A fabricante asiática Chery apresentou o utilitário esportivo Tiggo V durante a edição do Auto China 2026. O evento automotivo ocorre na cidade de Pequim. O veículo inédito combina a estrutura de um modelo familiar de sete lugares com uma cabine modular adaptável. Essa arquitetura permite a transformação rápida do compartimento traseiro em uma picape leve de carga.
O projeto utiliza uma plataforma do tipo monobloco focada na versatilidade de uso diário. Engenheiros da marca desenvolveram o sistema para atender tanto o transporte de passageiros quanto demandas utilitárias urbanas. O modelo oferece seis configurações distintas de organização do espaço interno. A proposta tenta unificar dois segmentos tradicionais da indústria automotiva em um único produto comercial, respondendo à crescente demanda global por veículos multifuncionais neste ano de 2026.
Arquitetura interna e as opções de configuração da cabine
A principal inovação do projeto concentra-se na seção traseira do automóvel. Os assentos das fileiras posteriores possuem um mecanismo de remoção e adaptação estrutural. O usuário consegue modificar a área de passageiros para criar uma superfície plana de carga. O processo dispensa o uso de ferramentas complexas ou assistência técnica especializada.
O sistema modular difere dos utilitários esportivos convencionais encontrados no mercado atual. A maioria dos concorrentes oferece apenas o rebatimento dos encostos sobre o assoalho. A solução da montadora chinesa retira fisicamente os componentes para maximizar o volume útil, evitando a perda de espaço vertical comum em bancos rebatidos. Essa flexibilidade atende perfis variados de consumidores que precisam alternar entre rotinas distintas.
A engenharia do veículo estabeleceu diferentes arranjos para o compartimento traseiro. As opções cobrem desde o uso familiar intenso até o transporte de materiais volumosos. O manual do projeto prevê as seguintes disposições principais de uso diário:
- Modo familiar com capacidade total para sete ocupantes completos.
- Modo utilitário com formação de caçamba de aproximadamente 600 litros.
- Configuração com divisórias móveis projetada para cargas longas.
- Layout específico para o transporte de equipamentos de lazer e esporte.
- Opção com espaço ampliado para bagagens em viagens de longa distância.
- Modo misto que preserva alguns assentos junto à área de carga.
O conforto dos ocupantes depende diretamente das dimensões estruturais do chassi. O entre-eixos mede exatos 2.800 milímetros de comprimento. A altura interna atinge a marca de 1.297 milímetros. Esses números facilitam o acesso pelas portas traseiras e melhoram a circulação das pessoas nas últimas fileiras de bancos, garantindo ergonomia em viagens prolongadas.
Capacidade de rodagem e transposição em terrenos irregulares
O utilitário apresenta atributos físicos voltados para o uso misto entre asfalto e terra. A altura livre em relação ao solo mede 220 milímetros. O número supera a média registrada por grande parte dos modelos urbanos comercializados atualmente. A elevação protege os componentes inferiores do chassi contra impactos em estradas sem pavimentação e vias esburacadas.
A suspensão recebeu uma calibração específica para equilibrar o comportamento dinâmico do carro. O conjunto absorve as irregularidades do piso em vias rurais. O sistema também garante a estabilidade direcional durante viagens em rodovias pavimentadas de alta velocidade. A rigidez torcional do monobloco foi reforçada para suportar o peso extra quando o veículo atua no modo picape. O ângulo de ataque dianteiro permite ao motorista superar rampas com inclinação de até 30 graus.
A capacidade de travessia em trechos alagados muda de acordo com o tipo de motorização escolhida pelo comprador. A versão equipada com sistema híbrido suporta incursões em águas com até 700 milímetros de profundidade. A variante movida exclusivamente a combustão atinge o limite de 650 milímetros. Os dados técnicos posicionam o automóvel como uma alternativa viável para o turismo de aventura leve e o tráfego em regiões sujeitas a alagamentos sazonais.
Eficiência de consumo e os sistemas de propulsão disponíveis
O catálogo do automóvel contará com duas opções mecânicas distintas nas concessionárias. A versão híbrida plug-in promete um consumo médio na casa dos 16,7 quilômetros por litro de combustível. O índice equivale a um gasto de 6,0 litros a cada 100 quilômetros rodados. A configuração tradicional a combustão registra uma média de 12,8 quilômetros por litro nas medições de fábrica.
A fabricante mantém sigilo sobre os números exatos de potência combinada dos motores. Os executivos garantem apenas que o torque disponível será suficiente para movimentar o peso total do veículo carregado sem dificuldade. A opção eletrificada deve utilizar a tecnologia da linha Super Hybrid desenvolvida pela própria companhia asiática, focada em otimização de energia.
A busca por eficiência energética domina as estratégias da indústria automotiva global. Os governos exigem níveis cada vez menores de emissões de gases poluentes nos grandes centros urbanos. A adoção de sistemas híbridos plug-in permite que veículos pesados rodem no modo totalmente elétrico durante os trajetos diários curtos, dependendo de recargas em tomadas externas. O motor a combustão entra em funcionamento apenas em viagens longas ou situações de exigência máxima de força.
Posicionamento comercial e a estratégia de expansão global
O lançamento assume o papel de produto global dentro do portfólio da fabricante. O modelo passa a ocupar a posição mais alta da família, ficando acima do atual Tiggo 9. A estratégia comercial mira diretamente as famílias numerosas e os profissionais autônomos que necessitam de um compartimento de carga ocasional sem abrir mão do acabamento superior.
A aposta na modularidade extrema serve como ferramenta de diferenciação frente aos concorrentes tradicionais. O conceito original apareceu pela primeira vez em um estudo de design revelado ao público no ano passado. A transição rápida da fase de protótipo para a linha de montagem demonstra a velocidade de desenvolvimento das marcas asiáticas no cenário atual.
A apresentação no salão de Pequim reforça a agressividade da companhia na busca por novos mercados internacionais. A operação brasileira, comandada pela Caoa Chery, ainda não confirmou a importação ou a produção local do utilitário. Os detalhes sobre os preços sugeridos, as listas de equipamentos de série e a disponibilidade nas lojas sul-americanas permanecem sob análise das diretorias regionais da montadora.

