Chuva de meteoros Eta Aquáridas atinge pico em maio com rastros do cometa Halley

Cometa Halley

Cometa Halley - Brian Donovan/ shutterstock.com

Fragmentos milenares deixados pelo cometa 1P/Halley entram em combustão ao tocar a atmosfera da Terra durante as próximas semanas. O fenômeno, conhecido como chuva de meteoros Eta Aquáridas, oferece um espetáculo visual que ocorre anualmente quando o planeta atravessa a trilha de detritos espaciais. Em 2026, o evento ganha atenção especial por sua intensidade em latitudes próximas à linha do Equador e no Hemisfério Sul.

A atividade das Eta Aquáridas começou oficialmente no dia 19 de abril e se estende até o final de maio. O ápice do fenômeno está previsto para ocorrer na virada do dia 5 para o dia 6 de maio. Durante este intervalo, a densidade de meteoros visíveis atinge seu ponto mais alto, permitindo que observadores em áreas com pouca poluição luminosa identifiquem dezenas de rastros por hora.

Melhor horário para observação e condições astronômicas

O momento ideal para acompanhar a queda dos meteoros será nas horas que antecedem o amanhecer do dia 6 de maio. Cientistas apontam que o radiante, ponto no céu de onde os meteoros parecem surgir, estará em sua posição mais elevada pouco antes do sol nascer. Para localizar a região, o observador deve olhar para a direção da constelação de Aquário, que dá nome ao evento.

  • O pico de visibilidade ocorre na madrugada de 6 de maio.
  • A constelação de Aquário serve como ponto de referência para o radiante.
  • Locais afastados das luzes urbanas oferecem melhor experiência.
  • O uso de binóculos ou telescópios não é recomendado para este tipo de evento.
  • A visão periférica ajuda a captar rastros rápidos no céu.

Neste ano, a observação enfrenta um desafio natural específico. A Lua estará em sua fase minguante gibosa, apresentando um brilho considerável durante o período de maior atividade. Essa luminosidade extra no céu pode ofuscar os meteoros mais fracos e menos brilhantes, dificultando a visualização de quem espera ver uma grande quantidade de disparos luminosos. Estrategicamente, buscar sombras de montanhas ou prédios para bloquear o disco lunar pode mitigar o problema.

cometa – Nazarii_Neshcherenskyi/Shutterstock.com

Origem histórica e características dos meteoros rápidos

As Eta Aquáridas são famosas pela velocidade com que cruzam a abóbada celeste, atingindo aproximadamente 66 quilômetros por segundo. Essa rapidez resulta em “trens” de luz persistentes, que são trilhas incandescentes que permanecem visíveis por alguns segundos após a passagem do meteoro principal. Esses fragmentos de rocha e gelo foram expelidos pelo cometa Halley há centenas de anos, durante suas passagens periódicas pelo sistema solar interno a cada 76 anos.

Diferente de outras chuvas, esta é especialmente generosa com quem vive no Hemisfério Sul. Em condições perfeitas, observadores nessas regiões podem ver entre 20 e 40 meteoros por hora. Já no Hemisfério Norte, a taxa cai significativamente, ficando em torno de 10 unidades por hora devido à posição mais baixa do radiante no horizonte.

Como preparar a visualização em solo brasileiro

Para aproveitar o evento no Brasil, não é necessário qualquer equipamento técnico avançado. A recomendação principal de astrônomos é permitir que os olhos se adaptem à escuridão total por pelo menos 20 ou 30 minutos antes de iniciar a contagem. Deitar-se de costas com uma visão ampla do céu aumenta as chances de sucesso.

A meteorologia local também desempenha papel fundamental na qualidade da experiência. Céus nublados ou com alta umidade podem bloquear completamente a visão dos detritos espaciais. Verificar a previsão do tempo para a madrugada do dia 6 é o passo final para garantir que o deslocamento para áreas rurais ou litorâneas seja proveitoso.