Os peritos fluminenses enfrentam dificuldades para confirmar oficialmente a identidade de Oliver Tree, uma das seis vítimas fatais da colisão aérea ocorrida no último domingo. Devido ao estado de carbonização dos restos mortais do músico, os métodos visuais tradicionais tornaram-se inviáveis. Para solucionar o impasse, as autoridades de segurança pública do Rio de Janeiro confirmaram a coleta de material biológico visando o cruzamento de dados genéticos.
Profissionais do Instituto Médico-Legal Afrânio Peixoto, situado na região central da capital fluminense, concentram os esforços iniciais no estudo da arcada dentária do norte-americano. Caso os registros odontológicos não forneçam resultados conclusivos, o sequenciamento de DNA desponta como a via definitiva para a liberação legal do cadáver.
Agentes da 42ª Delegacia de Polícia, no Recreio dos Bandeirantes, conduzem o inquérito civil sobre o desastre. Até o momento, a corporação atestou a identidade dos brasileiros Alexandre Souza, Charles Marsillac e Lucas Brito, juntamente com os cidadãos da Argentina Lucas Vignale e Gaspar Prim. De forma simultânea, especialistas do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) mapeiam os destroços com o objetivo exclusivo de entender a dinâmica da batida e evitar ocorrências similares no futuro, atuando de forma paralela à investigação criminal.
Representantes diplomáticos dos Estados Unidos emitiram uma nota de pesar direcionada aos parentes do vocalista. O comunicado oficial destacou que as tratativas para o transporte internacional dos restos mortais ocorrerão sob sigilo absoluto, garantindo a privacidade dos familiares neste momento delicado.
Nascido no estado da Califórnia, Oliver Tree Nickell iniciou sua jornada na indústria fonográfica durante os anos de juventude. O ponto de virada aconteceu na década passada, quando o sucesso repentino da faixa “When I’m Down” garantiu a assinatura de um contrato com a gravadora Atlantic Records. A partir desse momento, o artista construiu uma identidade visual inconfundível, marcada por roupas largas, cortes de cabelo excêntricos e atuações teatrais que dominaram as plataformas digitais.
O compositor desembarcou em solo brasileiro poucos dias antes do incidente fatal, cumprindo a agenda de uma turnê internacional. Durante sua estadia no Rio de Janeiro, ele fez questão de visitar a Rocinha, a comunidade mais populosa do país. Na favela, o estrangeiro andou na garupa de mototáxis, provou o tradicional churrasco de rua e participou de uma pelada com os moradores locais.
A versatilidade definia o trabalho do norte-americano, que transitava entre a composição, o rap e a direção de vídeos. O catálogo musical do artista acumula sucessos que ultrapassaram fronteiras, como “Miss You” e “Life Goes On”, consolidando uma discografia composta por quatro álbuns de estúdio completos.
O perfil oficial do músico no Instagram registrou um salto expressivo de seguidores após a tragédia, passando de 2,3 milhões para mais de 4,1 milhões de contas conectadas. A última atualização na rede social funcionou como um diário de sua experiência carioca, exibindo momentos em que ele arriscava palavras em português, cortava o cabelo no estilo “zeca”, assava carnes e jogava futebol nas vielas da comunidade.
Antes desse registro, o californiano já havia demonstrado seu apreço pela cultura nacional em outra publicação. Em um vídeo gravado ao lado do criador de conteúdo Lucas Vinícius, famoso pelo canal Lucas Inutilismo, o estrangeiro cravou que o cenário do rock brasileiro supera amplamente o mercado americano. O encontro também contou com a presença do influenciador digital Akihito.
Parcerias de peso e números expressivos marcam a carreira internacional de Oliver Tree
O acidente aéreo colocou um ponto final em uma caminhada repleta de produções virais e colaborações com gigantes da indústria fonográfica. Com uma média superior a 11 milhões de reproduções mensais no Spotify, o vocalista construiu uma reputação baseada no humor ácido e na capacidade de misturar gêneros musicais distintos.
Durante uma década de atuação profissional, o californiano quebrou barreiras sonoras ao trabalhar com produtores de diferentes vertentes. Seu currículo inclui projetos conjuntos com Travis Barker, Marshmello, Diplo, David Guetta e o brasileiro Alok, responsável por criar uma versão remixada da faixa “Life Goes On” que dominou as pistas de dança.
O trabalho desenvolvido ao lado do produtor alemão Robin Schulz figura entre os pontos mais altos de sua biografia. A faixa “Miss You”, lançada no ano de 2022, quebrou recordes de audiência nos serviços de streaming e serviu como o principal cartão de visitas do cantor para o público global.
A incursão pelo universo da música eletrônica ganhou um novo capítulo recentemente, graças à aliança com David Guetta. A dupla disponibilizou a música “Here We Go Again” em 2024, fundindo a estética pop característica do norte-americano com as batidas aceleradas do EDM, o que garantiu presença constante em festivais do gênero.
O impacto da perda gerou reações imediatas entre seus parceiros de estúdio, especialmente Diplo. O DJ utilizou seus perfis na internet para publicar um texto emocionante, classificando o amigo falecido como um membro da família e exaltando a mente brilhante que guiava suas criações artísticas ao longo dos últimos anos.
A facilidade de transitar por ritmos diferentes também levou o cantor aos estúdios de rap. Diplo relembrou um episódio curioso envolvendo o rapper Tyga, revelando que bastou uma rápida ida ao banheiro para que o californiano transformasse a base instrumental da gravação em uma música de ataque cômica e totalmente improvisada.
A relação profissional com Marshmello rendeu frutos importantes em diferentes momentos da linha do tempo do artista. A parceria mais notória entre os dois ocorreu na produção da faixa “Hurt”, cujos elementos sonoros serviram de fundação para o futuro lançamento do hit mundial “Miss You”.
O leque de colaborações do vocalista engloba ainda trabalhos com o produtor Whethan, o britânico KSI e o grupo russo Little Big. Essa diversidade de parceiros comprova a flexibilidade do músico em adaptar sua voz a qualquer ambiente sonoro sem perder a essência de seu personagem.
Videoclipes antigos geram teorias sobre supostas premonições do acidente aéreo
A tragédia no Rio de Janeiro fez com que os internautas resgatassem um material audiovisual divulgado há apenas quatro meses. No clipe oficial da música “Flowers”, o compositor aparece fisicamente posicionado entre duas aeronaves de asas rotativas, imagem que rapidamente alimentou teorias sobre um suposto aviso do destino.
A produção cinematográfica, lançada no dia 20 de fevereiro, mostra o protagonista

