Depois de uma espera que se estendeu por mais de nove décadas, a seleção do Egito finalmente celebrou sua primeira vitória em uma Copa do Mundo neste domingo. O time africano superou a Nova Zelândia por 3 a 1, de virada, em partida válida pelo grupo G, com uma atuação de destaque de Mohamed Salah, considerado o maior ícone do futebol egípcio, que conseguiu superar as adversidades de sua participação anterior em 2018.
Atualmente sem vínculo com nenhum clube desde sua saída do Liverpool em maio, o jogador de número 10 foi responsável pelo segundo tento egípcio, fundamental para a virada no placar durante o segundo tempo do jogo em Vancouver. Além de balançar as redes, Salah ainda contribuiu com uma assistência para Trézéguet, que completou o resultado com um gol de cabeça.
Com o gol assinalado neste domingo, Salah agora se estabelece como o artilheiro isolado do Egito em Copas do Mundo. Ele superou o registro de Abdelrahman Fawzy, que anteriormente dividia a marca, conquistada durante o Mundial de 1934.
Totalizando 68 gols pela seleção egípcia, o atacante está a apenas dois de alcançar um novo feito histórico: tornar-se o maior goleador de todos os tempos pelo país. Atualmente, Hossam Hassan, ex-camisa 9 e técnico atual da equipe, detém essa posição com 69 gols.
“É uma sensação indescritível”, declarou Salah após a partida em Vancouver. “Representa um enorme triunfo para todo o elenco. Espero que consigamos avançar para a próxima fase, pois essa vitória será lembrada por muitos anos. Precisamos aproveitar o momento de hoje e amanhã, mas já com o foco no próximo desafio.”
A concretização da primeira vitória egípcia em um Mundial, com a participação decisiva de Salah, é carregada de um profundo simbolismo. Considerado o atleta mais proeminente do futebol egípcio neste século, o capitão participa agora de sua segunda Copa do Mundo, desta vez livre das sérias lesões que marcaram sua campanha em 2018, o que confere à conquista um caráter de superação pessoal e redenção para o atleta e a nação, que viu seu maior ídolo brilhar sem as amarras físicas do passado, entregando um momento histórico após décadas de espera.
Na Copa do Mundo da Rússia, Salah chegou com uma lesão no ombro direito, resultado de um incidente na final da Liga dos Campeões, partida vencida pelo Real Madrid. Devido ao problema, ele não participou da estreia, uma derrota por 1 a 0 para o Uruguai, e somente pôde atuar a partir da segunda rodada, contra o país anfitrião.
Apesar de ter marcado o único gol egípcio contra a Rússia, Salah demonstrou pouca celebração na ocasião. Sua contribuição não foi suficiente para evitar a derrota por 3 a 1, que selou precocemente a eliminação da equipe africana do torneio.
Após um período de oito anos, o camisa 10 da seleção egípcia emergiu como a figura central no primeiro triunfo do país em Copas do Mundo. Depois de tentativas frustradas de finalização no primeiro tempo, Salah capitalizou uma alteração tática no esquema ofensivo da equipe, convertendo seu gol na etapa complementar do jogo.
“Salah dedicou-se intensamente em campo, e é crucial entender que sou o primeiro a incentivá-lo a explorar suas qualidades”, afirmou o técnico Hossam Hassan, elogiando o jogador. “Ele atua como atacante, mas também em outras funções. Minhas mudanças táticas sempre visam tirar o máximo proveito de talentos como Hassan e Salah. É dessa forma que demonstramos nosso afeto pelo país e pelo maravilhoso povo egípcio. Sinto imenso orgulho. Como poderíamos sequer considerar não agradar a nossa torcida? Seria impossível viver sem conquistar essa vitória.”
Atualmente, o Egito ocupa a liderança isolada do grupo G da Copa do Mundo, acumulando quatro pontos. O Irã aparece na segunda posição, beneficiado pelos critérios de desempate, enquanto a Bélgica figura em terceiro, ambos com dois pontos. A Nova Zelândia, por sua vez, permanece na última colocação.

