O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) segue como uma das principais portas de acesso ao ensino superior privado no Brasil em 2026. O programa permite que estudantes de baixa renda financiem até 100% das mensalidades em cursos de graduação presenciais com nota mínima no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). As inscrições para o primeiro semestre acontecem entre fevereiro e março, com oferta de 112 mil vagas distribuídas em duas etapas. O programa passou por ajustes na taxa de juros e nos critérios de renda familiar desde 2024, ampliando o público elegível.
A modalidade tradicional do Fies, chamada de Fies Juros Zero, é destinada a estudantes com renda familiar per capita de até três salários mínimos, o que equivale a R$ 4.863 em 2026. Já a modalidade P-Fies atende candidatos com renda de até cinco salários mínimos por pessoa, aplicando taxa de juros entre 3% e 6% ao ano conforme a instituição financeira participante. O sistema de inscrição funciona 100% online, pelo portal oficial do programa, sem necessidade de comparecimento presencial na fase inicial.
Quem pode participar do Fies em 2026
Para se inscrever no Fies, o candidato precisa cumprir uma série de requisitos obrigatórios. É necessário ter realizado o Enem a partir de 2010 e obtido média aritmética mínima de 450 pontos nas cinco provas, além de nota superior a zero na redação. O programa não aceita notas do Enem de edições anteriores a 2010, nem resultados de candidatos que tenham zerado qualquer uma das provas. A renda familiar per capita é calculada somando todos os rendimentos brutos das pessoas que vivem no mesmo domicílio e dividindo pelo número de integrantes da família.
Brasileiros natos ou naturalizados podem se candidatar, assim como portadores de visto permanente. Menores de 18 anos precisam de autorização legal dos responsáveis para assinar o contrato. O candidato não pode ter pendências financeiras com o próprio Fies ou com outros programas do governo federal, como o Programa de Crédito Educativo (Creduc). Estudantes que já possuem diploma de ensino superior podem participar, desde que cumpram os demais requisitos, mas terão prioridade menor na classificação.
Como funciona o processo de inscrição e seleção
O processo seletivo do Fies acontece duas vezes por ano, sempre no primeiro e no segundo semestre. A inscrição é feita exclusivamente pelo site oficial do programa, onde o candidato informa seus dados pessoais, escolhe até três opções de curso em ordem de prioridade e apresenta informações sobre a renda familiar. O sistema verifica automaticamente a nota do Enem e valida os dados cadastrados. Não há cobrança de taxa de inscrição em nenhuma etapa.
- Primeira etapa: inscrição online com escolha de até três cursos em instituições participantes
- Segunda etapa: complementação de informações e upload de documentos comprobatórios de renda
- Terceira etapa: validação das informações pela Comissão Permanente de Supervisão e Acompanhamento (CPSA) da instituição de ensino
- Quarta etapa: formalização do contrato em agência da Caixa Econômica Federal ou Banco do Brasil
Após a pré-seleção, o candidato tem prazo de cinco dias úteis para apresentar a documentação exigida na instituição de ensino escolhida. A CPSA analisa os documentos em até dez dias úteis e emite parecer sobre a aprovação. Se aprovado, o estudante tem até três dias úteis para confirmar as informações no sistema e agendar a contratação do financiamento. O não comparecimento em qualquer etapa ou a apresentação de documentação incompleta resulta em reprovação automática.
Modalidades de financiamento e percentuais disponíveis
O Fies oferece três modalidades principais de contratação em 2026. A primeira é o financiamento total, que cobre 100% do valor da mensalidade para estudantes com renda familiar per capita de até um salário mínimo e meio, cerca de R$ 2.431,50. A segunda modalidade permite financiar entre 50% e 100% da mensalidade, destinada a candidatos com renda entre um salário mínimo e meio e três salários mínimos por pessoa. A terceira opção é o P-Fies, voltado para renda familiar per capita de três a cinco salários mínimos, com taxa de juros variável conforme o agente financeiro.
O percentual de financiamento é definido automaticamente pelo sistema com base na renda familiar comprovada e na disponibilidade de vagas. Estudantes de cursos nas áreas de saúde, engenharia e licenciaturas têm prioridade na concessão de percentuais maiores de financiamento, seguindo diretrizes do Ministério da Educação. O valor da mensalidade considerado é aquele praticado pela instituição de ensino no semestre da contratação, sem reajustes retroativos.
Carência, amortização e prazos de pagamento
O contrato do Fies prevê três fases distintas de pagamento. A primeira é a fase de utilização, que corresponde ao período em que o estudante está cursando a graduação. Durante essa etapa, o financiado não paga o valor principal da dívida, apenas um valor trimestral simbólico de até R$ 150, corrigido anualmente pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Esse pagamento serve como prestação de contas e não reduz o saldo devedor.
A segunda fase é a carência, que dura 18 meses após a conclusão do curso ou o desligamento do programa. Nesse período, o estudante também não paga o valor principal, mas pode optar por amortizar a dívida antecipadamente sem penalidades. A terceira fase é a amortização, quando o saldo devedor é dividido em até três vezes o período financiado, com prazo máximo de 20 anos para quitação total. Um estudante que financiou cinco anos de graduação, por exemplo, terá até 15 anos para pagar após o término da carência.
O valor das parcelas na fase de amortização é calculado com base no saldo devedor atualizado, no prazo escolhido e na taxa de juros aplicada. Para contratos do Fies Juros Zero, a correção é feita apenas pelo IPCA, sem incidência de juros reais. Já no P-Fies, a taxa varia entre 3% e 6% ao ano, somada à inflação. O sistema permite a portabilidade de agente financeiro e a renegociação de dívidas em caso de inadimplência, com condições especiais para desempregados e baixa renda.
Documentação necessária e validação na instituição
A lista de documentos exigidos inclui RG, CPF, comprovante de residência atualizado, certidão de nascimento ou casamento e documentos de todos os membros do grupo familiar. Para comprovar renda, é necessário apresentar contracheques dos últimos três meses, declaração de Imposto de Renda ou extrato do Cadastro Único (CadÚnico) para famílias de baixa renda. Trabalhadores autônomos devem apresentar declaração específica com firma reconhecida e documentos que comprovem a atividade profissional.
Estudantes que dependem financeiramente de terceiros precisam de declaração de próprio punho do mantenedor, acompanhada de documentos de identidade e comprovantes de renda dessa pessoa. A CPSA da instituição de ensino pode solicitar documentos complementares durante a análise, e o candidato tem prazo de três dias úteis para atender à solicitação. A apresentação de informações falsas ou documentos fraudulentos resulta em cancelamento imediato do financiamento e possível responsabilização criminal.

