Muçulmanos são convidados a observar jejuns de Tarwiyah e Arafah no Dzulhijjah, conforme orientações

Jacarta Indonesia - Akhmad Dody Firmansyah / Shutterstock.com

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Entre as recomendações sunnah de grande virtude durante o mês sagrado de Dzulhijjah, destacam-se os jejuns de Tarwiyah e Arafah, particularmente para os muçulmanos que não estão realizando a peregrinação do Hajj. Essas práticas devocionais oferecem uma oportunidade significativa para a purificação espiritual e a obtenção de vastas recompensas divinas.

O jejum de Tarwiyah é tradicionalmente observado no oitavo dia de Dhul-Hijjah, enquanto o jejum de Arafah ocorre no nono dia. Ambos os períodos são considerados de grande santidade, inseridos nos dez primeiros dias de Dzulhijjah, um tempo profundamente amado por Allah SWT e propício para o acúmulo de boas ações e devoção intensa.

Virtudes do Jejum de Arafah e a Narrativa de Seus Benefícios

A prática do jejum de Arafah possui um forte respaldo em hadiths autênticos, que detalham os benefícios espirituais de sua observância. Conforme narrado pelo Imam Muslim, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) declarou a respeito do jejum neste dia sagrado, estabelecendo-o como um ato de purificação.

O Profeta Muhammad (SAW) afirmou que “O jejum no dia de Arafah pode apagar os pecados do ano passado e do ano vindouro.” Esta declaração, presente em diversas compilações hadith, sublinha a profundidade da graça divina associada a este jejum, oferecendo aos fiéis uma oportunidade de remissão de faltas. É um incentivo claro para que os muçulmanos se dediquem a esta prática.

Embora um hadith atribua a Ibn Abbas a virtude de jejuar Tarwiyah (apagando um ano de pecados) e Arafah (apagando dois anos), muitos estudiosos o classificam como *dha’if* (fraco) devido a falhas na cadeia de transmissão. No entanto, o jejum de Tarwiyah não perde sua legitimidade, pois é sustentado por outros hadiths que incentivam o aumento de boas ações nos primeiros dias de Dzulhijjah. A erudição islâmica reconhece que atos de devoção, especialmente os jejuns voluntários, são altamente recomendados neste período abençoado, mesmo quando baseados em narrativas que não atingem o mais alto grau de autenticidade, desde que se refiram às virtudes das boas ações (*fadhail a’mal*).

O Jejum de Tarwiyah: Precaução e Boas Ações em Dzulhijjah

O jejum de Tarwiyah, observado no dia 8 de Dhul-Hijjah, embora possa não ter um hadith *sahih* específico mencionando-o isoladamente, é amplamente apoiado pelo princípio geral de aumentar as boas ações durante os primeiros dez dias de Dzulhijjah. Este período é descrito em hadiths como um tempo em que as boas ações são mais amadas por Allah.

Uma narração do Profeta (SAW), conforme registrado por Al-Bukhari, destaca que “Não há dia em que as boas ações sejam mais amadas por Allah do que estes dias (os primeiros dez dias do mês de Dzulhijjah).” Quando questionado se isso se aplicava mesmo em comparação com o jihad, o Profeta (SAW) respondeu que nem mesmo o jihad, exceto para aquele que sai para lutar com alma e bens e não retorna com nada, se equipara. Este hadith serve como uma base sólida para a recomendação de qualquer boa ação, incluindo o jejum, no dia de Tarwiyah, que é parte integrante desse período sagrado. A palavra “Tarwiyah” significa “matar a sede” ou “pensar” e refere-se ao dia em que os peregrinos do Hajj tradicionalmente se preparavam para a jornada até Mina, garantindo água e suprimentos, ou ponderando sobre os ritos do Hajj.

