Por que a bandeira da Arábia Saudita e do Iraque não podem ficar no chão? Regra religiosa motiva FIFA a adotar protocolo para a Copa do Mundo

Iraque e Arábia Saudita

Iraque e Arábia Saudita - em_concepts/Shutterstock.com

Em um gesto de respeito a preceitos religiosos e culturais, a Federação Internacional de Futebol (Fifa) implementa um protocolo diferenciado para a exibição da bandeira da Arábia Saudita durante as Copas do Mundo. Ao contrário do procedimento padrão, que prevê o estendimento das bandeiras nacionais no gramado, o símbolo saudita é mantido elevado, sem contato com a superfície do campo.

Essa particularidade no tratamento do pavilhão saudita foi observada em diversas ocasiões. A distinção foi notada, por exemplo, na partida de abertura dos sauditas contra o Uruguai, e mais recentemente no confronto diante da Espanha. Nessas e em outras partidas, a bandeira permaneceu suspensa no ar, jamais tocando o solo, demonstrando a adaptação da entidade máxima do futebol a nuances culturais específicas de seus membros.

A sacralidade da Shahada e seu significado na bandeira

A origem dessa determinação está profundamente enraizada na tradição islâmica. A bandeira da Arábia Saudita carrega a inscrição da Shahada, que representa a declaração de fé islâmica, um dos cinco pilares fundamentais do Islã. A Shahada é uma frase sagrada que afirma a crença em um único Deus (Allah) e no profeta Maomé como seu mensageiro. Por carregar um texto de tamanha importância religiosa, o pavilhão nacional não deve, sob nenhuma circunstância, tocar superfícies consideradas impuras ou inferiores, como o chão ou a água. A Fifa, ao acatar essa exigência, reconhece a profunda reverência que o povo saudita tem por sua fé e a simbologia contida em seu estandarte. Este cuidado não é apenas um detalhe, mas uma demonstração de diplomacia cultural que garante que a diversidade de crenças seja respeitada nos grandes palcos do esporte mundial, evitando qualquer tipo de ofensa ou desrespeito a valores fundamentais de uma nação participante.

Precedentes e a padronização do respeito cultural nos gramados

O protocolo especial da Fifa não é isolado para a Arábia Saudita e reflete uma postura de sensibilidade cultural que a organização tem buscado adotar. Um procedimento idêntico foi implementado em jogos envolvendo outras seleções com bandeiras que possuem símbolos ou inscrições religiosas, como o ocorrido em 22 de junho de 2026, durante a partida entre França e Iraque. Essa consistência na aplicação da regra reforça o compromisso da Fifa em respeitar as particularidades culturais e religiosas dos países que participam de seus torneios. Ao estabelecer e seguir tais protocolos, a entidade busca assegurar um ambiente inclusivo e respeitoso para todas as nações, reconhecendo que o futebol é uma plataforma global que transcende fronteiras e exige a compreensão de diversas tradições. Esse tipo de adaptação demonstra a maturidade de eventos internacionais em lidar com a complexidade de um mundo multicultural.

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