Adolescente se entrega à polícia e completa apreensões de envolvidos em estupro de crianças em SP

Polícia Civil

Polícia Civil - Foto: site: pc.sc.gov.br

O último adolescente suspeito de participação no estupro coletivo de duas crianças se apresentou à delegacia na manhã desta segunda-feira. O menor, de 15 anos, foi localizado no bairro Ermelino Matarazzo durante cumprimento de mandado de busca e chegou acompanhado da mãe. Com essa apresentação, todos os quatro menores envolvidos no caso foram apreendidos.

O crime ocorreu em 21 de abril em uma comunidade de São Miguel Paulista, na Zona Leste da capital. As vítimas têm 7 e 10 anos. Segundo a investigação, os suspeitos são vizinhos das crianças e as atraíram com o pretexto de soltar pipa antes de cometer o abuso.

Negociação com a família fechou entrega do adolescente

O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, havia anunciado no domingo que o governo estava em processo de negociação com a família do adolescente para sua rendição voluntária. A estratégia surtiu efeito e evitou uma operação mais confrontacional. Gonçalves ressaltou na ocasião que a entrega seria “melhor” para o jovem.

A delegada responsável pela investigação, Janaína da Silva Dziadowczyk, confirmou que a apresentação do menor encerrou a busca pelos suspeitos menores de idade. Agora o foco da polícia se volta para o único adulto ainda em liberdade: a transferência dele para São Paulo.

Mãos algemadas, prisão – DANAI KHAMPIRANON/shutterstock.com

Adulto confessa e será transferido da Bahia nesta segunda

Alesandro Martins dos Santos, de 21 anos, foi localizado em Brejões, no interior da Bahia. Segundo a polícia baiana, ele confessou participação no crime. No momento, ele está detido em Jequié e deve ser transferido para São Paulo ainda nesta segunda-feira para responder pelos crimes em jurisdição paulista.

O adulto será acusado de estupro de vulnerável, corrupção de menores e divulgação de imagens das vítimas. Os adolescentes responderão por estupro de vulnerável, conforme informações da delegada.

Vídeos circularam antes da formalização da denúncia

Detalhes da investigação indicam falhas na comunicação inicial. O crime ocorreu em 21 de abril, mas a polícia só teve conhecimento formal três dias depois. A irmã de uma das vítimas recebeu um dos vídeos e procurou a delegacia para denunciar.

Janaína da Silva explicou que as famílias das crianças sofreram pressão para não registrar boletim de ocorrência. Algumas delas chegaram a deixar suas casas por medo. Ela relatou que os investigadores encontraram dificuldade em localizar as vítimas, que estavam sendo intimidadas.

“Assim que tomamos conhecimento, os investigadores saíram a campo, conseguiram localizar as vítimas. Embora os vídeos estivessem circulando, a família não havia formalizado a denúncia”, disse a delegada.

Apreensão ocorreu em operação de busca coordenada

A polícia realizou operações coordenadas na Zona Leste para localizar os suspeitos. Os investigadores utilizaram as imagens do crime para identificar os envolvidos. A irmã de uma das vítimas foi essencial para desencadear a investigação formal ao levar o vídeo à delegacia.

Os cinco envolvidos, quatro adolescentes e um adulto que moravam no Jardim Pantanal, também na Zona Leste. Eles conheciam as vítimas de suas comunidades vizinhas, o que facilitou o contato inicial sob falsas pretensões.

Um dos adolescentes descreveu o ocorrido como “uma brincadeira que acabou escalando”. A investigação apontou que Alesandro Martins dos Santos iniciou as ações abusivas e foi o responsável por gravar o material.

Próximos passos envolvem rastreamento de compartilhamentos

Após a conclusão do ciclo de prisões dos suspeitos diretos, a polícia vai concentrar esforços na identificação de pessoas que compartilharam os vídeos nas redes sociais. Delegados fizeram apelo público para que o material não seja divulgado, visando evitar mais sofrimento às vítimas e suas famílias.

A divulgação das imagens configura crime por violar a intimidade das vítimas. A polícia considera prioritário rastrear a disseminação do conteúdo e responsabilizar os envolvidos em sua propagação.

O secretário Osvaldo Nico Gonçalves comentou a gravidade do caso ao abordar o conteúdo dos vídeos. Após 45 anos na corporação, ele relatou não ter conseguido assistir o material até o final devido à sua natureza extremamente perturbadora. A fala ressaltou o caráter excepcional da violência registrada.

A delegada confirmou que todas as vítimas foram submetidas a exames e depoimentos formais. Os investigadores também coletaram evidências adicionais para sustentar as acusações contra os cinco suspeitos no processo criminal que se desenrola.