Imam Ibn Hajar al-Haitami (falecido em 974 AH) forneceu uma justificação adicional para o jejum de Tarwiyah: a prudência. Segundo ele, jejuar no oitavo dia de Dhul-Hijjah é uma medida de precaução para garantir que os muçulmanos não percam as virtudes do Dia de Arafah, caso haja alguma discrepância na determinação exata da data lunar. Ele escreveu em *Minhaj al-Qowim Syarah Muqoddimah al-Hadromiyah* que “o oitavo dia é recomendado como forma de precaução em relação ao dia de Arafah.”

Complementando essa visão, Sheikh Abu Bakar Syatha ad-Dimyathi (falecido em 1310 H) reforçou a ideia em *I’anah ath-Thalibin*, afirmando que “Aqueles que são mais cuidadosos também jejuam no dia 8 de Dzulhijjah, porque talvez esse seja o verdadeiro dia de Arafah.” Esta perspectiva demonstra a sabedoria dos ulemás em incentivar práticas que maximizam as chances do fiel de obter as bênçãos dos dias mais sagrados do calendário islâmico, mesmo diante de possíveis incertezas no cálculo das datas. Além disso, o jejum de Tarwiyah é intrinsecamente recomendado por fazer parte das ações piedosas realizadas na glória dos primeiros dez dias do mês de Dzulhijjah, um período de devoção intensificada para toda a comunidade muçulmana global.

Jejum de Arafah para Peregrinos do Hajj e Não-Peregrinos

A prática do jejum de Arafah, embora altamente recomendada para a maioria dos muçulmanos, possui uma distinção importante para aqueles que estão realizando a peregrinação do Hajj. Sheikh Nawawi al-Bantani (falecido em 1316 AH), em seu livro *Nihayah az-Zain Fi Irsyad al-Mubtadiin*, esclarece que este jejum é “muito sunnah” para os não-peregrinos. Ele enfatiza que o jejum de Arafah é um dos jejuns sunnah mais destacados devido à sua imensa virtude, que é a de ser um meio para o perdão dos pecados do ano anterior e do ano vindouro.

Contudo, para os peregrinos do Hajj que estão em Arafat realizando o *wukuf* (a permanência em imobilidade e súplica), o jejum neste dia é considerado *khilaf al-aula*, o que significa que é preferível não jejuar. Essa exceção é baseada na necessidade dos peregrinos de manterem sua força física e energia para maximizar o tempo de *wukuf*, dedicando-se intensamente à recitação de orações, súplicas (*dua*) e lembrança de Allah (*dhikr*). A prioridade para o peregrino em Arafat é a devoção plena no *wukuf*, que é o pilar mais essencial do Hajj.

A orientação do Profeta Muhammad (SAW) reforça essa distinção, conforme relatado por Aishah (que Allah esteja satisfeito com ela), que ele foi questionado sobre o jejum em Arafah e disse: “O jejum apaga os pecados do ano passado e do ano vindouro. Quanto aos peregrinos do Hajj, jejuar no dia de Arafah é um erro.” Esta orientação visa facilitar a execução dos ritos do Hajj sem exaustão, permitindo que os peregrinos se concentrem totalmente em sua conexão espiritual e súplicas durante o ápice da peregrinação. A flexibilidade do Islã sempre prioriza a capacidade do indivíduo e a essência da adoração, adaptando-se às circunstâncias específicas de cada situação.

Perdão de Pecados e Aumento de Recompensas no Islã

Os benefícios do jejum nos dias de Tarwiyah e Arafah vão além da simples observância religiosa, adentrando o reino da purificação espiritual e do enriquecimento das boas ações. Sheikh Abu Bakar bin Muhammad Syatha ad-Dimyathi (falecido em 1310 AH) esclareceu que os pecados perdoados pelo jejum no Dia de Arafah referem-se especificamente aos pecados menores, que não envolvem os direitos de terceiros. Esta distinção é crucial na teologia islâmica.

