IPCA-15 sobe 0,62% em maio com alta de alimentos e energia elétrica

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IPCA - Foto: mikel soria arbilla/istock.com

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial do país, avançou 0,62% em maio. O resultado, divulgado nesta quarta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficou acima das expectativas do mercado, que projetava alta de 0,57%. Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses chegou a 4,64%, permanecendo acima do teto da meta de 4,5% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional para 2026.

Apesar da desaceleração em relação a abril, quando o índice havia avançado 0,89%, o resultado de maio mantém pressões inflacionárias no país. Em maio de 2025, o IPCA-15 havia registrado apenas 0,36%, evidenciando uma aceleração interanual de 72,2%. O sistema de meta de inflação passou a operar em modelo contínuo no ano passado, no qual o cumprimento é acompanhado mês a mês com base na inflação acumulada em 12 meses.

Alimentos disparam e dominam pressões do mês

O grupo alimentação e bebidas foi o principal responsável pelo resultado de maio, avançando 1,38% e registrando o maior impacto individual no IPCA-15 do período. A pressão continuou vindo dos alimentos consumidos em casa, embora o ritmo de alta tenha desacelerado levemente, passando de 1,77% em abril para 1,73% em maio.

Entre os itens que mais encareceram no mês, batata-inglesa liderou com aumento de 26,29%, seguida por tomate com alta de 12,97%. Leite longa vida subiu 6,07% e carnes avançaram 1,98%. Essas pressões concentraram-se em produtos básicos do orçamento das famílias brasileiras.

Alguns itens tiveram queda relevante, ajudando a conter uma alta ainda maior. Maçã caiu 2,32% e café moído recuou 2,09%. Ainda assim, o saldo do grupo ficou significativamente positivo, evidenciando que as altas superaram amplamente as quedas no período.

Habitação sente pressão da energia elétrica

O grupo habitação ganhou força em maio e subiu 1,03%, puxado principalmente pelo aumento da energia elétrica residencial. A eletricidade residencial avançou 2,16% e teve o maior impacto individual no IPCA-15 do mês entre todos os produtos e serviços pesquisados.

A pressão veio, sobretudo, da volta da bandeira tarifária amarela, que adiciona cobrança extra na conta de luz dos consumidores. Além disso, algumas capitais tiveram reajustes significativos nas tarifas de energia:

  • Fortaleza registrou aumento de 5,59%
  • Salvador teve alta de 4,78%
  • Recife avançou 3,86%

Essas variações regionais refletem decisões de distribuidoras estaduais e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sobre os reajustes das tarifas. O impacto na conta de luz atinge diretamente o orçamento doméstico, influenciando o custo de vida em regiões específicas do país.

Saúde e cuidados pessoais avançam com medicamentos

O grupo saúde e cuidados pessoais subiu 1,05% em maio, pressionado principalmente pelos produtos de higiene pessoal, medicamentos e planos de saúde. Produtos de higiene pessoal avançaram 1,60%, enquanto produtos farmacêuticos subiram 1,25% e planos de saúde registraram alta de 0,50%.

No caso dos medicamentos, a alta reflete o reajuste autorizado de até 3,81% nos preços dos remédios, em vigor desde 1º de abril. A medida, que permite aumentos anuais nos medicamentos, impacta diretamente os gastos das famílias com saúde e pressiona o índice inflacionário.

Produtos de higiene pessoal também apresentaram pressão significativa, com aumentos generalizados. Essa categoria afeta tanto o consumo doméstico quanto os gastos de empresas e instituições que adquirem esses insumos em volume.

Combustíveis aliviam transportes após pressão forte em abril

Após pressionarem fortemente a prévia da inflação em abril, quando avançaram 6,06%, os combustíveis passaram a registrar queda de 1,47% em maio, ajudando a aliviar o índice no período. O recuo foi puxado pelas baixas no etanol (-2,73%), no óleo diesel (-2,04%) e na gasolina (-1,32%), enquanto o gás veicular teve alta de 2,12%.

A desaceleração acontece em meio às medidas adotadas pelo governo federal para conter a alta dos combustíveis diante da disparada do petróleo no mercado internacional, causada pelas tensões no Oriente Médio. Entre as ações anunciadas estão subsídios temporários para diesel e gasolina, além de benefícios tributários para reduzir o impacto da alta internacional sobre os preços internos.

Apesar da queda nos combustíveis, as passagens aéreas voltaram a subir em maio, com avanço de 3,25%, após queda de 14,32% no mês anterior. Esse aumento reflete pressões no setor de aviação e nos custos operacionais das companhias aéreas.

Demais grupos oscilam entre quedas e altas moderadas

Entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, transportes foi o único que registrou queda, com recuo de 0,33%, principalmente por causa da performance dos combustíveis. Os demais grupos variaram entre estabilidade praticamente nula e altas moderadas.

Vestuário avançou 0,36%, comunicação também subiu 0,36%, e despesas pessoais tiveram alta de 0,50%. Artigos de residência registraram aumento de 0,21%, enquanto educação praticamente não se mexeu, com avanço de apenas 0,01%.

Essa variação diversificada entre os grupos mostra que a pressão inflacionária está distribuída, mas concentrada em categorias essenciais como alimentação, energia e saúde. Serviços menos essenciais mantêm pressões mais contidas.

Contexto da meta de inflação e perspectivas

O resultado de maio mantém a inflação acumulada em 12 meses em 4,64%, superando o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional em 0,14 ponto percentual. A meta central para 2026 é de 3%, com limite máximo de 4,5%.

A manutenção da inflação acima do teto, apesar da desaceleração em relação a abril, evidencia que as pressões inflacionárias continuam presentes na economia. Alimentação, energia e serviços de saúde seguem como os principais vetores de pressão sobre os preços ao consumidor.

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