Parastoo Ahmadi, artista iraniana é sentenciada a 74 chibatadas após cantar em live sem hijab e desafiar lei local

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Cantora iraniana Parastoo Ahmadi

Cantora iraniana Parastoo Ahmadi - reprodução Youtube

Uma condenação severa foi proferida contra a cantora iraniana Parastoo Ahmadi, de 29 anos, que receberá 74 chibatadas por ter se apresentado publicamente sem o hijab. O incidente ocorreu durante uma transmissão ao vivo, destacando a rigorosidade das leis no país.

O ativismo artístico de Parastoo Ahmadi e as leis do Irã

Parastoo Ahmadi é reconhecida como cantora, cineasta e compositora independente no Irã, tornando-se uma figura de resistência cultural. Com formação em direção cinematográfica pela Universidade Internacional Soureh, em Teerã, ela também se especializou em gêneros musicais tradicionais iranianos, abrangendo estilos clássicos e folclóricos regionais.

Durante sua performance controversa, a artista utilizava um vestido de alças, sem o hijab, um véu que cobre cabelo e pescoço, e que é exigência legal para mulheres em espaços públicos no Irã. Esta peça de vestuário não é apenas um símbolo religioso, mas um pilar da moralidade pública imposta pelo regime, e sua não observância é tratada como um desafio direto à autoridade estatal e aos valores islâmicos conservadores que regem a sociedade iraniana.

A notoriedade de Ahmadi cresceu exponencialmente em 2022, no auge dos protestos intitulados “Mulher, Vida, Liberdade”. Esses movimentos foram desencadeados após o falecimento de Mahsa Amini, uma jovem de 22 anos, de origem curda.

Mahsa Amini havia sido detida por supostamente não usar o hijab de maneira apropriada. Sua morte, ocorrida no hospital apenas três dias após sua prisão e após entrar em coma, gerou comoção. Uma investigação conduzida pela Organização das Nações Unidas (ONU) responsabilizou o Irã pela violência física que levou à morte da jovem.

Gravações de Parastoo Ahmadi interpretando a música “Az Khoone Javanane Vatan” (que significa “Do Sangue da Juventude da Pátria”) viralizaram na internet após o caso de Amini. A canção foi adotada como um hino pelos manifestantes, e o trabalho da artista passou a ser interpretado no contexto de performances que ganharam relevância em períodos de instabilidade política no país.

A decisão judicial de 74 chibatadas e o futuro da equipe

Além da própria Ahmadi, outros oito indivíduos de sua equipe de produção enfrentam a possibilidade de receber a mesma punição, segundo informações. O vídeo em questão foi veiculado em 2024, através do canal da artista na plataforma YouTube.

Documentos do tribunal também revelam que os envolvidos foram impedidos de exercer qualquer atividade artística por um período de dois anos. Adicionalmente, o tribunal de Qom impôs a proibição de saída do país aos artistas, acusando-os de atentar contra a moral pública por produzir e disseminar “conteúdo vulgar” online.

Na ocasião da transmissão ao vivo, Parastoo Ahmadi cantou “Az Khoone Javanane Vatan” sem o hijab. Após a apresentação, ela e outros músicos foram inicialmente detidos por sua conduta. Somente após sua liberação da prisão, as autoridades deram início a um processo formal referente à publicação do vídeo.

Bahar Ghandehari, diretora de defesa do Centro para os Direitos Humanos no Irã, manifestou forte crítica à punição. Ela enfatizou que a condenação “serve como mais um lembrete de que a situação dos direitos humanos no Irã permanece inalterada, apesar da campanha de propaganda das autoridades iranianas durante a guerra, que buscava melhorar sua imagem internacional”.

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