As farmacêuticas Cimed e Hypofarma iniciaram o recolhimento voluntário de lotes específicos de três medicamentos amplamente utilizados no país. A medida foi publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira e engloba dois controladores de colesterol e um corticoide injetável após a descoberta de falhas na embalagem e na solução de um dos produtos.
O lote 2424299 da Cimed contém dois medicamentos da classe das estatinas: atorvastatina cálcica 40 mg e rosuvastatina cálcica 20 mg. A suspeita é de que cartuchos de rosuvastatina tenham sido misturados à embalagem da atorvastatina, criando risco de o paciente ingerir o medicamento errado. Como as dosagens e compostos diferem, essa troca poderia causar danos à saúde.
Medicamentos recolhidos e seus números
A Hypofarma também retirou de circulação o fosfato dissódico de dexametasona 4 mg/ml (solução injetável em caixa com 50 ampolas), lote 25091566. O injetável apresentava turvação quando diluído com outros medicamentos, comprometendo sua segurança.
Os medicamentos atingidos são:
- Atorvastatina cálcica 40 mg — Cimed, lote 2424299
- Rosuvastatina cálcica 20 mg — Cimed, lote 2424299
- Fosfato dissódico de dexametasona 4 mg/ml — Hypofarma, lote 25091566
Ambas as empresas agiram após identificarem os problemas internamente e decidiram puxar os produtos do mercado para evitar riscos aos pacientes. As duas farmacêuticas já informaram a Anvisa sobre as ações de recolhimento.
Para que servem os medicamentos recolhidos
Atorvastatina e rosuvastatina integram a rotina de muitos brasileiros que controlam colesterol. Esses remédios reduzem o colesterol LDL (ruim) e triglicerídeos, enquanto a rosuvastatina ainda auxilia na elevação do colesterol HDL (bom). Médicos prescrevem essas substâncias para prevenir doenças cardiovasculares graves como infarto e acidente vascular cerebral.
Já o fosfato dissódico de dexametasona é um corticoide potente utilizado em hospitais e clínicas. Ele combate inflamações severas, crises alérgicas intensas, doenças autoimunes, complicações de pele e inchaços generalizados pelo corpo. O medicamento é injetável e sua aplicação ocorre sobretudo em ambientes clínicos.
Procedimentos para pacientes e hospitais
Pacientes que possuem os lotes específicos devem suspender o uso imediatamente e procurar orientação médica. Hospitais e clínicas que adquiriram o corticoide da Hypofarma também precisam ser notificados para fazer a substituição segura dos estoques.
As empresas Cimed e Hypofarma estão em contato com distribuidoras e unidades de saúde para coordenar a troca e devolução dos produtos. A orientação é não descartar os medicamentos em lixo comum, mas devolvê-los à farmácia ou estabelecimento de saúde mais próximo.
O recolhimento é caracterizado como voluntário porque as próprias fabricantes detectaram os problemas e iniciaram o processo sem pressão regulatória imediata. Ainda assim, a medida segue rigorosamente as normativas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária e integra as publicações oficiais do governo federal.