Tesouro Direto registra alta nas taxas com Focus elevando Selic para 13,5%

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Selic - Foto: Rmcarvalho/ Istockphoto.com

As taxas do Tesouro Direto abriram em alta nesta segunda-feira. O movimento reflete o temor com a inflação que ganhou força após o payroll americano da sexta-feira. O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central elevou a projeção para a Selic em 2026 para 13,5% ao ano. A estimativa para o IPCA do mesmo ano subiu para 5,11%.

Investidores digerem os sinais de pressão nos preços. Títulos indexados à inflação lideraram os ganhos de rendimento na abertura dos negócios.

Títulos de inflação lideram altas e batem máximas do ano

O Tesouro IPCA+ 2050 saiu de 7,19% na sexta-feira para 7,32% nesta segunda. A alta de 13 pontos-base foi a mais acentuada entre os papéis disponíveis. Títulos de prazos longos concentraram o movimento de elevação.

O IPCA+ 2060 com juros semestrais avançou de 7,43% para 7,53%. Já o IPCA+ 2040 subiu de 7,54% para 7,64%. No segmento mais curto, o IPCA+ 2032 passou de patamar próximo a 8% e chegou a 8,28%. Esses ajustes mostram que o mercado precifica um risco inflacionário mais persistente na curva longa.

  • Tesouro IPCA+ 2032: IPCA + 8,28%
  • Tesouro IPCA+ 2040: IPCA + 7,64%
  • Tesouro IPCA+ 2050: IPCA + 7,32%
  • Tesouro IPCA+ 2060 (semestrais): IPCA + 7,53%

Analistas apontam combinação de fatores externos e internos. O payroll forte nos Estados Unidos alimentou expectativas de juros mais altos por lá. No Brasil, a revisão do Focus reforçou o cenário de inflação acima da meta.

Tesouro Direto – Foto: Sidney de Almeida / Shutterstock.com

Prefixados sobem de forma mais moderada na sessão

Os títulos prefixados registraram variações menores. O Prefixado 2029 foi de 14,69% para 14,72%. O Prefixado 2032 avançou para 14,70%. E o Prefixado com Juros Semestrais 2037 atingiu 14,74%. A assimetria entre os dois tipos de papéis indica foco maior na inflação de longo prazo do que em juros nominais curtos.

Essa dinâmica sugere que investidores incorporam um período prolongado de juros elevados. O petróleo pressionado pela situação no Oriente Médio e a divulgação do IPCA de maio nesta semana adicionam elementos de cautela.

Economistas avaliam impacto das projeções revisadas

Otávio Araújo, consultor da ZERO Markets Brasil, destacou o IPCA como contraponto local relevante. A elevação nas expectativas de inflação para 2026 reduz espaço para cortes de juros no curto prazo. Leonardo Costa, do ASA, observou que o IPCA de maio pode mostrar alguma desaceleração, mas o balanço qualitativo segue deteriorado com pressões em serviços e bens industrializados.

O mercado monitora ainda a reação do Banco Central. A autoridade monetária tem sinalizado atenção à inflação persistente. Projeções mais altas para a Selic indicam que o ciclo de ajuste pode se estender.

O que muda para o investidor comum no Tesouro Direto

Quem busca proteção contra a inflação encontra oportunidades em títulos de prazos longos. Os IPCA+ oferecem rendimentos reais atrativos no momento. No entanto, a volatilidade aumenta com as incertezas globais e domésticas. Investidores precisam avaliar o horizonte de aplicação antes de posicionar recursos.

O Tesouro Selic continua como opção para reserva de liquidez diária, com rendimento atrelado à taxa básica mais um pequeno spread. Já os prefixados atendem quem aposta em uma trajetória de juros estável ou em queda futura, embora com menor atratividade na abertura de hoje.

Contexto macroeconômico influencia curva de juros

Dados americanos fortes elevaram temores de que o Federal Reserve adie ou reverta cortes de juros. Isso pressiona mercados emergentes como o Brasil. Aqui, a inflação acumulada e revisões sucessivas no Focus pintam um quadro de desafios para o controle de preços.

O IPCA de maio, previsto para sair nos próximos dias, será acompanhado de perto. Qualquer surpresa positiva ou negativa pode ajustar ainda mais as taxas dos títulos públicos.

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