Huawei anuncia estratégia de chips até 2031 com densidade transistor de 1,4 nanômetro

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Huawei -THINK A / Shutterstock.com

A empresa chinesa Huawei apresentou neste domingo um novo caminho para o desenvolvimento de chips avançados, contornando as restrições impostas pelos Estados Unidos. A companhia espera alcançar densidade de transistores equivalente a processos de 1,4 nanômetro até 2031, mesmo diante dos obstáculos criados pelas sanções norte-americanas que dificultam o acesso a equipamentos semicondutores de última geração.

He Tingbo, presidente da divisão de semicondutores da Huawei e diretora do comitê científico da empresa, apresentou o conceito durante o Simpósio Internacional IEEE sobre Circuitos e Sistemas em Xangai. A estratégia, chamada de Lei de Escalonamento Tau, representa uma mudança de paradigma na indústria, focando em otimização de desempenho através de novos princípios arquitetônicos em vez da simples redução do tamanho dos transistores.

Nova abordagem elimina dependência de miniaturização

A Lei de Escalonamento Tau concentra-se em reduzir o tempo necessário para que sinais e dados se movimentem pelos chips e sistemas computacionais. Esse modelo oferece à Huawei uma alternativa viável para melhorar o desempenho e a densidade dos processadores mesmo com as limitações tecnológicas impostas pelas sanções internacionais.

A Huawei afirmou que seus chips Kirin, programados para lançamento no segundo semestre de 2026, serão os primeiros a utilizar uma arquitetura relacionada chamada LogicFolding. Conforme a empresa, essa tecnologia reduzirá significativamente o comprimento das conexões internas dos chips e melhorará consideravelmente o desempenho geral dos dispositivos.

Desde 2019, a companhia desenvolveu e produziu em massa 381 chips baseados na Lei de Escalonamento Tau. Os processadores estão em uso em diversos setores da indústria:

  • Smartphones e celulares
  • Computação de inteligência artificial
  • Infraestrutura de rede
  • Dispositivos de computação em nuvem
  • Sistemas embarcados e IoT

Contexto das sanções e resposta estratégica

As restrições comerciais contra a Huawei iniciaram em 2019, quando o governo dos Estados Unidos alegou riscos de espionagem virtual em favor do governo chinês. Na mesma época, o Google suspendeu seus principais acordos com a empresa, limitando o acesso aos serviços de software mais importantes da gigante americana.

Washington implementou restrições severas ao acesso da Huawei a ferramentas avançadas de litografia e outras tecnologias-chave de semicondutores. Essas medidas afetaram diretamente a capacidade da empresa de usar os equipamentos mais modernos para fabricação de chips de ponta.

Diante desse cenário desafiador, a Huawei investiu em tecnologias próprias para contornar as sanções. A empresa desenvolveu seu próprio sistema operacional para celulares, reduzindo a dependência de plataformas estrangeiras. Agora, com a Lei de Escalonamento Tau, a companhia busca autonomia também na arquitetura e design de semicondutores, criando um caminho inovador que não dependa exclusivamente da miniaturização de transistores.

Desempenho financeiro e perspectivas de mercado

O crescimento da Huawei em 2025 atingiu 2,2% em receita, chegando a US$ 127,5 bilhões. Esse resultado marca uma desaceleração significativa em comparação ao crescimento de 22,4% registrado em 2024, refletindo o impacto contínuo das sanções na operação global da empresa.

Os principais impulsionadores do faturamento em 2025 foram a infraestrutura de rede e os dispositivos de consumo, enquanto o segmento de computação em nuvem apresentou queda no faturamento. Apesar dessa contração, o lucro líquido da empresa cresceu 8,6%, chegando a US$ 9,8 bilhões, indicando melhoria na eficiência operacional.

O resultado anual de 2025 representa a segunda maior receita da história da Huawei, ficando abaixo apenas do recorde de US$ 128,9 bilhões alcançado em 2020. Esse patamar demonstra a resiliência da companhia mesmo sob pressão regulatória internacional intensificada.

Relevância global da densidade de 1,4 nanômetro

A meta de densidade transistor de 1,4 nanômetro estabelecida pela Huawei para 2031 coloca a empresa próxima da fronteira global da fabricação avançada de chips no fim desta década. Essa densidade é comparável aos processos que as principais fabricantes ocidentais esperam dominar no mesmo período.

Embora a Huawei não tenha apresentado dados independentes de desempenho da Lei de Escalonamento Tau, a ambição é significativa para uma empresa operando sob restrições comerciais. O sucesso dessa estratégia poderia reposicionar a fabricante chinesa como líder em inovação semicondutora, oferecendo alternativas viáveis ao modelo tradicional de miniaturização.

A apresentação em Xangai durante o ISCAS 2026 reforça o compromisso da Huawei com a inovação contínua em semicondutores. O conceito de Lei de Escalonamento Tau foi exposto sob o título “Novo Caminho dos Semicondutores na Prática”, sinalizando que a empresa já não busca apenas replicar tecnologia ocidental, mas criar novos paradigmas de desempenho.

Beatriz: Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.