Fies 2026 abre inscrições com novas regras para financiamento estudantil e formas de pagamento

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FIES - Foto: rafastockbr / Shutterstock.com

O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) mantém para 2026 as modalidades de crédito que permitem a estudantes de baixa renda cursar o ensino superior em instituições privadas. O programa oferece financiamento de até 100% das mensalidades para candidatos com renda familiar mensal per capita de até três salários mínimos, o que corresponde a R$ 4.863 em 2026. As inscrições ocorrem em dois períodos ao longo do ano, com processos seletivos que utilizam exclusivamente a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A modalidade principal do programa não cobra juros durante o curso, apenas uma taxa de 3,8% ao ano durante a fase de amortização, que começa após 18 meses da formatura.

Quem pode participar do Fies em 2026

Para se inscrever no Fies, o candidato precisa ter realizado alguma edição do Enem a partir de 2010, com nota mínima de 450 pontos na média das cinco provas e não ter zerado a redação. A renda familiar mensal bruta por pessoa deve ser de até três salários mínimos. Além disso, o estudante não pode ter diploma de curso superior. A lista de requisitos inclui ainda a necessidade de matrícula em instituição de ensino superior participante do programa, em curso com avaliação positiva no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes). Estudantes que já possuem financiamento ativo em outro curso não podem contratar novo Fies.

fies Foto: MEC

Candidatos que se enquadram em critérios de vulnerabilidade socioeconômica têm prioridade na concessão do financiamento. O sistema utiliza dados do Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) para identificar automaticamente esses perfis. Professores da rede pública de educação básica em exercício que buscam licenciatura também recebem tratamento prioritário. A documentação exigida no momento da contratação inclui comprovantes de renda de todos os membros do grupo familiar, documentos pessoais e certificado de conclusão do ensino médio.

Como funciona o processo de inscrição

O calendário do Fies divide o ano em dois processos seletivos principais. O primeiro ocorre no início do primeiro semestre letivo, geralmente entre fevereiro e março. O segundo processo acontece no meio do ano, entre junho e julho, para vagas do segundo semestre. As inscrições são feitas exclusivamente pela internet, através do portal oficial do Fies. O candidato pode selecionar até três opções de curso, em ordem de preferência, e acompanhar diariamente sua classificação parcial.

Após o encerramento das inscrições, o sistema divulga o resultado em data específica. Os selecionados na chamada única têm prazo de cinco dias úteis para complementar as informações no sistema e apresentar a documentação na Comissão Permanente de Supervisão e Acompanhamento (CPSA) da instituição de ensino. Candidatos não selecionados podem manifestar interesse na lista de espera, que é utilizada pelas instituições para preencher vagas remanescentes. Todo o processo é gratuito e não exige intermediários.

Modalidades de financiamento disponíveis

  • Fies: modalidade principal, para renda familiar per capita de até três salários mínimos, com taxa de juros de 3,8% ao ano
  • P-Fies: financiamento com participação de bancos privados, destinado a candidatos com renda superior a três salários mínimos per capita
  • Fies Social: reserva de vagas para estudantes com renda per capita de até meio salário mínimo cadastrados no CadÚnico

Cada modalidade possui regras específicas de contratação e amortização. O Fies tradicional permite que o estudante escolha financiar de 50% a 100% do valor da mensalidade. A instituição de ensino define o percentual mínimo que aceita financiar. Durante o período de estudos, o beneficiário paga trimestralmente um valor simbólico de até R$ 150, referente a juros. O P-Fies funciona com recursos de fundos constitucionais e de desenvolvimento e bancos privados, com taxas de juros variáveis conforme a instituição financeira.

Como funcionam os pagamentos e prazos

O financiamento concedido pelo Fies é dividido em três fases distintas. A primeira é a fase de utilização, que corresponde ao período em que o estudante está cursando a graduação. Nessa etapa, não há cobrança do valor principal financiado, apenas dos juros trimestrais. A segunda fase é o período de carência, que dura 18 meses após a conclusão do curso. Durante a carência, o estudante paga mensalmente valor equivalente aos juros, calculado sobre o saldo devedor.

A terceira fase é a amortização, quando começa efetivamente o pagamento do valor financiado. O prazo para quitar a dívida é de até três vezes o período financiado, com limite de 20 anos. O valor da parcela é calculado com base na renda do ex-estudante e não pode ultrapassar 10% da renda bruta mensal. O sistema prevê a possibilidade de antecipação de pagamentos sem multas ou taxas adicionais. Caso o beneficiário comprove desemprego ou renda insuficiente, pode solicitar suspensão temporária das parcelas.

Regras de parcelamento e quitação antecipada

O saldo devedor do Fies pode ser quitado antecipadamente a qualquer momento, com descontos que variam conforme o percentual pago. A legislação estabelece abatimentos progressivos para pagamentos à vista de valores superiores a 10% do saldo total. Estudantes que desejam antecipar a quitação podem fazer simulações no portal do Fies para verificar o valor atualizado da dívida e os descontos aplicáveis. O sistema também permite a amortização parcial, reduzindo o número de parcelas restantes.

Em caso de inadimplência, o contrato prevê encargos moratórios e a possibilidade de inscrição em cadastros de proteção ao crédito. O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), gestor do programa, notifica o devedor antes de qualquer medida restritiva. Estudantes em dificuldade financeira podem solicitar renegociação das parcelas, apresentando documentação que comprove a impossibilidade temporária de pagamento. O programa também oferece possibilidade de abatimento da dívida para profissionais que atuam como professores da rede pública de educação básica, mediante comprovação e cumprimento de requisitos específicos estabelecidos em portarias do Ministério da Educação.

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