Saúde

Médico fica paraplégico após sangramento de cavernoma raro na medula espinhal

Lucas Hoffmann
Lucas Hoffmann - Instagram

Lucas Hoffmann saiu de um plantão médico andando normalmente e, em poucas horas, perdeu o movimento das pernas. Um sangramento provocado por um cavernoma na medula espinhal, malformação vascular rara, interrompeu a comunicação nervosa. O médico, que atua na rede pública do Paraná, enfrenta agora reabilitação intensa. A recuperação completa de lesões medulares ainda representa um desafio aberto na medicina.

O cavernoma forma um emaranhado de vasos sanguíneos frágeis. No caso dele, a condição surgiu na medula espinhal, onde ocorre em apenas 2% dos diagnósticos. Isso equivale a cerca de um em cada 100 milhões de pessoas. O primeiro sangramento aconteceu no fim de 2025. Dores cervicais intensas levaram ao diagnóstico.

Médicos detectaram a malformação após exames. A lesão afetou a sensibilidade e os movimentos abaixo do umbigo. Ele iniciou fisioterapia e recuperou parte da sensibilidade em seis meses. O objetivo era retomar o atendimento médico até agosto.

Segundo sangramento eleva gravidade da lesão

Em abril, novo sangramento surpreendeu Lucas Hoffmann. A dor cervical voltou forte. Em horas, ele perdeu força também nos braços. O sangramento subiu para a vértebra C4. A equipe transferiu o paciente de avião para São Paulo.

No Hospital Sírio-Libanês, o neurocirurgião Francisco Sampaio comandou o procedimento. A cirurgia durou oito horas. Equipe utilizou monitoramento neurológico intraoperatório com 180 eletrodos. Isso permitiu mapear áreas sensíveis em tempo real.

O cavernoma foi retirado por completo. Lucas recuperou a força total no braço que ainda funcionava antes da operação. A medula mostrou sinais de potencial recuperação, segundo os médicos. Mesmo assim, não há garantias de evolução.

  • O cavernoma na medula espinhal ocorre em apenas 2% dos casos
  • A condição afeta cerca de uma em cada 100 milhões de pessoas
  • Primeiro sangramento interrompeu movimentos das pernas
  • Segundo episódio comprometeu também os braços
  • Cirurgia removeu toda a malformação vascular

Reabilitação depende de resposta individual do organismo

A lesão medular não tem tratamento que restaure a conexão nervosa interrompida. A melhora varia conforme a gravidade do dano, a rapidez da intervenção e a capacidade de regeneração de cada paciente. Neurocirurgiões estimam que até 30% dos casos apresentam algum grau de recuperação com fisioterapia.

Lucas Hoffmann mantém rotina de reabilitação. Ele já recuperou sensibilidade até o umbigo e sente a coxa. O médico divide sua experiência nas redes sociais. São 77 mil seguidores acompanhando o dia a dia na cadeira de rodas.

Ele atende pacientes de forma adaptada enquanto se recupera. “Quero ser o melhor médico que posso ser e cumprir meu legado de ajudar pessoas que passam pelo mesmo processo”, afirma. O foco permanece na atuação profissional.

Polilaminina ainda aguarda estudos clínicos completos

Pesquisadores testam a polilaminina como possível opção para regeneração em lesões medulares agudas. A substância recebeu autorização de uso compassivo da Anvisa para pacientes sem alternativas. Cerca de 60 pessoas já receberam o tratamento até o início do ano.

Os ensaios clínicos em humanos ainda não começaram. A fase 1, que avalia segurança, aguarda análise de comitê de ética. Publicação em revista científica revisada por pares também não ocorreu. O laboratório Cristália lidera o desenvolvimento.

Especialistas reforçam que a recuperação atual depende principalmente da fisioterapia e do potencial natural do organismo. Não existe medicamento aprovado que reverta lesões medulares completas.

Impacto na rotina e no exercício da medicina

Lucas Hoffmann trabalhava normalmente antes do primeiro episódio. A transição para a cadeira de rodas mudou sua vida em meses. Ele relata barreiras de acessibilidade em ambientes públicos e profissionais.

Mesmo afastado do consultório presencial, o médico busca contribuir com o conhecimento adquirido como paciente. Ele fala sobre adaptações necessárias e sobre a importância do diagnóstico precoce de condições raras.

A jornada continua. A equipe médica acompanha a evolução após a segunda cirurgia. O caso ilustra os limites e as possibilidades da reabilitação em lesões medulares graves.

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