimentos. A intenção é esclarecer todos os detalhes envolvendo as denúncias de importunação sexual. O desfecho dos processos, tanto o recente quanto o de 2021, definirá o futuro do militar e as possíveis sanções que ele poderá enfrentar.

