Fragmento rochoso achado no deserto do Saara comprova existência de planeta extinto no Sistema Solar

Meteorito

Meteorito - Foto: Just_Super/istock

Vestígios de um corpo celeste massivo que habitou os primórdios da nossa vizinhança cósmica acabam de ser confirmados graças a um fragmento resgatado nas areias do deserto do Saara. O objeto espacial possuía dimensões intermediárias, situando-se em uma escala de tamanho entre a nossa Lua e o planeta Marte, mas acabou completamente aniquilado por dinâmicas violentas que os astrônomos ainda tentam desvendar. Uma das hipóteses mais robustas aponta para uma desintegração gerada por um impacto colossal, um evento extremamente corriqueiro durante a juventude caótica do universo, período em que embriões planetários frequentemente colidiam para formar os mundos que conhecemos hoje.

Características singulares da rocha vulcânica mais antiga já catalogada

O artefato que desencadeou essa descoberta atende pelo nome técnico de NWA 12774, consistindo em um pedaço de rocha espacial com cerca de 454 gramas, coletado por exploradores no ano de 2019. Especialistas classificaram o material como um angrito, uma vertente raríssima de meteoritos de origem vulcânica que figura entre as amostras mais antigas já documentadas pela ciência moderna. Sua cristalização ocorreu em uma janela de tempo muito restrita, poucos milhões de anos após o nascimento da nossa estrela principal, datando de impressionantes 4,56 bilhões de anos atrás.

Solar system, planets – Vadim Sadovski/shutterstock.com

Para compreender a magnitude dessa raridade e o peso da descoberta, é necessário observar o cenário atual dos registros astronômicos mantidos por institutos de pesquisa:

  • Existem mais de 80 mil meteoritos devidamente catalogados em instituições ao redor do globo terrestre.
  • Desse montante gigantesco, menos de 70 exemplares pertencem à classe específica dos angritos.
  • A amostra analisada carrega assinaturas térmicas de resfriamento rápido que não existem na maioria dos fragmentos conhecidos.

Essa peça específica de detrito interplanetário preserva uma assinatura química totalmente atípica em seu interior. A anomalia estrutural demonstra de forma clara que uma parcela significativa dos primeiros corpos celestes se desenvolveu sob regras termodinâmicas muito diferentes daquelas que moldaram os planetas rochosos que orbitam o Sol atualmente, exigindo uma revisão dos modelos de formação planetária.

Nova pesquisa da Universidade do Colorado muda o entendimento científico

Durante décadas, o consenso acadêmico predominante defendia que os angritos eram fragmentos resultantes da explosão de um asteroide mediano, com um diâmetro estimado em cerca de 200 quilômetros. Contudo, um levantamento recente conduzido pelo geocientista Aaron Bell, pesquisador da Universidade do Colorado, apresentou um cenário completamente inédito para a comunidade astronômica. Análises minuciosas de laboratório detectaram a presença de clinopiroxênio rico em alumínio nas entranhas da rocha, um mineral cuja formação exige níveis de compressão absurdamente elevados para se estabilizar.

Pressões extremas superam as profundezas dos oceanos terrestres

Ao simular em ambiente controlado as exatas condições termodinâmicas que deram origem ao meteorito, a equipe de especialistas constatou que o mineral só poderia ter se desenvolvido sob uma pressão mínima de 17,5 kilobars. Para efeito de comparação prática, esse índice supera em mais de 17 vezes a força esmagadora registrada no fundo da Fossa das Marianas, o abismo mais profundo de todos os oceanos da Terra. Uma força de compressão dessa magnitude jamais existiria no núcleo de um asteroide de pequeno porte, o que comprova inquestionavelmente a existência de um corpo celeste de proporções gigantescas, conforme detalha o artigo publicado no periódico científico Earth and Planetary Science Letters.

Projeções de tamanho do mundo perdido antes da colisão fatal

Com base nesses dados de compressão extrema, os cientistas calcularam que o angrito se formou nas camadas superficiais de um objeto esférico com pelo menos 1.800 quilômetros de diâmetro, o que o torna ligeiramente mais volumoso que o nosso satélite natural. As estimativas mais otimistas do modelo matemático indicam que esse protoplaneta poderia alcançar até 3.200 quilômetros de extensão, mantendo-se em uma escala inferior ao tamanho de Marte, mas grande o suficiente para possuir um núcleo metálico e atividade geológica complexa.

O pesquisador Aaron Bell destacou o fascínio gerado por essa revelação, ressaltando o quão surpreendente é constatar que um mundo de dimensões tão vastas orbitou o nosso sistema e simplesmente desapareceu sem deixar rastros visíveis. O geocientista pontuou que a humanidade só tem conhecimento sobre a existência desse gigante extinto porque, por um acaso cósmico, alguns estilhaços de sua destruição sobreviveram à longa jornada pelo vácuo e caíram na superfície terrestre bilhões de anos depois.

Arquivos de laboratório podem esconder outros planetas esquecidos

Os autores do estudo fazem questão de frisar que uma quantidade incalculável de meteoritos permanece guardada em gavetas e cofres de laboratórios universitários, aguardando tecnologia adequada para verificação. O avanço contínuo dos equipamentos de espectrometria e das simulações de alta pressão indica que futuras varreduras nesses materiais arquivados têm um potencial enorme para revelar a existência de diversos outros mundos perdidos que ajudaram a pavimentar os estágios iniciais da nossa arquitetura solar.

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