Um homem de uma comunidade tribal no leste da Índia decidiu desenterrar os restos mortais da irmã para mostrar ao banco que ela havia falecido. A ação aconteceu na segunda-feira em uma agência rural no distrito de Keonjhar, no estado de Odisha.
Jitu Munda, de cerca de 50 anos, tentou sacar aproximadamente 19.300 rúpias, o equivalente a R$ 1.020, da conta de Kalara Munda, que morreu dois meses antes. Funcionários pediram documentos oficiais. Ele voltou com os ossos envoltos em um saco plástico.
O episódio expõe dificuldades comuns em áreas rurais da Índia com burocracia bancária e emissão de certidões. Muitos moradores enfrentam barreiras para obter papéis simples. O caso ganhou visibilidade rápida em redes sociais com vídeos do momento.
Homem caminha com restos mortais por quilômetros até a agência
Jitu Munda mora na vila de Dianali, na região de Patna. Ele percorreu cerca de três quilômetros carregando os restos da irmã mais velha, de 56 anos, sob o sol forte. Imagens mostram o homem com o saco nos ombros ao chegar à agência do Odisha Gramya Bank, em Mallipasi.
Funcionários e clientes ficaram chocados com a cena. O banco afirmou que nunca exigiu a presença física da titular. Apenas solicitou a certidão de óbito, documento obrigatório para saques por terceiros. Munda, descrito como analfabeto e diarista, interpretou de forma literal orientações anteriores.
- Ele visitou a agência várias vezes antes do incidente
- Recebeu orientação para comprovar o óbito com documentos
- Decidiu exumar o corpo após novas recusas
- Colocou os restos em frente à agência
- Polícia local foi acionada para acalmar a situação
A irmã foi enterrada originalmente em janeiro. O homem abriu a cova, recolheu os ossos e os levou direto para a agência.
Burocracia rural dificulta acesso a contas de falecidos
Na Índia, o registro de óbitos é obrigatório, mas o processo pode demorar em zonas afastadas. Comunidades tribais como a de Munda muitas vezes lidam com analfabetismo e distância de cartórios. O Indian Overseas Bank, que também comentou o caso em nota, reforçou que o pedido será priorizado assim que a certidão chegar.
Especialistas em direitos das minorias tribais apontam falhas de comunicação entre instituições e populações vulneráveis. Casos semelhantes já ocorreram em outras regiões, sempre ligados à falta de orientação clara.
O valor na conta era pequeno, mas representava importância para a família. Munda atua como trabalhador diário e dependia do dinheiro para despesas básicas. Após o incidente, a polícia orientou o homem sobre os passos corretos e ajudou a enterrar os restos novamente.
Repercussão nas redes e resposta das autoridades
Vídeos do momento circularam rapidamente em plataformas como Instagram e X. Usuários debateram o equilíbrio entre regras bancárias e realidade das áreas rurais. Alguns criticaram a rigidez dos procedimentos. Outros destacaram a necessidade de campanhas educativas sobre documentação.
O banco esclareceu que segue normas do Reserve Bank of India para saques de contas de falecidos. A instituição negou qualquer pedido de presença física da correntista. “O incidente decorreu de falta de conscientização”, disse em comunicado. A liberação dos recursos deve ocorrer em breve com a documentação.
Autoridades locais investigam o caso como forma de prevenir episódios futuros. Equipes de assistência social foram mobilizadas para apoiar a família Munda com os trâmites.
O que muda para famílias em situações semelhantes
O episódio serve de alerta sobre o acesso a serviços financeiros em regiões remotas. Governos estaduais têm ampliado programas de emissão simplificada de certidões, mas a cobertura ainda é irregular.
- Certidão de óbito pode ser obtida em cartórios ou postos de saúde
- Bancos aceitam declaração de herdeiros com documentos
- Campanhas de alfabetização financeira crescem em Odisha
- Parcerias com ONGs ajudam tribos com burocracia
- Aplicativos e centros móveis facilitam registros em áreas rurais
Munda recebeu orientação completa após o fato. O caso deve ser resolvido nos próximos dias, segundo fontes policiais.
Detalhes do incidente e contexto local
Keonjhar é uma região conhecida por mineração e comunidades tribais. A vila de Dianali tem infraestrutura limitada. Moradores relatam que viagens até a cidade para documentos consomem tempo e recursos.
Kalara Munda faleceu em janeiro. A família enterrou o corpo conforme tradições locais. Dois meses depois, a necessidade de acessar a poupança levou ao desfecho inusitado. Ninguém ficou ferido ou foi preso. O foco agora é na regularização.
O episódio ganhou cobertura de veículos como UOL, G1 e The Hindu. Ele ilustra tensões entre normas modernas e realidades tradicionais na Índia contemporânea.

