China bloqueia compras de chips H200 apesar de aprovação dos EUA

Bandeira da China

Bandeira da China - Zafer Kurt/ Shutterstock.com

Os Estados Unidos autorizaram aproximadamente dez empresas chinesas a adquirir o H200, o segundo chip de inteligência artificial mais potente da Nvidia. Porém, nenhuma entrega foi concretizada até agora. A paralisação ocorre enquanto o CEO Jensen Huang busca desbloquear as negociações durante visita à China esta semana, acompanhando o presidente Donald Trump em cúpula com o mandatário chinês Xi Jinping.

Huang não estava inicialmente incluído na delegação da Casa Branca para Pequim. Trump o convidou pessoalmente durante uma parada no Alasca, elevando esperanças de que a viagem finalmente desbloqueasse os esforços estancados para vender os chips H200 na China.

Empresas autorizadas enfrentam orientações de Pequim

O Departamento de Comércio dos EUA aprovou a compra do H200 por empresas como Alibaba, Tencent, ByteDance e JD.com. Distribuidoras como Lenovo e Foxconn também receberam autorização para comercializar o chip. Cada cliente aprovado pode adquirir até 75 mil unidades conforme os termos da licença americana.

Apesar da aprovação dos EUA, as empresas chinesas recuaram após orientações do governo de Pequim, segundo pessoas familiarizadas com as negociações. Uma mudança adicional no lado americano também influenciou a paralização, embora os detalhes permaneçam imprecisos. A pressão em Pequim para bloquear ou fiscalizar rigorosamente os pedidos aumenta continuamente.

O secretário de Comércio americano, Howard Lutnick, afirmou em audiência no Senado que o governo central chinês ainda não permite as compras porque tenta concentrar investimentos na indústria nacional. A hesitação estratégica reflete preocupação de que as importações possam enfraqucer o desenvolvimento de chips de inteligência artificial locais.

NVIDIA – Sundry Photography / Shutterstock.com

Cálculo estratégico entre inovação e segurança nacional

Embora os chips chineses de IA permaneçam atrás dos da Nvidia, empresas como DeepSeek demonstram crescente dependência de tecnologia nacional, incluindo produtos desenvolvidos pela Huawei. A mudança de foco para soluções domésticas evidencia a posição cada vez mais precária da Nvidia no mercado chinês.

Huang alertou que os controles de exportação americanos erosionam a posição da empresa. Sua participação no mercado de aceleradores de inteligência artificial na China caiu praticamente a zero. Antes do endurecimento das restrições, a Nvidia controlava aproximadamente 95% do mercado de semicondutores avançados chinês, e o país representava 13% da receita total da empresa.

Huang estimou anteriormente que apenas o mercado de inteligência artificial da China valeria US$ 50 bilhões em 2026, tornando a região estratégica para a empresa mais valiosa do mundo.

Requisitos americanos e preocupações chinesas

Os critérios americanos, emitidos em janeiro, exigem que compradores chineses demonstrem implementação de “procedimentos de segurança suficientes” e comprometam-se a não utilizar os chips para fins militares. A Nvidia também precisa certificar que possui estoque disponível nos Estados Unidos antes de qualquer transação.

Trump negociou um acordo segundo o qual os EUA receberiam 25% da receita das vendas de chips. Essa estrutura requer que as unidades passem pelo território americano antes do envio para a China, contornando restrições legais que impedem a imposição direta de taxas de exportação. O acordo gerou preocupação em Pequim devido a possíveis adulterações ou vulnerabilidades ocultas, embora fontes o descrevam principalmente como mecanismo legal.

A atenção intensificou-se após o Conselho de Estado chinês emitir duas regulamentações recentes sobre segurança de cadeia de suprimentos. Esforço governamental abrangente busca identificar e eliminar dependências estrangeiras em infraestruturas tecnológicas críticas.

Rivalidade tecnológica paralisa comércio aprovado

Os riscos geopolíticos são significativos, evidenciando como a rivalidade tecnológica entre EUA e China prejudica até mesmo transações já autorizadas. A empresa de semicondutores mais valiosa do mundo permanece presa entre prioridades nacionais conflitantes de ambas as potências.

Pesquisadores de segurança nacional questionam a viabilidade do acordo. Chris McGuire, pesquisador sênior para China e tecnologias emergentes no Conselho de Relações Exteriores, declarou que qualquer acordo permitindo à Nvidia vender mais chips para a China significa menos unidades para empresas americanas e menor vantagem dos EUA em inteligência artificial sobre Pequim.

Linha-dura em Washington rejeitam as alegações do governo Trump de que tais vendas impediriam rivais chineses de diminuir a diferença tecnológica. A demora contínua foi bem recebida por críticos que veem a transação como comprometimento da segurança nacional americana.

Impacto e perspectivas no mercado de chips

A situação reflete dinâmica complexa onde tecnologia comercial intersticia interesses de segurança nacional. Ambos os países implementam estratégias agressivas para garantir supremacia em inteligência artificial, tecnologia central para defesa, economia e inovação.

As seguintes questões permanecem sem resposta clara:

  • Quando o governo chinês permitirá efetivamente as compras de H200
  • Se as exigências de segurança americana serão modificadas
  • Como o acordo de compartilhamento de receita será implementado legalmente
  • Se outras tecnologias de semicondutores serão incluídas em futuras negociações
  • Qual o impacto para desenvolvedores de chips chineses concorrentes

Porta-vozes do Departamento de Comércio americano recusaram comentários. O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China e a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma não responderam aos pedidos de esclarecimento. Nvidia, Alibaba, Tencent, ByteDance, JD.com e Foxconn permaneceram silenciosas sobre o assunto.

Lenovo foi a única empresa que confirmou estar entre as autorizadas a vender o H200 na China como parte da licença de exportação da Nvidia, reconhecendo publicamente sua participação no acordo.

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