Academia aprova múltiplas indicações de atores na mesma categoria do Oscar 2027

Oscar

Oscar - LanKS/ Shutterstock.com

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas aprovou mudanças substanciais nas regras para a 99ª edição do Oscar, marcada para 2027. A principal novidade é a permissão para que atores recebam múltiplas indicações na mesma categoria se suas performances estiverem entre as cinco mais votadas. A decisão busca neutralizar práticas de campanha estratégica que historicamente dividiram votos entre performances do mesmo artista.

Até agora, quando um artista aparecia entre os cinco melhores com duas performances na mesma categoria, a que recebia mais votos era declarada indicada, enquanto a outra era removida do processo. A nova regra altera esse mecanismo e permite que ambas as performances sigam adiante na disputa, desde que ambas estejam efetivamente entre as cinco mais votadas. O caso de Kate Winslet em 2008 exemplifica bem esse cenário. Ela concorreu como protagonista por “Foi Apenas um Sonho” e como coadjuvante por “O Leitor”, tendo ganhado o Globo de Ouro em ambas as categorias. Quando as indicações ao Oscar foram anunciadas, porém, “O Leitor” havia sido promovido à categoria de protagonista, e “Foi Apenas um Sonho” ficou de fora. Winslet venceu como melhor atriz por “O Leitor”, mas a situação exemplifica a complexidade anterior das regras.

Mudanças nas categorias de atuação

A alteração nas regras de indicação de atores representa a primeira mudança notável desde 1945. Naquele ano, na 17ª edição do Oscar, Barry Fitzgerald se tornou o único ator na história do prêmio a receber indicações tanto para melhor ator quanto para melhor ator coadjuvante pelo mesmo papel, o Padre Fitzgibbon em “Going My Way” (1944). Logo após esse caso, a Academia limitou cada atuação a uma única indicação, uma restrição que vigorou por mais de oito décadas até esta aprovação.

A mudança alinha as disputas de atuação com o restante da votação do Oscar, onde candidatos de outras categorias já podiam receber múltiplas nomeações. O novo mecanismo tem o potencial de neutralizar algumas das supostas “fraudes de categoria”, prática em que equipes de campanha estrategicamente promovem uma performance para uma categoria diferente da original, visando evitar a divisão de votos entre duas performances do mesmo artista.

Repressão à inteligência artificial e outras mudanças

Além das alterações nas regras de atuação, a Academia implementou diretrizes mais rígidas para o uso de inteligência artificial na produção cinematográfica. As novas normas estabelecem requisitos mais estritos sobre como a IA pode ser utilizada, visando proteger o trabalho criativo humano. A Academia também ampliou a elegibilidade de filmes internacionais, refletindo uma abertura maior para produções de diferentes regiões do mundo.

A decisão sobre os critérios de elegibilidade de filmes internacionais marca uma evolução nos padrões de inclusão global da Academia. Filmes estrangeiros agora têm maior facilidade em competir nas categorias gerais, não ficando restritos apenas à categoria de melhor filme internacional.

Contexto histórico das regras de atuação

As regras de atuação do Oscar remontam aos primórdios do prêmio. O sistema de indicação, porém, nunca havia sido tão permissivo quanto agora. A medida de 1945 que limitou cada atuação a uma única indicação foi implementada como resposta direta ao caso Fitzgerald, estabelecendo um precedente que durou quase 82 anos. Durante esse período, apenas uma campanha estratégica de posicionamento de categorias poderia permitir que um ator com duas performances de qualidade similar concorresse pela segunda vez, o que gerou controvérsias sobre justiça e igualdade de oportunidades.

Os critérios utilizados pela Academia para selecionar os indicados sempre consideraram o total de votos recebidos em cada categoria. A nova regra, portanto, incorpora um sistema que respeita mais fielmente a vontade dos votantes, permitindo que performances com elevado apoio da comunidade cinematográfica avancem juntas na competição.

Implicações para futuras edições

A aprovação dessas mudanças reflete a preocupação contínua da Academia em acompanhar as transformações do cinema contemporâneo. A inclusão de diretrizes sobre inteligência artificial responde a um debate global sobre o papel da tecnologia na criação artística. Enquanto isso, a flexibilização das regras de atuação reconhece a realidade de que artistas excepcionais podem produzir múltiplas performances memoráveis no mesmo ano.

A 99ª edição do Oscar será a primeira a aplicar integralmente essas novas regras. A cerimônia, agendada para 2027, promete trazer competições mais dinâmicas e refletivas da votação real da Academia, potencialmente alterando padrões de campanha e estratégia adotados há décadas pelos estúdios e equipes de marketing cinematográfico.