Pecados graves, de acordo com os ensinamentos islâmicos, exigem um arrependimento sincero e completo (*tawbah nasuh*), que envolve o abandono do pecado, o remorso pelo ato cometido e a firme intenção de não repeti-lo. Já os direitos humanos, ou as injustiças cometidas contra outras pessoas, só podem ser perdoados mediante a restituição ou o perdão da própria pessoa lesada. A justiça social e a reconciliação entre os indivíduos são aspectos fundamentais da fé islâmica, e nenhum ato de adoração, por mais virtuoso que seja, pode substituir a necessidade de retificar wrongs contra o próximo.

Além do perdão de pecados menores, o Sheikh ad-Dimyathi também explicou que, se uma pessoa não tiver pecados menores para serem perdoados, Allah (SWT) magnificará suas recompensas por suas boas ações. O Islã ensina que cada boa ação é multiplicada em recompensa, especialmente em tempos abençoados como os primeiros dez dias de Dzulhijjah. Essa generosidade divina garante que a devoção do fiel nunca seja em vão, sempre resultando em benefícios espirituais. De fato, a promessa de perdão para o ano seguinte também carrega a boa notícia de que a pessoa terá a oportunidade de viver até esse ano, com a permissão de Allah, o que é, em si, uma grande bênção e um sinal de esperança para o futuro do crente. Assim, os jejuns de Tarwiyah e Arafah são não apenas um meio de purificação, mas também uma fonte de esperança, bênçãos e um convite para uma vida de contínua retidão e gratidão.

Orientações para a Intenção do Jejum de Tarwiyah e Arafah

Para que os jejuns de Tarwiyah e Arafah sejam válidos e recebam as devidas recompensas, a intenção (*niyyah*) é um elemento fundamental. A intenção é um ato do coração, não meramente uma declaração verbal, mas expressá-la verbalmente ajuda a firmar o propósito no coração. Basicamente, o período para formular a intenção desses jejuns voluntários é o mesmo que para outros jejuns, estendendo-se desde o pôr do sol do dia anterior até o amanhecer do dia do jejum.

Contudo, a escola jurídica Shafi’i, que é amplamente seguida em muitas partes do mundo islâmico, permite a formulação da intenção para jejuns sunnah durante o dia. Essa permissão é válida desde que a pessoa não tenha feito nada que invalide o jejum desde o amanhecer, como comer, beber ou ter relações íntimas. Mesmo assim, é fortemente preferível e mais recompensador formular a intenção durante a noite, antes do amanhecer, para garantir o benefício completo do jejum desde o seu início e para seguir a prática mais comum e unânime dos sábios.

As expressões de intenção para ambos os jejuns são simples e diretas, visando firmar o propósito de jejuar por Allah Ta’ala:

  • Expressão de Intenção para o Jejum de Tarwiyah
  • * نَوَيْتُ صَوْمَ تَرْوِيَةَ سُنَّةً لِلّٰهِ تَعَالَى
    * *Nawaitu shauma tarwiyata sunnatan lillāhi ta’ālā.*
    * Significado: “Pretendo jejuar segundo a sunnah de Tarwiyah por causa de Allah Ta’ala.”

  • Expressão de Intenção para o Jejum de Arafah
  • * نَوَيْتُ صَوْمَ عَرَفَةَ سُنَّةً لِلّٰهِ تَعَالَى
    * *Nawaitu shauma ‘arafata sunnatan lillāhi ta’ālā.*
    * Significado: “Pretendo jejuar segundo a sunnah de Arafah por causa de Allah Ta’ala.”

A clareza e a sinceridade na intenção são cruciais, pois as ações são julgadas pelas intenções. Estes jejuns representam oportunidades valiosas para os muçulmanos intensificarem suas boas ações e aprimorarem sua conexão espiritual com Allah durante os abençoados dias de Dzulhijjah. Além de serem um meio eficaz de perdão para pecados menores, eles prometem abundantes bênçãos e grandes recompensas do Criador. Portanto, é altamente encorajador que os muçulmanos aproveitem plenamente o impulso espiritual dos primeiros dez dias do mês de Dzulhijjah, dedicando-se especialmente aos jejuns sunnah no oitavo e nono dias. Que Allah facilite a todos a realização desses atos de devoção e aceite seus esforços.

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