Uma tempestade geomagnética de grandes proporções atingiu a atmosfera terrestre e gerou um dos eventos de luzes polares mais longos já registrados na história recente do Ártico norueguês. O fenômeno ocorreu na última semana de fevereiro e apresentou características raras de pulsação luminosa por um intervalo de tempo contínuo.
O registro foi realizado pelo especialista Tom Kerss durante uma expedição no navio MS Trollfjord. Diferente das exibições convencionais, que costumam durar poucos minutos, esta atividade permaneceu visível e ativa por quase três horas consecutivas. A intensidade da tempestade solar permitiu que as variações cromáticas fossem observadas sem o auxílio de equipamentos profissionais em diversos momentos da madrugada.
Fenômeno superou tempo médio de duração das luzes pulsantes
As auroras boreais do tipo pulsante possuem uma dinâmica atmosférica distinta das cortinas de luz tradicionais que ondulam suavemente no céu. Elas se manifestam como manchas de luz que piscam ou “pulsa” em intervalos rítmicos, geralmente associadas a elétrons que atingem a alta atmosfera de forma intermitente.
Especialistas em observação espacial indicam que este tipo de evento costuma ser efêmero e discreto. Os dados coletados na Noruega mostram que a estabilidade do fluxo de partículas solares foi determinante para a longevidade do espetáculo.
- Duração comum de auroras pulsantes: entre 10 e 20 minutos por evento.
- Tempo registrado na costa norueguesa: aproximadamente 180 minutos de atividade.
- Equipamento utilizado: câmera Sony A7S com lente grande angular de 14mm.
- Condição climática espacial: tempestade geomagnética de nível G3.
- Cores predominantes: tons intensos de verde e rosa vibrante.
Registro profissional detalha cores raras e movimentação rápida
A captura das imagens exigiu técnica apurada devido ao movimento constante do navio e à velocidade com que as luzes alteravam sua configuração no horizonte. O registro em tempo real permitiu documentar a transição exata entre o brilho esverdeado mais comum e as faixas rosadas que surgem em altitudes menores.
Kerss, que monitora o céu há quase duas décadas, classificou o avistamento como o mais profundo de sua trajetória profissional. A presença do rosa nas bordas das luzes indica que as partículas solares penetraram profundamente na atmosfera, interagindo com o nitrogênio em níveis mais baixos que o habitual para o oxigênio.
O fenômeno foi potencializado por uma ejeção de massa coronal que viajou do Sol até a Terra em alta velocidade. O impacto desse material com o campo magnético do planeta provocou a instabilidade necessária para sustentar a pulsação luminosa prolongada.
Impacto das tempestades geomagnéticas na observação terrestre
Eventos solares intensos como o registrado em fevereiro de 2026 costumam causar preocupação em setores de telecomunicações, mas garantem visibilidade estendida para pesquisadores de auroras. A força da tempestade permitiu que as luzes fossem detectadas em latitudes onde o fenômeno raramente é visível com tamanha nitidez.
A observação detalhada dessas luzes contribui para o entendimento da meteorologia espacial e como a energia do Sol interage com as camadas protetoras da Terra. A coleta de dados visuais de alta resolução serve de base para modelos preditivos sobre o comportamento da magnetosfera.
As imagens obtidas durante a viagem pelo litoral da Noruega já estão sendo analisadas para quantificar a taxa de variação da pulsação. A expectativa é que o ciclo solar atual continue proporcionando eventos de alta magnitude até o final do ano, mantendo as regiões polares sob vigilância constante de astrônomos e entusiastas.

