Jason Kidd deixou o cargo de treinador principal do Dallas Mavericks na noite de terça-feira, 19 de maio, após cinco temporadas no comando da franquia. O anúncio partiu da equipe texana, que agora busca uma nova direção técnica sob supervisão do recém-contratado presidente de operações Masai Ujiri.
O proprietário Patrick Dumont concedeu total autonomia a Ujiri para decidir o futuro de Kidd, apesar de o técnico possuir quatro anos e mais de US$ 40 milhões remanescentes em seu contrato. Dumont havia renovado o contrato de Kidd durante a campanha das finais de 2024 e novamente antes da última temporada, inclusive recusando o pedido do New York Knicks para entrevistá-lo meses atrás.
Ujiri anuncia reformulação na estrutura técnica
Ujiri divulgou comunicado oficial explicando a decisão. “Ao avaliarmos o futuro do nosso programa de basquete, acreditamos que este é o momento certo para uma nova direção para nossa equipe. Temos grandes expectativas para esta franquia e a responsabilidade de construir uma organização de basquete capaz de disputar campeonatos de forma consistente”, afirmou o presidente.
A busca pelo próximo treinador será minuciosa e disciplinada. Além da mudança no comando técnico, Ujiri sinalizou revisão completa da equipe de operações de basquete para garantir competitividade no padrão esperado pela torcida dos Mavericks. Durante sua apresentação em Dallas no dia 5 de maio, o presidente havia mantido tom cauteloso sobre a continuidade de Kidd, mencionando que manteve George Karl em Denver e Dwane Casey em Toronto em suas passagens anteriores, mas que analisaria a organização “de cima a baixo”.
Bastidores da saída e ambições não realizadas
Fontes revelaram que Kidd manifestou desejo de ser promovido a presidente de operações de basquete após a demissão do gerente geral Nico Harrison em novembro. Dumont, porém, informou meses atrás que Kidd não seria considerado para cargo na diretoria. O técnico também foi mantido à margem do processo que resultou na contratação de Ujiri, aprofundando a distância entre ele e a cúpula organizacional.
Tensões cresceram especialmente após a controversa troca de Luka Doncic para o Los Angeles Lakers em fevereiro de 2025, negócio que resultou na chegada de Anthony Davis. Kidd insistiu não ter conhecimento do acordo até “a última hora”, mas sócio minoritário Mark Cuban acusou o técnico de envolvimento direto na decisão durante participação em podcast em abril. A frustração de Kidd com problemas de condicionamento físico de Doncic era notória internamente.
Números de Kidd em Dallas e trajetória
Durante cinco anos, Kidd registrou 205 vitórias e 205 derrotas à frente dos Mavericks. Nos playoffs, a franquia conquistou 22 vitórias contra 18 derrotas, chegando às finais da Conferência Oeste em 2022 e às finais da NBA em 2024, maior realização do período. Contudo, os números recentes revelam impacto da reconstrução:
- Recorde de 136 vitórias e 87 derrotas com Doncic em quadra
- Recorde de 69 vitórias e 118 derrotas sem Doncic
- Marca de 26 vitórias e 56 derrotas na última temporada
- Carreira como treinador principal: 388 vitórias e 395 derrotas
Kidd iniciou carreira como técnico no Brooklyn Nets em 2013, imediatamente após aposentar-se como jogador de Hall da Fama. Entre 2014 e 2018, dirigiu o Milwaukee Bucks. Antes de chegar a Dallas, acumulou experiência significativa no comando de duas franquias distintas, consolidando presença entre os técnicos de ponta da liga.
Reconstrução com Cooper Flagg
A última temporada dos Mavericks foi marcada por reconstrução estratégica. Anthony Davis, frequentemente lesionado, foi trocado para o Washington Wizards no prazo final de trocas. O movimento criou flexibilidade financeira necessária para estruturar time em torno de Cooper Flagg, primeira escolha do draft e Novato do Ano. Esse cenário de instabilidade contribuiu para desempenho de 26-56 na campanha regular.
Legado como jogador e conexão histórica
Kidd possui ligação profunda com a franquia desde sua origem. Foi selecionado pelos Mavericks no draft de 1994 e desempenhou papel fundamental no único campeonato da equipe em 2011, durante sua segunda passagem pelo time texano. Seu retorno como técnico cinco anos atrás representava continuidade com história vencedora, promessa que não se concretizou pela série de decisões administrativas problemáticas fora de seu controle.

