O piloto brasileiro Lucas di Grassi anunciou oficialmente que vai se aposentar do automobilismo profissional ao término da temporada 2025/26 da Fórmula E. A confirmação ocorreu na manhã desta quinta-feira (30), por meio de uma nota divulgada pelo competidor de 41 anos. O encerramento das atividades nas pistas está programado para o mês de agosto, coincidindo com a rodada final do campeonato de carros elétricos. Atualmente, o paulista defende as cores da equipe Lola Yamaha ABT.
A decisão marca o fim de uma era para o esporte brasileiro internacional. Di Grassi foi um dos pilares na fundação da Fórmula E e conquistou o título mundial na temporada 2016-17. Ele também teve passagem pela Fórmula 1 em 2010 e obteve resultados expressivos no Mundial de Endurance (WEC). O anúncio ocorre em um momento de transição de carreira, onde o atleta pretende iniciar novos projetos fora do cockpit.
Trajetória vitoriosa começou com triunfo histórico em Pequim
Lucas di Grassi gravou seu nome na história como o vencedor da primeira corrida oficial de carros elétricos da FIA, realizada na China em 2014. Durante quase uma década defendendo a Audi, ele se consolidou como o maior recordista de pódios e participações na categoria. Sua regularidade técnica foi o diferencial para superar rivais de peso em circuitos de rua ao redor do globo.
- Título mundial da Fórmula E na temporada 2016-17
- 13 vitórias conquistadas ao longo da carreira na categoria elétrica
- Vice-campeão do Mundial de Endurance (WEC) e das 24 Horas de Le Mans
- Vencedor do primeiro ePrix da história disputado em Pequim
- Recorde de pódios em parceria com a equipe Audi ABT
- Único brasileiro a disputar todas as temporadas da história da Fórmula E
O piloto destacou que as corridas moldaram sua personalidade desde a infância nos subúrbios de São Paulo até a residência atual em Mônaco. “Dei tudo por este esporte”, afirmou o brasileiro em seu comunicado de despedida. Ele reforçou que o automobilismo lhe conferiu disciplina e propósito, especialmente em fases onde os resultados demoravam a aparecer. A gratidão pela vida construída através da velocidade foi o tom predominante da mensagem.
Desafios na temporada atual aceleraram decisão de parada
O desempenho recente na pista foi um fator que chamou a atenção dos analistas de desempenho. No atual Mundial de Pilotos, Di Grassi ocupa a 22ª posição e ainda não conseguiu marcar pontos com o carro da Lola Yamaha ABT. Seus melhores resultados em 2026 foram dois 13º lugares, obtidos nas etapas da Cidade do México e de Miami. A dificuldade em extrair competitividade do equipamento atual pesou na balança para a definição do cronograma de saída.
Apesar da fase difícil, a história de Lucas com a equipe ABT é profunda. Ele retornou ao time após passagens rápidas pela Venturi e pela Mahindra, buscando reeditar o sucesso dos tempos de glória com a montadora alemã. O último pódio registrado pelo brasileiro aconteceu no eP de Miami de 2025, evidenciando que o auge físico e técnico está dando lugar a uma nova fase de mentor ou gestor.
Legado internacional e próximos passos após as pistas
Di Grassi não detalhou quais serão suas funções exatas após agosto de 2026, mas é conhecido por seu ativismo em prol da sustentabilidade e mobilidade elétrica. Ele sempre atuou como um consultor informal para a evolução das baterias e da segurança nos traçados urbanos. Sua saída deixa o Brasil momentaneamente com menos representantes fixos em categorias de topo da Federação Internacional de Automobilismo.
O encerramento da carreira nas pistas será celebrado com homenagens previstas para a rodada dupla final do campeonato. Fãs e colegas de grid já começaram a manifestar apoio nas redes sociais e nos paddocks europeus. Lucas di Grassi sai de cena com o status de um dos pilotos mais completos da sua geração, tendo transitado com sucesso entre o kart, monopostos e carros de turismo de alta tecnologia.

