Dólar hoje e Mercado financeiro: moeda reduz perdas e Ibovespa cai com tensões entre EUA e Irã no radar dos investidores

Dólar, dinheiro

Dólar, dinheiro - Ruslan Lytvyn/shutterstock.com

O dólar opera em queda nesta segunda-feira (1º), registrando um recuo de 0,03% por volta das 10h50 e sendo cotado a R$ 5,0409. Contudo, a moeda americana diminuiu as perdas iniciais ao longo da manhã, reagindo aos desenvolvimentos nas negociações entre os Estados Unidos e o Irã. O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, acompanhava o movimento de cautela global, caindo 0,67% no mesmo horário, atingindo 172.621 pontos.

A dinâmica dos mercados reflete a persistência de um cenário geopolítico volátil e a expectativa pelos dados econômicos que influenciam as decisões de investidores. A sexta-feira anterior (29) já havia sido marcada por uma alta de 0,21% para o dólar, que fechou em R$ 5,0424. No mesmo dia, a bolsa encerrou em baixa de 0,73%, aos 173.787 pontos, consolidando um recuo acumulado superior a 7% em maio.

Tensões no Oriente Médio pressionam mercados globais

O conflito no Oriente Médio mais uma vez exerce pressão sobre os mercados financeiros internacionais nesta segunda-feira. A agência de notícias iraniana Tasnim reportou a interrupção das tratativas entre a equipe de negociação do Irã e os Estados Unidos. Essa paralisação ocorreu após Israel anunciar novos ataques direcionados ao Líbano, com o Irã condicionando qualquer eventual acordo futuro a um cessar-fogo imediato na região.

A escalada da instabilidade geopolítica impactou diretamente o preço do petróleo no mercado internacional. Próximo das 10h50, o barril do Brent, que serve como referência global, registrava alta de 4,89%, cotado a US$ 95,58. O West Texas Intermediate (WTI), principal indicador para os Estados Unidos, também apresentava valorização significativa, subindo 5,77% e alcançando US$ 92,40 por barril.

Desdobramentos internos e indicadores econômicos no radar

No Brasil, os investidores continuam atentos à decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Esse tema de relevância bilateral pautou discussões no cenário político e econômico. Mais cedo, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, comunicou à rádio CBN que pretende se reunir com autoridades americanas ainda nesta semana para abordar a questão e seus possíveis desdobramentos.

Além disso, a agenda de indicadores econômicos trouxe informações relevantes para o mercado doméstico. O Banco Central divulgou pela manhã o Boletim Focus, relatório semanal que consolida as previsões de economistas para diversos índices macroeconômicos. Nesta edição, o mercado elevou a projeção para a inflação de 2026 para 5,09%, marcando a décima segunda alta semanal consecutiva, indicando uma deterioração nas expectativas.

Perspectivas econômicas: inflação e crescimento

O mercado financeiro ajustou novamente suas projeções para a inflação brasileira em 2026. Segundo o Boletim Focus, a expectativa inflacionária subiu de 5,04% para 5,09%, refletindo a preocupação com os fatores de pressão atuais. A principal causa apontada para essa piora nas projeções é a elevação do preço do petróleo, diretamente influenciada pela intensificação do conflito no Oriente Médio.

O aumento do custo do petróleo gera um risco de elevação nos preços dos combustíveis, como gasolina e diesel, impactando o transporte e a cadeia produtiva. Consequentemente, a pressão sobre a inflação geral da economia brasileira se intensifica. Apesar da revisão na inflação, os economistas consultados mantiveram as expectativas de queda da taxa de juros para os próximos anos. Eles também aumentaram ligeiramente a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026.

    Outras previsões do mercado indicam:
  • Produto Interno Bruto (PIB) em 2026: projeção passou de 1,89% para 1,90%.
  • Dólar no fim de 2026: expectativa caiu de R$ 5,17 para R$ 5,16.

Cenário global e a atividade industrial

O ambiente econômico global também influencia o desempenho dos mercados. Na Ásia, as bolsas operaram sem uma direção única nesta segunda-feira, com diferentes resultados entre os principais índices. Dados recentes sobre a indústria chinesa, que se mostraram mais fracos que o esperado, alimentaram preocupações entre os investidores quanto ao ritmo de crescimento da segunda maior economia mundial.

O índice de Xangai registrou recuo de 0,27%, fechando em 4.057 pontos, enquanto o CSI300 caiu 0,98%, para 4.844 pontos. Em contraste, outras bolsas asiáticas apresentaram desempenho positivo: o Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,86%, atingindo 25.398 pontos. O Nikkei, do Japão, avançou 1,4%, para 67.231 pontos, e o Kospi, da Coreia do Sul, teve um salto expressivo de 3,68%, finalizando em 8.788 pontos. Nos Estados Unidos, investidores acompanham os índices PMI industrial e ISM manufatureiro, que fornecem um panorama da atividade industrial e da força econômica do país.

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