O Senado dos Estados Unidos aprovou na madrugada de quinta-feira uma resolução orçamentária que abre caminho para o repasse de até US$ 140 bilhões a duas agências federais responsáveis pela aplicação da política de imigração. A medida foi adotada por 50 votos a 48.
A votação ocorreu após uma maratona de debates e emendas que se estendeu pela noite. O texto prepara o terreno para que o Congresso elabore legislação específica que direcione recursos ao Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) e à Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP). Essas agências enfrentam falta de financiamento desde meados de fevereiro, quando teve início a paralisação parcial do Departamento de Segurança Interna (DHS).
Votação seguiu linha partidária quase total
Todos os democratas votaram contra a resolução. Dois republicanos também rejeitaram o texto: Lisa Murkowski, do Alasca, e Rand Paul, do Kentucky. O líder da maioria republicana, John Thune, defendeu a iniciativa como essencial para a segurança das fronteiras.
O processo utiliza a reconciliação orçamentária, mecanismo que permite aprovação com maioria simples e contorna obstruções. Líderes republicanos indicam que o valor final da legislação deve ficar em torno de US$ 70 bilhões, destinado a cobrir o restante do mandato de Donald Trump.
Agências operam sem recursos plenos desde fevereiro
A paralisação do DHS começou em meados de fevereiro após impasse sobre operações de imigração. O ICE e o CBP lideram ações de deportação e controle de fronteiras.
Sem verba regular, as operações enfrentam limitações. O plano republicano separa o financiamento dessas duas agências do restante do departamento. Mike Johnson, presidente republicano da Câmara, sinalizou que pretende votar medida complementar para o DHS sem incluir ICE e CBP.
- A resolução instrui comissões do Senado a elaborar o projeto até meados de maio.
- Recursos devem cobrir fiscalização, detenção e operações de fronteira.
- Republicanos buscam evitar dependência de votos democratas.
- Democratas criticaram o foco exclusivo em imigração em vez de custos de vida.
Democratas propuseram emendas sobre temas sociais
Durante a sessão de votações em massa, conhecidos como vote-a-rama, democratas apresentaram alterações ligadas a preços de supermercados e custos de saúde. Algumas receberam apoio de republicanos vulneráveis em eleições, como Susan Collins, do Maine, e Dan Sullivan, do Alasca. Nenhuma emenda democrata foi aprovada.
Chuck Schumer, líder da minoria, afirmou que a medida prioriza agências em detrimento de famílias americanas. Negociações anteriores entre democratas e o governo Trump sobre reformas em operações de imigração não avançaram.
Próximos passos envolvem a Câmara dos Representantes
A resolução agora segue para a Câmara, onde republicanos controlam a maioria. Comissões de justiça e segurança interna devem detalhar o projeto. O cronograma prevê recomendações até 15 de maio.
Líderes republicanos destacam que o plano permite financiar a segurança das fronteiras sem interferência democrata. O impasse atual já dura mais de dois meses e afeta operações do DHS.

