A presidente do Palmeiras, Leila Pereira, apresentou uma queixa-crime contra o torcedor Murylo Mikael Santos por difamação. A ação foi motivada por pichações realizadas nos muros da bilheteria do Allianz Parque após a derrota do clube para o Novorizontino por 4 a 0, no dia 20 de janeiro, pela primeira fase do Campeonato Paulista. As inscrições continham frases ofensivas direcionadas à dirigente e ao técnico Abel Ferreira.
Pereira argumenta que a frase “Leila, seu negócio é roubar”, deixada pelo torcedor, imputou fato gravemente ofensivo à sua reputação, especialmente ligado à sua atividade profissional. A defesa da presidente sustenta que a mensagem feriu tanto a honra objetiva quanto a subjetiva da querelante e configura o crime de difamação sob as majorantes previstas pelo Código Penal Brasileiro.
Pichações após resultado adverso
O incidente ocorreu na sequência da goleada sofrida pelo Verdão diante do Novorizontino na competição estadual. Além da frase direcionada a Leila Pereira, torcedores inscreveram outras mensagens nos muros da bilheteria, incluindo “Abel, acabou a magia?”, “time sem vergonha” e “SPAlmeiras”.
As imagens de câmeras de segurança instaladas no entorno da bilheteria permitiram a identificação dos responsáveis pelos atos. O clube registrou boletim de ocorrência e um inquérito policial foi instaurado para investigar os casos de danos ao patrimônio e possíveis crimes contra a honra.
Murylo Mikael Santos foi detido e confirmou ser responsável pela pichação específica com a frase ofensiva à presidente. Após sua identificação, Leila Pereira formalizou a queixa-crime contra ele perante a Justiça.
Fundamentos legais da ação
Na petição da queixa-crime, a defesa de Pereira sustenta que o ato praticado pelo torcedor caracteriza difamação tipificada no artigo 139 do Código Penal, com aplicação das majorantes dos incisos III e IV do artigo 141 do mesmo diploma legal. O documento afirma que ao inscrever a mensagem, o querelado teceu grave ofensa contra a honra da querelante.
A argumentação jurídica ressalta que a simples leitura da pichação “Leila seu negócio é roubar” revela a imputação de fato gravemente ofensivo. O texto aponta que a frase sugere, ainda que de forma vaga e genérica, que a presidente faz do “roubo” seu “negócio”, entendido como meio de vida ou atividade profissional.
Segundo a petição, fica inconteste o crime de difamação diante dos elementos de autoria, materialidade e nexo de causalidade comprovados pelas imagens de câmeras de segurança. A defesa requer a condenação de Murylo Mikael Santos nas penas previstas pela legislação penal, deixando ao tribunal a fixação da pena concreta.
Outros casos e contexto do incidente
As pichações não foram direcionadas apenas à presidente. O técnico Abel Ferreira também recebeu críticas inscritas nos muros com a frase “Abel, acabou a magia?”, em referência ao desempenho da equipe na competição estadual.
Além das mensagens personalizadas, torcedores deixaram inscrições gerais sobre o desempenho do time, como “time sem vergonha” e “SPAlmeiras”, estas últimas sem alvo específico. O clube mantém acompanhamento dos casos para determinar se haverá outras ações legais relacionadas às demais pichações.
O boletim de ocorrência e o inquérito policial seguem em trâmite nas autoridades competentes. A investigação continua com base nas provas documentadas pelas câmeras de segurança do Allianz Parque, que registraram os atos no momento de sua execução.
Próximos compromissos do Palmeiras
O Palmeiras concentra atenção agora em seus compromissos na Conmebol Libertadores. O confronto contra o Cerro Porteño está marcado para o dia 20 de maio, às 21h30 (horário de Brasília), em jogo válido pela fase de grupos da competição continental.
A situação jurídica com o torcedor ocorre em contexto de pressão sobre o time após o resultado negativo no Campeonato Paulista. Os próximos resultados na Libertadores serão determinantes para o desempenho da temporada do clube.

