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O Ministério da Saúde suspendeu a aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan a partir desta segunda-feira (8). A medida ocorre após o registro de 42 casos de reações adversas, incluindo três graves, com duas mortes suspeitas ainda em investigação.

A decisão foi anunciada durante coletiva de imprensa com participação da Anvisa. Até o momento, foram aplicadas cerca de 500 mil doses do imunizante, majoritariamente em profissionais de saúde da atenção primária.

Reações adversas motivam alerta às pessoas vacinadas

Quem recebeu a dose nos últimos 21 dias deve buscar acompanhamento em uma unidade de saúde. Os sintomas que exigem atenção imediata incluem febre, dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, tontura, sangramentos, sonolência intensa, irritabilidade, sinais de desidratação e piora do estado geral.

  • Febre
  • Dor abdominal intensa e contínua
  • Vômitos persistentes
  • Tontura
  • Sangramentos
  • Sonolência intensa
  • Irritabilidade
  • Sinais de desidratação
  • Piora do estado geral

O Ministério da Saúde orienta monitoramento ativo na rede hospitalar a partir de terça-feira (9). Isso inclui casos de dengue em vacinados recentes, pacientes com sinais de alarme e óbitos suspeitos. A vigilância será feita por aglomerados, lote, unidade ou território.

Profissionais reforçam que a maioria das reações registradas até agora é leve ou moderada. Ainda assim, o sistema de farmacovigilância identificou eventos considerados inesperados em relação aos estudos clínicos anteriores.

Investigação preliminar não confirma causalidade direta

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que não há dados suficientes até o momento para estabelecer ligação causal entre a vacina e os três casos graves. “É um sinal de alerta”, afirmou durante a coletiva.

Eder Gatti, diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), explicou que a suspensão busca ganhar tempo para estudos adicionais. A medida permite avaliar a vacina em diferentes cenários epidemiológicos e grupos populacionais. Ele reforçou que a decisão não invalida a eficácia do imunizante.

Pessoas que já foram vacinadas continuam protegidas contra os quatro sorotipos da dengue, segundo as autoridades. A vacina Butantan-DV é de dose única e foi a primeira totalmente desenvolvida no Brasil.

Vacina começou a ser aplicada em janeiro com foco em profissionais

A imunização teve início no começo de 2026, priorizando profissionais de saúde. Cidades-piloto como Botucatu (SP), Nova Lima (MG) e Maranguape (CE) também receberam doses para avaliação de impacto.

Dos 500 mil doses aplicadas, cerca de 417 mil foram destinadas a trabalhadores da atenção primária. As demais foram usadas nos municípios selecionados para o estudo piloto.

O Instituto Butantan foi procurado para comentar a suspensão, mas não retornou até a publicação. A vacina passou por ensaios clínicos com milhares de participantes antes da incorporação no SUS.

Medida temporária preserva estratégia de combate à dengue

A suspensão é preventiva. Autoridades sanitárias seguem protocolos padrão de segurança quando surgem eventos raros na fase de uso em larga escala. O PNI mantém vigilância contínua sobre todos os imunizantes.

Especialistas lembram que a dengue continua circulando no país. Medidas como eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti seguem fundamentais. A vacinação, quando recomendada novamente, deve se somar a essas ações.

Detalhes técnicos da vacina e próximos passos

A Butantan-DV é tetravalente e age contra os quatro tipos conhecidos do vírus. Seu desenvolvimento durou anos e envolveu parceria com o Ministério da Saúde. Estudos iniciais indicaram boa segurança e eficácia em diferentes faixas etárias.

  • Dose única
  • Produção 100% nacional
  • Foco inicial em profissionais de saúde
  • Monitoramento por lote e território
  • Investigação em andamento de eventos adversos

O Ministério da Saúde deve atualizar a população conforme avançarem as análises. Unidades de saúde guardam as doses restantes, que não devem ser aplicadas enquanto a suspensão vigorar.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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